Arquivo da categoria: Quando a Massa Fala

MINHA AVENTURA “HOLLYWOODIANA” NA FINAL

Texto escrito pelo atleticano Marco Aurélio GV.

quandoamassafala...

Chegou o dia mais esperado por todos torcedores do Galo: o dia da grande final da Copa Libertadores da América! A quarta-feira, 24 de julho de 2013 foi tensa para todo atleticano que se preza. Antes, na sexta-feira anterior, eu levei o Michel, meu filho, para passar a noite na fila a fim de comprar o ingresso para o jogo que seria no Mineirão. Esse estádio que eu tanto temia… Pelo visto, o sacrifício dele valeu a pena.

Agora começa o meu drama – com final feliz, claro – particular. A Regina teve a brilhante ideia (surgida depois da derrota fora de casa contra o dito Olimpia) de irmos ao cinema na hora do jogo. Dessa vez, queria ficar longe dos gritos alheios, do ambiente tenso que pairava na cidade e, enfim, estava mesmo fugindo do pau. Relembrando a música: “Eu não nasci pra sofrer!”. Meu pensamento egoístico era um só: “Se ganharmos, ótimo, mas se perder, eu não sofro tanto, como já sofri tantas vezes com esse time…”.

E assim fizemos. Deixei meu escaravelho em lugar nobre e, por volta de 8 e pouco da noite fomos fazer compras no BH Shopping. Quando lá chegamos, obviamente, tratamos logo de comprar ingressos para a sessão das 10 da noite – hora em que o jogo iria começar – e “partiu compras!”. Para piorar, o filme era do Super-Homem e dublado! Quer martírio maior? Mas, não tinha outro filme para o horário e tive de me contentar.

Antes da sessão de cinema, é evidente que desliguei o celular. Não queria saber de nada vindo de fora (do Marcelo, meu irmão, do Evandro, meu amigo ou de um dos dois filhos que sempre me enviavam mensagens por celular quando o Galo metia gol ou para lamuriar) e então tentei me concentrar no péssimo filme, se é que consegui. Fim do filme.

Pouco mais de meia-noite. Religo o celular na esperança de encontrar notícia boa. Nada. Nenhuma mísera mensagem seja positiva ou negativa! Meu pessimismo vem à tona: era sinal claro de que o Galo tinha perdido. Voltei-me para a Regina, ainda na saída da sala e praguejei redundantemente: “Sabia que aquela praga de time iria perder naquela praga de estádio! Sabia!”. O silêncio no meu telefone era sintomático. Cabisbaixo, fomos até os boxes de pagamento do estacionamento, em frente ao Carrefour e lá vi que um cara que ouvia seu rádio. Morrendo de medo, ousei perguntar-lhe: “Quanto ficou o jogo?”. Ele, então me respondeu: “Tá na prorrogação!” Não acreditei no que ouvia, era muito para meu coração abalado! Optei por ver um filme para fugir do jogo e ainda estava na prorrogação? Pelo menos, aquilo significava que o Galo tinha vencido o jogo pelo placar necessário, comentei com a patroa. Já era um alento. Pegamos o carro e direto para casa.

E essa volta para casa? Que via sacra! Que tormento, martírio, sufoco, expectativa, enfim, nem Hitchcock poderia pensar num roteiro assim! Como meu carro não tinha rádio, enquanto descia a BR, rumo ao Sion, onde moro, fiquei com a janela bem aberta, atento aos foguetes e sons de euforia. Subimos a rua Patagônia e vimos uns meninos gritando. Regina disse que eram cruzeirenses comemorando a derrota. Para minha própria surpresa, um desconhecido otimismo me fez rebater a suspeita dela e disse que eram atleticanos. Ficamos na dúvida e tocamos para frente. Nunca a rua Patagônia foi tão longa assim! O que estaria acontecendo durante aquele meio tempo? Chegamos na Praça Alaska e peguei a Bandeirantes, não sem antes entrar no posto, onde um bando de gente assistia às cobranças de penalidades! O silêncio ali era perturbador. Estamos perdendo, só pode… Confirmei com um cara se era pênalti mesmo e ele confirmou, com cara de desconfiado. Isto refreou meu tênue otimismo. Saí do posto. Fiquei mudo. Não podia acreditar que iríamos perder de novo um título nos pênaltes. E eu que queria evitar o sofrimento, não consegui. Desci a Bandeirantes, peguei a avenida Uruguai, onde moro. O silêncio na avenida continuava pesado, lúgubre até…

Já estava me conformando com o pior quando entrei na garagem do meu prédio. Ouvi um grito: “Chupa, Galo!”. Um safado de um Maria por certo comemorava nossa derrota. Para não fugir à regra, falei para a Regina: “Perdemos!”.Pegamos o elevador… Um grito vindo de fora! Outro grito! Outro! Chega rápido, sexto andar! Chega logo! Nem quis saber de segurar a porta para a esposa, como sempre faço, fui logo entrando em casa e ligando a TV.

Não é que Hollywood resolveu me usar de novo? Na horinha exata que eu liguei a TV, a bola beijava a forquilha do travessão de Victor! É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!!!! Surge na tela da TV o símbolo do meu time amado: “CLUBE ATLÉTICO MINEIRO – CAMPEÃO DA TAÇA LIBERTADORES 2013” .

Tinha que ser comigo! Tinha que ser! Nem se eu cronometrasse, mas os deuses quiseram que eu chegasse em casa EXATAMENTE na hora da bola bater na trave e o Victor correr para o abraço final!

O abraço que nos tirou o peso da derrota eterna, da humilhação constante e da chacota interminável! Passamos para a outra margem do rio! Cruzamos o mar sem morrer!

FINALMENTE, ADENTRAMOS O CLUBE DOS VITORIOSOS, de onde nunca mais vamos sair!

Invoquei o Márcio, meu irmão, a mamãe que sempre torceu como nós para o clube amado dela, meus tios atleticanos, o querido Fábio Fonseca e, enfim, saudei e agradeci aos Céus pela vitória mais hollywoodiana que um time do planeta já teve! Tinha que ser com o MEU TIME! Mas foi e agora respiro aliviado porque, como disse, 2013 foi o divisor de águas: o primeiro ano do resto de nossas atleticanas vidas!

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SONHAR MAIS UM SONHO (IM)POSSÍVEL

quandoamassafala...Texto escrito pelo atleticano Paulo Henrique Vilela.

Chegou o dia 18 de dezembro de 2013. Esse dia que por muitos e muitos anos existiu apenas, e tão somente, no imaginário de cada torcedor atleticano. Um dia sonhado por milhões de corações alvinegros que teimosamente resistiam a todo e qualquer infortúnio, a toda decepção e/ou derrota sofrida.

O que parecia utopia hoje é a mais pura e verdadeira realidade. Sim, o Galo venceu a Libertadores 2013, retomou o seu espaço de protagonista no futebol Sulamericano e vai retomando sua grandeza mundial adquirida na famosa excursão do “Gelo” de 1950, nos torneios de verão da França e Espanha e nas heroicas vitórias sobre seleções (França, Iugoslávia, Seleção Brasileira…).

Herdar essa paixão alvinegra do meu pai e transferi-la para meu filho foi pra mim questão de princípio, pois nada é mais sagrado e honroso do que ser atleticano. O Atlético é parte primordial da minha vida.

Cresci acompanhando meu pai nas arquibancadas do Mineirão e sempre que meu pai viajava a trabalho, me sentia muito mais próximo a ele quando assistia, ouvia ou vivia o Atlético. Nos momentos mais importantes da minha vida o Atlético sempre se fez presente. No meu casamento, que por sinal foi marcado para um dia 13, como presente surpresa de minha esposa, a Charanga do Galo animou o baile. Meu filho que hoje tem 2 anos e 8 meses nasceu no dia 25 de março, juro que por “coincidência”.

Talvez só o atleticano possa entender o orgulho que sinto ao ver meu time escalado para a Semifinal de um Mundial de Clubes. Saber que às 17:30 hs, do dia 18 dezembro de 2013, Victor, Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva, Lucas Cândido, Pierre, Josué, Ronaldinho Gaúcho, Diego Tardelli, Fernandinho e Jô estarão envergando a camisa alvinegra do Clube Atlético Mineiro é extremamente compensador. Valeu a pena cada momento dedicado a ti, Galo, cada lágrima derramada e cada comemoração adiada.

Ver a movimentação de atleticanos dos quatro cantos do mundo marchando rumo ao Marrocos é emocionante e confortador. Afinal não sou o único a viver essa loucura de sentimento chamado GALO. Não sei se teremos 15, 20 ou 25 mil torcedores em Marrakesh, fato é que vocês nos representam e serão nossas vozes em território Africano. Outros milhões espalhados pelo mundo estarão em pensamento e vibrações positivas alentando o melhor Galo de todos os tempos.

Muito obrigado a esse grupo de jogadores, a essa comissão técnica e a essa diretoria por devolverem o nosso Galo. São apenas 2 jogos que nos separam de nossa maior glória. Vocês já figuram na galeria dos maiores ídolos da história atleticana. Terão a chance de se tornarem imortais em nossas memórias. Lutem por cada bola, vibrem por cada jogada e se entreguem de corpo e alma em busca desse tão sonhado título. Nós acreditamos em vocês, torcemos por você e vivemos pelo Clube atlético Mineiro.

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COISA DOS MORTOS

Texto escrito por Luiz Sérgio Grossi.

quandoamassafala...

Depois de tudo o que enfrentamos até o combate final, era mais do que previsível que filmes antigos passassem diante de nossos olhos na última quarta-feira.

Deixei de acreditar em superstições e mandingas há algum tempo mas, ainda assim, confesso que durante essa Libertadores, algumas superstições voltaram a me atormentar (como acreditar que a camisa do Galo usada em todos os jogos da primeira fase tinha efeito no desempenho do time).

Felizmente, algumas derrotas dentro da própria competição me trouxeram de volta à realidade e me permitiram ter a honra de a camisa usada durante o último jogo ser escolhida, aleatoriamente, dentre as minhas muitas camisas alvinegras, pela minha filhota de 2 anos.

Enfim, quero dizer que o que aconteceu de quarta para quinta no mineirão, em minha humilde opinião, não foi coisa de Deus. Acredito, também há algum tempo, que Deus não deve se envolver nesse tipo de coisa. Caso contrário, estaria sempre fazendo uma escolha por frustrar grandes grupos de torcedores. E assim sendo, Deus seria um anti-atleticano ao longo de todos esses anos, o que é um pensamento ridículo.

Prefiro acreditar que Deus não se envolve nesse tipo de parada.

Para mim, o que aconteceu lá foi coisa dos mortos! Dos vários atleticanos que já se foram e que lá estiveram na quarta à noite.

Aquele lance capital que sempre nos eliminou ou nos tirou o título, aconteceu. Mas era tanta gente acreditando e evocando os mortos que eles foram lá e deram uma rasteira no Ferreyra, logo que ele driblou o Victor. Eu tinha chamado pelo Zezé (meu pai e responsável por todo esse amor que tenho pelo Glorioso e que nos deixou há 2 anos) dois minutos antes (Zezé, desce daí! Tá difícil e o time tá precisando de você!).

E ele veio! E certamente não veio sozinho pois conversei com alguns amigos ontem que me disseram ter também evocado os seus pais, já falecidos, em vários momentos da partida. Certamente o Ferreyra foi derrubado por mais de um atleticano invisível. Seria muita pretensão acreditar só no Zezé. Mas isso não foi obra de espírito atleticano fraco não! Depois dessa “rasteira coletiva do além”, eu e todos tivemos certeza de que era nosso, e o gol iria sair, como saiu! O resto é HISTÓRIA! Já foi escrita!

E nos aguardem, bibas de Munique! Estamos chegando! Chegou a hora da massa amarela de Dortmund retribuir nossa torcida!

A DESCOBERTA DO TESOURO ATLETICANO NA CONQUISTA DA LIBERTADORES

Texto escrito por Bruno Oliveira.

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O que o atleticano viveu na quarta-feira, com a conquista da Copa Libertadores da América, foi mágico. Algo que se sente poucas vezes na vida ou que muitos, mesmo ao conquistar a Libertadores, nunca terão a oportunidade de vivenciar. Uma singularidade que desarranja toda a normalidade e joga o nosso ser num abismo. Experiência tão sublime que nos abre para uma realidade mítica e nos desperta para aquilo que há fora de nós, um outro.

Se uma Madeleine produziu no narrador de Proust a doce lembrança de uma memória involuntária, algo que se apresenta sem ser chamado, mas, por isto mesmo, sempre presente, a taça da Libertadores da América, quando erguida pelo capitão Réver, evocou no atleticano uma experiência parecida. Se em Proust o que se reviveu foi a infância passada em Combray, na quarta-feira foi a rememoração e a celebração, não do título em si – importante, pois recolocou, de fato e de direito, o Atlético entre os grandes da América – mas de uma sombra que sempre acompanha o atleticano e, em razão desta qualidade, pouco notada. Não porque é desconhecida ou desvalorizada, mas, por ser muito cara ao atleticano, ela é preservada como um tesouro esquecido para que ninguém possa encontrar, ou melhor, um tesouro que só se revelaria quando a memória involuntária do atleticano fosse despertada.

Este tesouro estava tão bem guardado que ele é a chave para responder ao inquietante desconcerto do repórter do Impedimento, que veio cobrir a final da Copa Libertadores em BH, ao constatar que “jamais havia presenciado uma festa de título que se estendesse por todo o dia seguinte” http://impedimento.org/de-virote-mas-ainda-precisando-acordar/

O tesouro do atleticano, a sua sombra, não é outro senão a memória coletiva alvinegra. Sem cair em qualquer análise antropológica ou psicológica do homo atleticanus, porém, com um toque de metafísica, o que o acompanha é a lembrança de um rosto. Não qualquer rosto, mas um rosto singular, o rosto do pai, da mãe, avô, avó, tio, tia e amigos que foram fundamentais na construção do nosso amor pelo Atlético. Uma das singularidades deste rosto é o fato de já ter sido tocado pela morte, de estar onde já não há de lutar para estar.

O fanatismo e a paixão atleticana surgem deste rosto singular, um rosto que tem nome, é verdade, mas que é capaz de encontrar outros rostos e dar molde a uma memória coletiva, um todo. O rosto do pai do presidente Alexandre Kalil, quando este – após o fim do jogo, num momento catártico, característica da essência do ser atleticano – afirmou a repórteres ter sido o finado Elias Kalil que nos havia dado a Libertadores, é também o rosto da minha avó, torcedora fanática, que me presenteava, nos meus aniversários, com idas à capital para ver o Galo. Foram eles, os nossos mortos atleticanos, que nos deram não apenas o título da Libertadores, mas também romperam o silêncio para resgatar a nossa vida e nos lembrar: “estamos aqui e sempre estaremos ao lado de vocês, somos as sombras, nós acreditamos Atlético.”

A força do “Eu acredito”, mantra entoada pela Massa atleticana, que ainda ecoa no Mineirão, mesmo três dias após terminado o jogo, vem deles. Por isso, amigo repórter do Impedimento, a comemoração do despertar causado pelo título só começou, pois a celebração da nossa memória coletiva, o nosso tesouro, será para sempre.

Abraços, Bruno Oliveira.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE

Por José Gama Jr., advogado.

No momento em que o Campeonato Brasileiro de 2012 chega a sua reta final surgem personagens que não são atores principais do futebol e nem entram em campo, mas que querem roubar a cena e desfrutar de minutos de fama. É pena termos que tratar desses personagens quando poderíamos falar de gols, de lances geniais como os que Ronaldinho Gaúcho e outros jogadores de primeira linha vem brindando os torcedores.

Se o Brasil vive hoje um momento histórico dos mais importantes, pois é a primeira vez que o peso da Justiça se faz presente sobre altas autoridades, políticos e pessoas até então inatacáveis, no futebol o que se vê é que a Justiça Desportiva não acompanha esse momento histórico, com um movimento inverso, em uma atitude retrógrada e preocupante.

O STJD, por sua procuradoria, decidiu indiciar o Clube Atlético Mineiro pelo que considera como “incidentes “ ocorridos no Estádio Raimundo Sampaio (o nosso Independência) no jogo entre Galo e Fluminense. E quais seriam os tais “incidentes”?

A torcida do Galo ter protestado, em alto e bom som, contra a CBF e contra o baixo nível das arbitragens do campeonato. Algumas pessoas portaram narizes de palhaço e um mosaico com as cores do Fluminense e a sigla CBF de forma invertida foram feitos na hora do jogo.

Sem entrar no mérito se há motivos para protestar, e sem analisar um sem número de lances em que o Fluminense foi beneficiado pela arbitragem (vai ver que é uma enorme, uma monstruosa coincidência…) o fato é que a postura do STJD de tentar punir o Galo por esses fatos é autoritária e antidemocrática. Vai na contramão da história.

A Constituição Brasileira de 1988 é suficientemente clara ao garantir aos cidadãos direitos de livre associação e também direito de livre expressão. Essa regra, que é uma garantia constitucional e um princípio que deve nortear todo o restante do ordenamento jurídico brasileiro, é superior a qualquer outro dispositivo legal que possa ser invocado para sustentar a fúria do STJD, por sua Procuradoria, contra os protestos ocorridos no Independência.

A redemocratização do Brasil custou caro aos Cidadãos. Pessoas foram mortas, torturadas, muitas foram exiladas, enfim, muita luta foi exigida para que pudéssemos hoje protestar, nos associar, exercer o livre direito de expressão previsto na Constituição.

Desconsiderar esse sagrado e constitucionalmente assegurado direito de livre expressão, Senhor Procurador do STJD, é ofender a memória daqueles que lutaram para que hoje possam existir as instituições, para que hoje possa vigorar a democracia.

Se não podemos mais protestar enquanto torcedores, se nosso Galo será, mais uma vez, prejudicado por intenções duvidosas de um Tribunal que a cada dia perde em credibilidade perante a sociedade, então estamos de volta à ditadura, ao totalitarismo, à censura.

Independência ou morte!

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