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A SAGA DOS INFILTRADOS NO PARQUE DO SABIÁ.

Kaique (à esquerda) e William, infiltrados no Parque do Sabiá.

Eu (Kaique) e meu pai chegamos ao Estádio Parque do Sabiá para não deixarmos o nosso Galo sozinho.

Seguimos para os portões 11 e 12, arquibancadas especiais onde se encontram o maior número de cruzeirenses.

É uma situação inusitada para mim. Estar em meio a tantas camisas azuis não combina com o meu gene, nem com a minha personalidade e muito menos com paixão alvinegra que carrego no peito.

É algo frio e distante, muito diferente do calor acolhedor de milhares de camisas atleticanas ao meu redor. Por isso, estou nervoso e deslocado aqui. Olho para cima e vejo o William (sósia do Tardelli)  perto das cabines de rádio.  Ligo para ele e o aviso da nossa posição.

Imediatamente, ele desce até nós e sussurra: _ “Vou tirar vocês do meio desses cruzeirenses. Voltem para o portão de entrada”. Seguimos as instruções do amigo. Ajudados por uma mulher no portão, vamos agora para as cadeiras numeradas.

Estou me sentindo como um espião infiltrado em território inimigo. Tenho de cuidar de meu sotaque para não ser descoberto. Será que atleticano tem sotaque diferente de cruzeirense? Se tiver, tô ferrado!

Muitos azuis desconfiam que o William é o Tardelli. Alguns mais incomodados soltam alguns palavrões à sua passagem. Policiais oferecem proteção, caso algum insano _ e burro _ decida agredi-lo. Mas um boné e um par de óculos escuros resolvem o problema. De repente, William já não é mais o Tardelli.

O pai do Kaique, o locutor Caixa e Kaique.

Finalmente, a bola rola. Faço o sinal da cruz em busca de proteção divina. Sei que Deus é Pai de todos, dos cruzeirenses também, mas não custa nada tentar obter uma ajudinha. Vai que os azuis esqueceram de se benzer e eu, com a minha fé, passo o meu Galo à frente na preferência divina, uai!

E não é que deu certo? Logo aos sete minutos, no cruzamento de Leandro , Obina cabeceia e é GOOOOOOOOL do GALO!

Emoção, alegria e adrenalina no pico e sem poder extravasar. Comemoro por dentro, porém, sou incapaz de dissimular a cara de felicidade. Olho de soslaio as expressões frustradas ao meu lado e me pergunto se elas viram o meu largo sorriso.

À nossa frente, mais ou menos umas três fileiras, um infiltrado não agüenta e manda o disfarce pras cucuias.  Levanta-se, bate no peito e grita um GALOOO de todo tamanho. Cruzeirenses o xingam alucinadamente, mas ele é retirado com rapidez pela polícia.

E logo vem o segundo gol de Obina. A minha alegria gigantesca contrasta radicalmente com o silêncio que se segue no estádio. Sinto que vou explodir ou então meu coração saltará pela boca. É uma tortura chinesa perversamente criada nas masmorras medievais, não é possível!

E eis que o juiz resolve dar o serviço e marca um pênalti inexistente de Werley. Custo a crer que seremos roubados de novo. Mas Montillo inventa uma cavadinha e bate para fora!

É como um verdadeiro gol do GALO ver a tristeza nos rostos da torcida do Palestra. Sei agora que tornei-me um sádico.

Olho para o meu pai e ele me devolve um sorriso cúmplice. Meu pai está feliz demais! E lá vem o terceiro gol! Jesus! Como faço para aprisionar tanta alegria dentro de mim?

Estamos no segundo tempo. Escanteio a favor do Atlético, Rever sobe e cabeceia para dentro. É o quarto gol! Ver o meu GALO goleando o cruzeiro enche meus olhos de lágrimas. Já não consigo disfarçar a emoção. Fecho os olhos, respiro fundo e seguro firme na cadeira para não soltar o nosso grito de guerra!

Após os dois gols da reação cruzeirense, a torcida azul enlouquece. A enorme apreensão me deixa nervoso. Vai que esses caras empatam. Toda a felicidade minha e do meu pai pode escapar por entre os dedos.

Mas não. Hoje é o nosso dia. Agora temos Renan Ribeiro e dez guerreiros que honram o manto sagrado que vestem. Ufa! Acaba o jogo. E lá fora, em território livre, eu e meu pai nos abraçamos emocionados. Agora as lágrimas já podem vir a vontade.

Em toda a minha vida, nunca esquecerei este dia. Os infiltrados apaixonados venceram!

TEXTO ESCRITO POR MIM, BASEADO NA HISTÓRIA QUE O KAIQUE ME CONTOU POR EMAIL. ESPERO TER CAPTADO _ E TRANSMITIDO _ TODAS AS EMOÇÕES QUE OS INFILTRADOS SENTIRAM NO PARQUE DO SABIÁ.

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