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NÚMEROS DO MINEIRÃO SÃO ESTARRECEDORES!

Paulo Gustavo Blanc, analista de sistemas, se debruçou sobre os números (valores) do Mineirão e, neste texto, esclarece ao público as condições em que o Mineirão foi entregue à iniciativa privada, em detrimento de uma administração própria, gerenciada pela ADEMG.

Vamos ao que o Paulo Blanc tem a dizer:

Tenho acompanhado pela internet as questões da PPP do Mineirão e este assunto tem chamado muito minha atenção por causa do impacto financeiro que pode ter no Galo.

Fiz uma análise do anexo V do Edital, que fala sobre a remuneração da concessionária e as compartilho agora com o público.

A forma de cálculo da remuneração é bem complicada, envolve uma série de situações e indicadores, mas basicamente podemos dizer o seguinte:

Há duas remunerações que a Minas Arena tem direito:

1) São 120 parcelas que o governo do Estado repassará à Minas Arena para pagar o empréstimo de 400 e tantos milhões feito com o aval do governo do Estado. Estas parcelas são reajustadas anualmente pela TJLP + 2,3%.

2) Há também uma garantia de receita líquida de R$ 3,7 milhões por mês pelo tempo da concessão, ou seja, 25 anos, que serão corrigidas anualmente pela inflação. A exigência para garantir este mínimo é que a Minas Arena atenda requisitos mínimos de desempenho, como entregar a obra no prazo e manter o estádio em condições adequadas de uso, ou seja iluminação, higiene, sistema hidráulico, etc. Se a Minas Arena cumprir os requisitos de desempenho, a única hipótese de sua receita líquida ficar abaixo de R$ 3,7 milhões é se a operação do Mineirão der prejuízo. Neste caso, a Minas Arena continua recebendo os R$ 3,7 milhões do governo do Estado, mas obviamente tem que descontar o valor de prejuízo para chegar à sua receita líquida.

Considerando que é pouco provável o prejuízo da Minas Arena, já que os gastos de uso do estádio são cobrados diretamente da renda (gerada pelos clubes), vamos simplificar e entender que a sua garantia mínima é de R$ 3,7 milhões por mês.

Então, este valor é para remunerar o investimento que a Minas Arena fez na obra (estimado em uns R$ 200 e poucos milhões, mas ninguém sabe com certeza quanto disso foi realmente gasto na obra) e também para remunerar os serviços relevantes que a concessionária prestará ao povo do estado de Minas Gerais durante o período de concessão ao manter um dos mais modernos estádios do mundo em plenas condições de uso (favor perceber a ironia).

Em números, esta segunda remuneração representa 3,7 x 12 meses x 25 anos = R$ 1,110 bilhão de renda garantida. Se considerarmos que o investimento da Minas Arena foi de R$ 250 milhões, chegamos a uma taxa de juros mensal de 1,94% ao mês ou 19% ao ano. Pode até não parecer muito para alguns, mas quando lembramos que estamos vivendo uma situação no país de taxa de juros real abaixo de 2% ao ano, um rendimento mínimo garantido de 19%aa é fantástico.

Uma coisa que não ficou clara para mim é quanto foi a parcela de investimento da Minas Arena fora os R$ 400 milhões emprestados pelo BNDES. Pelo que entendi, ninguém sabe exatamente quanto foi, já que os R$ 200 e poucos milhões foram baseados em uma estimativa do governo de quanto custaria toda a obra menos o empréstimo do BNDES. E também não consegui achar em lugar nenhum informação se a Minas Arena fez algum empréstimo com BNDES ou com qualquer outro banco para bancar esta parte. Algum leitor tem alguma informação clara sobre isso?

Bom, os dados acima são de estarrecer. Eu não consigo entender como a Minas Arena foi o único consórcio que apresentou proposta para um negócio tão rentável.

PS: fiz minhas análises com base nos documentos no link http://www.compras.mg.gov.br/licitacoes-em-destaque/233-ppp-mineirao. Quem se interessar em checar as informações, é só acessá-lo.

Paulo Blanc

Nota do blogueiro: CPI DO MINEIRÃO JÁ!

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