SEMPRE POR UM TRIZ

colunadaanacris1Quando meu telefone apitou anunciando que a venda dos ingressos para a final da Libertadores seria na manhã seguinte, eu havia acabado de chegar a Belo Horizonte. Então no sábado, depois de um dia inteiro na fila gritando Gaaaaalo e conversando com aqueles tantos atleticanos, meus melhores amigos das últimas 7 horas, tive certeza de que eu não era a única a acreditar de verdade que sairíamos campeões. A boa expectativa era geral.

Cada um dos quatro dias seguintes pareceram ter sido feitos de quarenta anos. E, agora que tinha chegado o dia, eu não tinha certeza se estava pronta. Mas firmei o corpo, ergui os olhos e me convenci de que enfim tinha chegado a hora de ser campeã.

Na porta do Mineirão, durante toda a tarde e início de noite, milhares de pessoas cantavam o hino do Atlético, em ritmo de festa. Parecia que nós é que tínhamos a vantagem dos dois gols. Que torcida corajosa!

Encontrei um monte de gente conhecida, abracei, cantei, pulei, entrei, sentei. O primeiro tempo de jogo foi amarrado e, de tanto nervosismo, comecei a passar mal do estômago. Ainda não tinha pensado que fosse real a hipótese de não fazermos dois gols. Durante o dia, havia encontrado um olimpista que carregava uma taça de isopor e lhe disse, com muita convicção, que eu sabia que ganharíamos o jogo. A única dúvida era por qual diferença. E agora o gol não vinha. E agora me faltava ar.

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Foi do banheiro que tomei conhecimento do primeiro gol. Senti as paredes do Mineirão tremendo e um barulho ensurdecedor. Se não fosse terremoto, era gol. Era gol! Nenhum remédio no mundo seria capaz de melhorar meu estômago em cinco segundos como aquele chute do Jô. Lavei o rosto e senti as pernas falharem. Ajoelhei-me no chão do banheiro e, com as mãos abertas em cruz, sozinha, senti a falta de um abraço atleticano.

Quis abraçar minha irmã. Aquela que me levou ao primeiro jogo do Galo quando eu tinha dez anos. Ela, que dividiu comigo tantas alegrias, mas também tantas batalhas perdidas, estava agora em uma fazenda, sem telefone, sem televisão, sem internet. Uma família de atleticanos a convidou para assistir à final com eles. Porém, antes do jogo, seus três filhinhos caíram no sono e começou a chover muito. Não havia como sair.

Então ela se lembrou de que em algum armário de algum quarto daquele casarão havia uma televisãozinha preto e branca, com tela de seis polegadas. Era um aparelho muito antigo, mas, sendo do Paraguai, devia estar interessado em ver o jogo também. Televisão ligou, mas não sintonizou. Minha irmã prendeu um chumaço de bombril na antena e voilá! Começou o jogo. E, tudo o que vimos em cores, ela viu no preto e branco do nosso mundo atleticano.

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Estávamos separadas, mas sofríamos do mesmo jeito com aqueles quase gols o tempo todo. Sempre associei os quases do Galo àquele verso do Chico que diz que “para sempre é sempre por um triz”. E é assim que continua a ser.

Foi por um triz que empatamos o jogo de ida contra o Tijuana, nas quartas de final, com aquele gol do Luan. Foi por um triz que a perna esquerda do Victor defendeu o pênalti de Riascos no jogo de volta. Na semifinal, foi por um triz que o zagueiro do Newels’ Old Boys errou o corte e a bola foi parar nos pés do Guilherme. Alguns minutos antes, um tiro do Guilherme não tinha entrado, por um triz. E agora a bola passou bem pertinho da trave, só que do lado de dentro. Por um triz. Na final, o gol do Olímpia também não saiu por pouco: um escorregão improvável de Ferreyra, após driblar nosso goleiro. E aquela bola no finalzinho do segundo tempo, cabeceada por Leonardo Silva, entrou preguiçosa, quase querendo não entrar. Foi por muito pouco.

Dois a zero para nós. Nos trinta minutos de prorrogação, as traves estavam mais teimosas do que criancinha que não quer comer. Eram chutes sem fim, mas o gol fechou a boca. Não deixava entrar nada, talvez porque soubesse que era dia de voltarmos a 05 de março de 1978 e curarmos aquela ferida aberta no peito de todo atleticano, mesmo os que não eram nascidos. Decisão por pênaltis. A perda daquele título nacional foi por um triz.

Mas agora havia de ser diferente, curador. Naquele último pênalti cobrado pelo Olímpia, a bola que bateu no travessão transformou, por um triz, nossa história para sempre.

anaeirmaO Mineirão explodiu e só depois é que fui saber que minha irmã tinha estado sozinha, com aquela alegria toda que não cabia no peito, sem ter com quem dividir. Lembro-me de todas as vezes em que, juntas, nós quase, quase, quase ganhamos tudo, e agora ela estava longe da festa. Penso que, assim como eu, foi por pouco que ela não morreu. E, se existem atleticanos vivos no mundo, aos milhões, pergunte a cada um deles como é que ainda estão vivos. Todos dirão que o coração quase parou de bater para sempre. Foi por um triz.

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5 comentários sobre “SEMPRE POR UM TRIZ

  1. Rezei, orei e sequei e muito, alguns lances do Olimpia, no final salvei uma moça que ficou paralisada igual boba olhando pro nada kkkkkkkkkk dei uma balançada nela para voltar a vida, ao normal por que eu estava fora de mim também.
    Só sinto que este Mineirão de hoje, separa os amigos de ontem.
    Por isto gosto de estádio com a famosa arquibancada de cimentão, é geral, é popular é arquibancada, os ricos e capa de revista ficam nas cadeiras kkkkkkkkkkkkkkk

    Expressou D+ querida Ana, igual sua irmã, teve muitos brigando com a antena e o bombril

  2. Foi por um triz que meu coração não parou na Libertadores. Que venha muita emoção no Mundial para todos nós.

    Abraços

  3. Bom dia

    OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
    Galera,
    Não é de hoje que a imprensa, PRINCIPALMENTE o Emanuel Raposa vem PERSEGUINDO O ATLÉTICO, KALIL E MASSA , fazendo comentários maldosos , CRITICANDO O NOSSO TIME E TORCIDA, acusando jogadores do Galão nas baladas, Principalmente Ronaldinho e Jô. Isso não acontece quando jogadores do cruzeirin estão nas baladas. Um forte exemplo foi os barrados na boate Chalezinho.
    E agora está circulando nas redes sócias essa matéria e ninguém vai comentar.
    Se fosse do Galo era primeira página de jornal,e prato cheio pro Emanuel Carneiro!800mil p mês,bichado e na gandaia!
    pic.twitter.com/KGiDGfg87k
    DADÁ, UM OPORTUNISTA QUE VIVE APOIANDO OS RIVAIS NO LIXO ALTEROSA ESPORTE
    Em breve vamos informar todos os detalhe da demissão do oportunista Dario José dos santos (Dadá maravilha) da rede globo. Esse …que vive nos passando vergonha e raiva naquele lixo de programa alterosa esporte, apoiando os rivais VIBRANTINHO LUCIFER, NEUBER PEURUCA DE TOURO, TOLEDO BONECO DE BORRACHA , LEOPEIDO VÉIO ZUZA E JAIR BALA JAVALI DE BENGALA. O safado DADÁ, cantava a mulherada pra sair com ele e em troca prometia colocá-las no BBB.
    Mais um escândalo do político CORRUPTO Alberto rodrigues PAI DO VIBRANTINHO LUCIFER …que de acordo com a galera, tem rolo na modalidade…minha casa minha vida na grande BH…

  4. Parabéns pelo texto, é de uma qualidade bastante rara. Posso compará-lo a alguns que li no Blog Impedimento, que também são fantásticos (principalmente o do jogo contra o Tijuana). Mas, como este não foi escrito por um atleticano, no critério de desempate, o seu texto leva a melhor.

    Esta Libertadores foi como uma cura para o atleticano, pois exorcizou vários demônios:

    – A quanto tempo não eliminávamos um time grande em um mata-mata? Tirando o Cruzeiro, que é rival (e freguês histórico), me lembro do Grêmio, em 1997. Do São Paulo e suas 3 libertadores sobraram só os destroços. A surra está fazendo efeito até hoje.

    – O pênalti contra o Tijuana foi o lance mais marcante desta campanha. Foi quando alguns atleticanos perceberam que algo estava diferente, não só pela sorte. Eu sou ateu, mas é difícil duvidar que algo sobrenatural aconteceu aquele dia. A neblina que tomou conta da cidade no final do jogo é algo que não consigo explicar. Só presenciei isso em Gramado, nunca em BH, onde vivo a mais de 15 anos.

    – E o que falar de Rosário? Tivemos que voltar lá. Somente o atleticano que viveu aquele 19 de dezembro de 1995 sabe do que eu estou falando. Jogando agora contra o rival do Rosário, saímos de lá praticamente desclassificados e aqui revertemos o que muitos duvidavam. Justamente o contrário do que aconteceu na Conmebol.

    – E para o fim, ficou reservado o pior acontecimento. Aqueles pênaltis em 77 (78 na verdade) doem até em quem não havia nascido na época, que é meu caso. E até mesmo em quem não é atleticano: o PVC, após a final da Copa de 2010, fez uma observação interessante: “Este jogo foi uma reprise da final de 77, com a diferença que teve um final feliz, justo”. Fazendo alusão à violência dos holandeses. Ironicamente, a Holanda é o único time/seleção que eu torço, além do Galo. Mas voltando à Libertadores, você está certa, tinha que ser nos pênaltis. E quis o destino que a trave fosse a mesma de 77.

    – Sem falar que também fomos prejudicados pelos árbitros em quase todos os jogos, desde as quartas-de-final. Só que desta vez nem o apito conseguiu nos derrubar.

    O Galo, nas últimas décadas era o time do quase. E agora, para ganhar, até o quase esteve do nosso lado. O Galo esteve muito próximo da eliminação em praticamente todos os jogos, mas passou. Vendo por um outro ângulo: a bola do Galo sempre insistiu em bater na trave, mas dessa vez ela também era Galo, e foi vingadora. Não podia ter outro destino que não fosse aquela trave.

  5. Vários foram os jogos adiados da Chapecoense. As justificativas eram as mesmas: neblina, avião que não pousou, neblina, equipe que se atrasou e perdeu o voo, neblina, avião que não pousou novamente e neblina … enfim, o que todos sabemos. Os motivos reais, é claro, eram outros, já que os times tinham a opção de completar a viagem de ônibus, assim como fez o Guaratinguetá, quando perdeu o Voo em SP.

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