A BOLA E O MENINO.

Lembro-me. Eu estava em exposição numa grande loja de um conhecido shopping center da cidade. Um homem bem vestido me levou para casa, numa camionete preta e muito cara.

Paramos na garagem de um prédio luxuoso, subimos para o apartamento. O homem entrou no quarto onde um menino estava muito entretido olhando para a tela de um computador. O homem dizia alguma coisa sobre ele parar de jogar videogame e ir brincar lá embaixo.

Quando o menino finalmente tirou os olhos daquela tela e olhou para mim, disse, meio sem graça: – Ah, é uma jabulani! Falou qualquer coisa para o homem, e deixou-me sobre a cama. Passado algum tempo, o homem entrou no quarto, desligou a tela que o menino ainda olhava, e deu-lhe um ultimato.

O menino pegou-me meio a contragosto e desceu para o pátio do prédio. Lá encontrou outros meninos que estavam sentados olhando para uma telinha ainda menor. Parece-me que aquela telinha era um pequeno filhote da outra tela maior que havia no quarto do menino, pois lhes causava o mesmo fascínio.

Um deles calçava um tênis muito colorido. Quando me viu, começou a chutar-me contra o muro, enquanto aguardava sua vez de jogar na telinha. De repente, errou o chute… e eu voei, passei por cima do muro e caí num chão duro e muito preto. Fui quicando, repetidas vezes, entre carros que passavam em alta velocidade. Para minha sorte, nenhum me atropelou. Acabei caindo no meio de um mato alto, onde havia muitas coisas velhas, sujas e mal cheirosas.

Imaginei que logo meu dono viria me buscar. Mas nada. A noite chegou, e eu fiquei lá sozinha, esperando. Quando o dia amanheceu, um bicho estranho, de nariz preto e gelado, me acordou. Sem pedir licença, ele levantou a pata traseira e derramou sobre mim um líquido amarelo, quente e fedorento.

Depois, chegou um homem maltrapilho, com uma cara triste, e me apanhou, mostrando certa surpresa. Limpou a sujeira com a mão, esfregou-me na sua roupa e me colocou numa espécie de carroça que ele puxava. Vez em quando, parava e colocava mais coisas velhas na pequena carroça.

Caminhamos o dia todo, até a noite. Chegamos a um lugar onde havia muitas casas pequenas, mal construídas e sem nenhum acabamento. Na porta de uma das casinhas, uma mulher o esperava. Quando ela me viu, percebi uma felicidade radiante. Acabou de limpar-me, com capricho, arranjou um pedaço de papel colorido, embrulhou-me e me escondeu.

Na manhã seguinte, bem cedinho, colocaram-me debaixo de uma arvorezinha enfeitada com umas bolinhas coloridas. Ao lado, havia um papelão dobrado imitando uma gruta. Dentro dela, um bebê deitado num bercinho de palha, rodeado por uma mulher e um homem que olhavam para a criança.

Havia também outros homenzinhos e pequenos animais. Todos tinham sido feitos de barro e secados ao sol, pela dona da casa, que havia aprendido aquela arte no sertão onde nascera. Nada mais havia ali.

Minha surpresa foi ver que na casa havia um menino. Quando ele se levantou e pegou sob a pequena árvore o pacote onde eu estava embrulhada, ficou exultante de alegria! Rasgou logo o papel, e parecia não acreditar: – “Uma jabulani, ganhei uma jabulani!”… Abraçava-me e me beijava sem parar. Logo exigiu do pai que fosse com ele para um tal campinho.

Era um campo de terra batida, e quando chegamos lá os outros meninos mostraram muita admiração ao me verem. Jogamos o dia inteiro. O menino que agora era o meu dono não corria muito, parece-me que as pernas dele eram um pouco diferentes das dos outros meninos. Ele quase não podia correr, e por isso quase não tocava em mim.

De repente, parei na frente dele. Com muito esforço ele me chutou. Passei longe de um outro menino que tentou me agarrar com as mãos. Bati com força num dos paus e… todos gritaram “GOL!”… Foi aquela alegria. O pai pegou o menino, colocou-o sobre os ombros e então voltamos para casa.

O menino me limpou novamente, o pai trouxe um pedaço de sebo e esfregou em mim, dizendo que fazia isso com a bola de couro que um dia também ganhou do seu pai. Colocaram-me sob a árvore e foram dormir. No meio da madrugada, o menino veio certificar-se de que eu estava lá. Parece-me que sentia medo de que eu fosse apenas um sonho. Abraçou-me com força e ouvi seu estômago roncar.

Debaixo daquela árvore, ao lado do rústico presépio, percebi que aquele outro Menino feito de barro e deitado num berço de palha olhava para mim. Ouvi dizer que era um Rei, que por amor quis nascer assim, pobre e desprendido de tudo. Foi naquele momento que compreendi a coisa mais importante da minha vida: a minha verdadeira felicidade não estaria em ser uma bola cara e famosa, feita para grandes estádios de grama verde. A verdadeira felicidade eu encontraria tornando alguém feliz, fazendo-lhe o bem. Eu não era e não queria ser a famosa jabulani.

Eu era A BOLA DE UM MENINO!

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15 comentários sobre “A BOLA E O MENINO.

  1. O cara já começou detonando, sensacional o texto, de deixar arrupiado (como diria o Eron) em vários momentos.

    Parabéns Jota, e bem vindo ao L & N.

  2. Jota,
    Fiquei arrepiado de ler o teu texto. Puxa vida, a gente pode fazer tanto paralelo com seu texto, seja na vida pessoal, profissional ou esportiva.

    Meus parabéns! Excelente texto!

    Roberto,
    Parabéns por ter aberto espaço para o Jota!

    Abraços amigos!

  3. Ei Xará, Continue nos brindando com suas historias, como o Gladstone disse, podemos escolher em que aplicarmos.

    Mas para mim coloco na vida em geral, temos que saber a quem presentear e o que entregar para completar a felicidade de alguem, o mais barato costuma ser o mais cobiçado, e assim vamos distribuindo por ahí a PAZ o AMÔR a UNIÃO a AMIZADE é tão barato mas de uma grande valia.

    Abraços Jota e para toda a sua familia

  4. Em sua estréia como colunista do L&N, o Jones Queiroz já veio inspirado. O texto é fantástico e uma verdadeira lição de vida.

    Seja bem vindo ao L&N, amigo. É um orgulho tê-lo como integrante do time.

    Abraços.

  5. Nuuuuuuuuuuuuú,#quêquiéissuuuuuuuú#!!!!sensacional… bacana demais meu caro Jota!num mundo onde ñ há mais espaço para o simples,onde a bola de meia perdeu lugar p/ ipods,games ,ostracismo virtual,etc e tudo gira no entorno de uma timeline;teu texto mostra que para ser feliz basta apenas:uma bola,um campinho q pode ser demarcado por chinelos,tijolos ,pedras ou qqer coisa q sirva de gol e uma criança,¨criança¨mesmo,afim de dar uns bicudas e se divertir,simples assim!
    Parabéns Roberto,por ceder este espaço à cidadãos sensíveis com a escrita, tal qual nosso colega o Jota,sensacional!!!!
    Jota parabéns por descrever o qto é simples a arte de ser feliz,mesmo que seja uma bola!valeu companheiro q a PAZ esteja consigo e os teus.Abs prezado!

  6. Muito bom o seu texto Jota e me fez fazer uma volta ao passado e lembro qdo eu ganhei o meu 1º uniforme completo do Galo tinha lá os meus 7 anos de idade e junto com o uniforme do Glorioso uma bola novinha e o cheiro do couro eu sinto até hoje.
    Jamais vou me esquecer desse dia e da felicidade de sair para rua com o uniforme do Galo e com a bola novinha para a primeira pelada.

  7. Uma informação para os colegas, pensarem refletirem e depois de comentar sobre o texto do Jota comentar o que vou passar.

    No Estatuto do torcedor será que tem alguma cláusula que fala sobre erros de Direito e de Fato, na justiça comum poderia, mas demora muito, não entendo de leis, mas ahí tá havendo uma aberração, assim é FATO então tá nos olhos de todo mundo.

    Em 1967 o Palmeira foi campeão da taça e do robertão, então são 2 títulos então o Palmeiras terá que ser considerado campeão´por 2 vezes, ahí amigos fere qualquer cabeça lei pensamento estatuto livro ERRO DE FATO E DE DIREITO, ou será que estou errado.

    Em 1968 o santos foi campeão e o botafogo tambem taça Brasil e Robertão, como ter em um ano 2 campeões Brasileiros aí fere também tudo quanto estatuto ou lei então é ERRO DE FATO E DE DIREITO.

    Cadê os nossos colegas atleticanos que são advogados, tá na hora de nós torcedores colocar um basta na CBF já que os clubes não podem, porque senão serão perseguidos caçados pelos juizes e prejudicados, mas o torcedor pode entrar na justiça e querer o seu direito

    Roberto, veja com algum advogado que frequenta o Blog para verificar para nós, tenho certeza que não estou errado.

  8. Parabéns pelo seu texto, pai,
    Este texto nos mostra que não precisamos de coisas caras para nos divertir
    tudo que precisamos e de uma ALMA DE MENINO.

    1. Fabiano, caro é nossa vida, nossa saude, nossa paz, nossa amizade,nosso amôr, nossa união mas DEUS sempre está a nos dar um CRÈDITO e assim vamos vivendo, o resto é material.

      Segure êste Pai que você tem, e custa barato é só dar amôr carinho e compreenção para êle e ele vai te devolver ao triplo e muito feliz principalemte se você seguir os caminhos dêle. Parabens pra você tbm

  9. Querido Roberto, ausente dos comentários mas fiel leitora.Parabens pela incrível
    “aquisição” do novo colaborador JOTA.MAGNÍFICO !Lindo pacote de sonhos,um texto
    digno de reflexão.GALO SEMPRE.obrigado.abraços.imo.bh/bsb.

  10. Os simpatizantes azuis estão comemoranmdo o “bi” do brasileiro, devido a uma jogada de política dos fraudolentos do futebol brasileiro. Tudo acontece a favor dos nossos adversários, em detrimento do Galo e vcs aqui só postam textos falando de paixão etc.. Há gente pare com isso. Vamos cobrar mais do presidente! vamos cobrar mais da imprensa! Enquanto vcs ficar só nessa, jamais teremos força o suficiente para mudar esse quadro e fazer com que todos respeitem o glorioso!
    Quem está comemorando essa palhaçada política é a imprensa controlada pelo anão de jardim. Todos cronistas, jornalistas e afins, estão dizendo que foi uma posição justa e acertada da CBF. Mas se tratando de ricaço teixeira e anão de jardim nõ podia dar outra coisa . Semana passada o pres. Kalil foi convidado pelo repporter azul joão vitor xavier perrella para participar do seu programa BastiZEIRO, digo Bastidores, onde o Kalil sofreu um bombardeio de perguntas sobre tudo do Galo, : Dívidas, Ações trabalhistas, atritos entre dirigentes, transações de jogadores etc… e o Kalil respondeu tudo Nada ficou no ar.
    O interessante que esser repórter jamais fez o mesmo com o anão de jardim das pouquissimas vezes que ele foi ao programa do dito cujo. Por isso eu e mais um punhado de amigos atleticanos entupimos de mensagens o programa, cobrando uma entrevista do mesmo molde com o anão. E esse repórter já respondeu mentindo, dizendo que ele tem recebidos muitas mensagens de cruzeirenses cobrando um entrevista com o anão de jardim e porque dessa diferença de tratamento, entederam o que esse cruzeirense quis dizer?
    Depois ele disse que ja´tinha feito o convite e o anão recusou dizendo que ele está suspenso e não pode dar entrevista. Ora, é outra mentira , pois issso não existe! E tem mais a menos de 15 (quinze) dias o anão de jardim esteve no programa Jogada de classe (TV Horizonte), onde foi paparicado com é com toda imprensa.

    Espero que vocês desse espaço engrosse nossa corrente, enviando mensagens para itatiaia, rádio globo minas, tv globo minas, alterosa esporte, minas esporte, inconfidencia etc. para colocar o anão de jardim e seus subordinados da imprensa azul em seus devidos lugares. Essa gente já estraçalhou, arrebentou com a instituição Atlético e com nossa massa , por várias vezes. A Itatiaia criou aquele quadro “dossiê do galo” que culminou com o afastamento de investidores, patrocinadores etc. do clube, mas graças ao Kalil essa gente se ferrou pois o Kalil conseguiu resgatar o prestígio e a credibilidade do C lube e hoje o Atlético é a décima marca mais valiosa do Brasil conforme:

    Corinthians – R$ 749,8 milhões
    São Paulo – R$ 659,8 milhões
    Flamengo – R$ 625,3 milhões
    Palmeiras – R$ 444,1 milhões
    Internacional – R$ 268,7 milhões
    Grêmio – R$ 222,8 milhões
    Vasco – R$ 156,5 milhões
    Santos – R$ 153,3 milhões
    Cruzeiro – R$ 139,6 milhões
    Atlético – R$ 110,3 milhões
    Fluminense – R$ 104,2 milhões

    É Galo sempre contra tudo e contra todos!

  11. Uau! Que texto delicado e ao mesmo tempo forte, que lindíssimo conto de natal! Daqueles que acendem uma fogueirinha dentro da gente e o coração queima. Um texto que gera esperança. Obrigada, Jota, por nos brindar com um texto que é um verdadeiro poema. Obrigada, Roberto, por abrir espaço a ele.
    :o)
    Beijo,
    AnaCris

  12. Queridos amigos do L&N. Foi um grande prazer ser convidado pelo Roberto para escrever aqui. Uma honra para mim. Agradeço muito a ele e a vocês todos que leram e aos que puderam deixar seus comentários. Não vou poder responder os comentários de cada um, como queria fazê-lo, pois estou numa correria doida. Mas agradeço a todos vocês de coração. A gente vai se encontrando por aqui, né não? Valeu demais… abraços, Jota.

  13. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.
    Muito bonito o texto, Jones.
    Parabéns!
    Abraço.

  14. SENSACIONAL o POST!!

    Faço minhas suas palavras, sem puxação de saco claro!!

    Só acresecnto uma coisa, …quer dizer, repito uma coisa, LATERAL ESQUERDA E DIREITA!!!

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