ENTREVISTANDO LEONARDO BERTOZZI, DA ESPN BRASIL

O L&N volta a entrevistar um dos grandes. Na opinião deste blogueiro, Leonardo Bertozzi, comentarista esportivo da ESPN Brasil, é um dos que possuem maior capacidade de leitura do jogo e suas nuances táticas. Ao analisar a mesma partida que assistimos, Bertozzi  sempre acrescenta (ou informa) algo que não captamos. No meu entender, é uma de suas maiores virtudes.

Ele arrumou um tempo e  gentilmente se prontificou a conversar com a nação atleticana.

Vamos à entrevista:

Lances & Nuances –  Bertozzi, sabemos que a sua origem vem das alterosas, e como todo bom mineiro, vai sobressaindo gradualmente em uma das redes esportivas de maior sucesso no mundo, a ESPN. Hoje, você é parte integrante da grade em programas importantes. Conte para os atleticanos um pouco de sua trajetória profissional e de como você saiu das nossas Minas Gerais para enfrentar o “mundo lá fora”.

Leonardo Bertozzi – Comecei minha carreira ainda durante a faculdade. Trabalhei para o site FutBrasil, inicialmente como repórter, e depois como editor. Simultaneamente, fazia o trabalho voluntário com a NetGalo, que tocava o site oficial do Atlético. Participei de algumas iniciativas pioneiras, como a narração online de jogos do Galo direto do estádio, algo que fizemos em toda a campanha do Brasileiro de 1999. Depois de formado, mudei-me para São Paulo, e após algumas experiências fora da área, iniciei o site FutebolEuropeu.com.br, em 2004, que me deu projeção para trabalhar em veículos importantes. Fui repórter da revista Trivela e editor do site, comentei jogos no BandSports e no FX. Desde 2009 faço parte da equipe dos canais ESPN de rádio, televisão e internet.

L&N – Você é um comentarista que costuma ler a partida de futebol de uma forma bastante realista. Você já atuou dentro das quatro linhas seriamente ou entende que isso não é básico para se construir um bom analista de TV ou rádio?

LB – Um bom comentarista político não precisa ter sido político, assim como um bom crítico de cinema não precisa ser cineasta. Evidentemente a experiência no campo agrega algo, mas não é o essencial. O necessário é estudar, ter conhecimento e se manter sempre atualizado. Um pecado de muitos ex-jogadores que passam a atuar como comentaristas é acreditar que a experiência pura e simples basta.

L&N – Nestes três anos de Alexandre Kalil no Galo, a torcida se frustrou de maneira absurda. O que era para ser a retomada das grandes campanhas de Elias Kalil (pai de Alexandre Kalil) ou mesmo de outras épocas, se transformou em choro e ranger de dentes, flertando com rebaixamentos e tomando goleadas vergonhosas. Na sua visão, quais foram os pecados principais que empurraram o Atlético para este festival de fracassos?

LB – O Atlético tem pecado pelo imediatismo na gestão do futebol. O primeiro ano da gestão Kalil foi positivo, com o time brigando pelo título brasileiro. Daí em diante, e a partir da contratação do Luxemburgo, a coisa foi de mal a pior. O principal equívoco é a contratação de jogadores por atacado, 20, 30 novos por ano. É impossível notar qualquer planejamento quando o time de junho não tem nada a ver com o de janeiro. Se o Atlético não adotar uma linha clara de raciocínio na montagem do elenco, fica difícil esperar alguma coisa.

O Atlético tem se estruturado bem fora das quatro linhas, mas há alguns fatores questionáveis, como abrir mão de um departamento de marketing. Se o marketing dá prejuízo, como alega o Kalil, é porque não é bem feito. O atleticano é apaixonado e pode contribuir muito como consumidor.

Ainda sobre o Alexandre, é necessário separar o torcedor apaixonado do administrador. Apesar de o torcedor se identificar quando ele “solta os cachorros” após um revés ou tira um sarro do rival após uma vitória, nem sempre estes comportamentos são bem recebidos dentro do ambiente.

L&N – A torcida do Atlético sempre foi fidelíssima e extremamente vibrante. Carregar o time nas costas faz parte da nossa história por anos a fio, inclusive em 2011. Mas, devido ao grande crescimento das redes sociais _ e, por consequência, maior comunicação entre os atleticanos _ percebe-se uma reação (crítica) importante de parte da torcida em relação aos anos seguidos de decepções, o que possibilita desembocar numa atitude mais fria (ou equidistante) em relação ao time. Quais as medidas que, na sua opinião, deveriam ser tomadas para restabelecer a sinergia de antigamente?

LB – Um período de vacas magras pode aproximar ainda mais o torcedor do time ou provocar nele uma certa indiferença. A primeira parte foi vista na época do rebaixamento. Talvez seja o momento da segunda parte. Mas acredito que a falta do Mineirão também seja um fator a não ser ignorado. Apesar do fenômeno das redes sociais, é mesmo no estádio onde essa proximidade se verifica.

L&N – Em 2011, contratamos, pelo menos no papel, um timaço. Dudu Cearense, Richarlyson, Mancini, Leonardo Silva, Magno Alves, Guilherme Santos, André, Guilherme… entre outros. No comando, Dorival Júnior. Mesmo assim, foi um filme de horror sem pipoca, com um final digno de enviar a platéia pro hospital com palpitações graves. Como você explica tal disparate em relação ao que poderia ser e ao que aconteceu de fato?

LB – O problema é justamente esse – separar o papel da realidade. Mancini, Guilherme, André, entre outros, eram jogadores encostados em seus clubes. Alguma razão havia. Quando você faz um investimento alto, tem de saber se é apenas no nome ou se a possibilidade de retorno existe de fato. Houve um tempo em que o jogador voltava mal do exterior e conseguia se refazer aqui. Hoje é cada vez mais difícil. Contratar muito nem sempre significa contratar bem.

L&N – Você acredita que no jogo contra o cruzeiro (os 6 a 1), os jogadores do Galo se envolveram em algo desonesto para salvar o rival?

LB – Apesar de não colocar a mão no fogo por nada no universo do futebol, seria leviano da minha parte fazer qualquer insinuação neste sentido. Entendo o desespero do torcedor, que podia viver seu momento de maior alegria em muito tempo, mas o jogador não pensa da mesma maneira. Deveria, mas não pensa. Na cabeça de muitos ali, a missão estava cumprida uma semana antes. Quando você entra em um jogo como este sem grandes motivações, contra um adversário que faz o jogo da vida, é possível que uma tragédia do tipo aconteça.

L&N – Kalil reeleito por mais 3 anos. Em seu primeiro mandato, o presidente alvinegro se notabilizou por atitudes arrogantes, declarações estapafúrdias, excelente trabalho (até onde podemos ver) na administração financeira do clube e uma péssima gestão do futebol. Para que tudo isso fique no passado, o que você acha que Kalil deve fazer para produzir um segundo mandato capaz de resgatar o prestígio do Clube Atlético Mineiro em termos nacionais?

LB – A hora é de arregaçar as mangas, trabalhar sério e acreditar em uma linha de planejamento. Manter técnico, elenco, apostar nos bons jovens e contratar apenas jogadores que cheguem para resolver. Com a volta do time a BH, um programa eficiente de sócio-torcedor também será bem-vindo.

L&N – Você é a favor da repatriação de Diego Tardelli?

LB – Depende das condições. Se for necessário um imenso sacrifício financeiro, não vale a pena, apesar de o jogador ser um ídolo e ser um destes que chegam para resolver. Em condições aceitáveis, vale a pena.

L&N – Caro Leonardo Bertozzi, para encerrar a entrevista, qual a sua mensagem para a nação atleticana, que admira muito o seu trabalho?

LB – Agradeço a todos que acompanham meu trabalho. Sei que muitos esperam que eu seja uma espécie de “embaixador” do Atlético na imprensa nacional. Não é exatamente o caso, mas sei que falo com propriedade do Galo quando me cabe. E foi uma satisfação grande poder cobrir vários jogos do Atlético pela TV e pela rádio desde a mudança para São Paulo. Espero que essas ocasiões se multipliquem e que novos encontros com a Massa aconteçam. Abraço a todos!

A sua presença honrou o L&N e a nação atleticana, Bertozzi. Muito obrigado.

Para seguir o entrevistado no twitter, clique aqui.

Siga este blogueiro no twitter clicando aqui

Anúncios

16 comentários sobre “ENTREVISTANDO LEONARDO BERTOZZI, DA ESPN BRASIL

  1. Muito boa a entrevista.Eu sempre admirei o trabalho do Bertozzi, comentarista muito lúcido.Destaco ainda a atenção que ele sempre volta a todos que escrevem para ele no TT, sempre interagindo com simpatia, sem estrelismos.Abç.

  2. Muito boa entrevista, Roberto. Parabéns!

    Comentamos sobre isso na última resenha. Sempre falo sobre essa “falha” na administração do Kalil. É inadimissível um time desse porte não ter um departamento de MKT capaz de fortalecer a marca e estreitar a relação com os torcedores da capital e do interior. Além do Mkt digital que não é apenas modinha, veio para dar voz ao povo e promete ficar.

    Assino embaixo nas palavras de Bertozzi: “O Atlético tem se estruturado bem fora das quatro linhas, mas há alguns fatores questionáveis, como abrir mão de um departamento de marketing. Se o marketing dá prejuízo, como alega o Kalil, é porque não é bem feito. O atleticano é apaixonado e pode contribuir muito como consumidor”.

    Abraços,
    Vanessa Lima

  3. Excelente.

    O Leonardo é realmente uma pessoa muito lúcida e profissional de alto nível.

    Merece mais sucesso ainda.

    Pena que profissionais como ele são cada vez mais raros.

  4. Muito boa a entrevista vou passar a acomnhar o trabalho do Bertozzi. parabens pelo blog.

  5. Parabens Roberto pela Entrevista e ao Bertozzi pelas respostas…rs
    Falou tudo… o Atletico precisa por a ‘cabeca’ no lugar e reorganizar dentro de campo, os projetos pro ‘futebol’, precisam ser mais centrados…o problema, eh q atleticano, do presidente ao torcedor na hora q a vaca vai pro brejo, quer eh q alguem pague o pato, dae tchau planejamento…

    Tomara q o Kalil, tenha aprendido alguma coisa… e q daki pra frente as coisas melhorem pro nosso lado dentro de campo….
    Galo sempre.. Forte abraco
    Muito sucesso pra ambos…

  6. Parabéns ao L & N pela entrevista. Em especial para o Roberto, que sempre nos presenteia com coisas de alto nível.

    Parabéns também ao Bertozzi, sempre se destacando por sua serenidade.

    Abraço.

    @RuyMorato

  7. Grande comentarista da nova geração, imparcial, visão tática e leitura de jogo impressionante.

    Atualizado, futebol nacional, europeu e mundial.

    Parabens ao blog e ao entrevistado pela excelente entrevista.

  8. Querido Roberto, a ausencia de comentários não impediu a visita cotidiana e obrigatória
    ao Lances e Nuances.Senti profundamente quando movido pela paixão voce tomou a decisão
    de “dar um rempo” nesse blog,mas vibrei muito em seu retorno.Obrigado por tudo.
    FELIZ NATAL ,abraços .imo.bh/bsb.GALOSEMPRE!

  9. Na ESPN gosto dos comentários e análices tanto dele Bertozzi como também do PVC são da mídia para o torcedor, não interessa qual, com isto quero dizer, são imparciais em suas palavras e não colocam maldades, e nem criticas veladas.

    Tem alguns pontos na entrevista que não concordo, como por exemplo, gestão, planejamento ora ora, criticar alguma diretoria por isto, até o IBIS tem a sua gestão e seu planejamento, ou melhor até uma criança, planeja seu dia a dia, ou seja, ir a escola, chegar, almoçar, brincar um pouco, fazer o para casa, brincar no computador, ver tv, ler um pouco, estudar e dormir.
    OU isto não é planejamento.

    Marketing, que tanto a torcida fala, é aquele, que gasta 600 mil por mes, para levar uma bandeira e pagar caro pro Queniano mostrar ela lá na São silvestre, ou é o Marketing de fazer mais de 50 eventos, regados a champanha frances, scargot ou o famoso suco escorces 12 ou 18 anos, quero não, isto para o Galo, gastança eu como da velha guarda num quero não..

    Além do mais, para aqueles, que são Torcedores, mais antigos, sabem, quem acompanha a vida do Galo, sabe, que a Adriana Branco, é fera no marketing, afinal foi ela que antes de todos os clubes do Brasil, implantou isto no Galo, ou será que ela desaprendeu a manha, o que ela estudou, o que ela trabalhou anos e anos no Galo, a pratica, e teoria ela tem, para mim já provou isto. além de ser Atleticana de coração, e pessoa de confiança da diretoria.

    Só acho que, muitos torcedores, se preocupa demais com nossa diretoria, sabemos que ela errou, e muito, mas é ela que temos, se sair desta que ahí está, só tem lesmas, lebreias, velhos gagás, no conselho, e não é a diretoria que é culpada, e nem o Ricardo Guimarães e sim o proprio torcedor Atleticano, que não vai lá se associar e fazer carreira lá dentro até ser um conselheiro para mudar, OU TÃO ESPERANDO TUDO DE GRATIS E VIR DE MÃO BEIJADA..

    1. Guerra,
      E quanto aquela empreitada de arrecar dinheiro para colocar em página inteira o sentimento de toda nação sobre aquela entregada desmoralizante do time ? Como anda a coisa ?
      Obrigado
      Abraços,

    1. Pra vc tbm, um feliz ANO NOVO, minha querida. E aproveito para desejar a todos os leitores do L&N um excelente 2012 cheio de realizações e paz entre os seus. Abraços.

Os comentários estão desativados.