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A NOITE QUE NÃO TERMINA.

Todos nós atleticanos estamos perplexos.

Sinceramente, creio que a coisa é bem mais complexa do que imaginamos. Tenho bem marcados em minha memória momentos iguais a este em que vivemos.

Foram vários, de uma tristeza profunda, de muito desencantamento. Já tive vontade de abandonar definitivamente essa paixão absurda pelo GALO. Mas está além das minhas forças.

O que ocorreu com o GALO nos últimos 40 anos? Venceu campeonatos de segunda linha: regionais e sulamericanos. Chegou a bater na porta de um título de expressão algumas vezes, mas as portas não se abriram.

Onde estará a origem dos nossos males? Por que o GALO não dá certo? O que falta fazer para que os astros se alinhem a nosso favor? Enfim, onde é que erramos?  Onde está a origem de nossa desventura?

Seriam a forma e a intensidade com que torcemos? Seria a nossa paixão, que sufoca o objeto desta paixão? Ou ansiedade para finalmente comemorarmos algo que tenha o valor daquilo que nos julgamos merecedores?

Seria soberba de nossa parte, por não nos contentarmos com um título regional, de vez em quando, e não nos sentirmos realizados por conseguir permanecer na série A?  Será que, na verdade, não passamos de um clube de segunda linha, e exigimos dele o que nunca poderá nos proporcionar?

NÓS SOMOS O CLUBE ATLÉTICO MINEIRO.
Isso nós já sabemos. Mas quem somos nós?

Neste momento, não tenho resposta a esta pergunta. Talvez devêssemos perguntar a alguém distante do Clube Atlético Mineiro. De preferência, alguém que não sinta desprezo nem muito apreço por nós e que esteja interessado apenas em nos ajudar nessa descoberta.

Precisamos saber o que somos, o que queremos e como faremos para atingir o objeto de nossos desejos. (“Querer é poder”, diz o adágio.)

Para mim, tudo começou numa fatídica tarde-noite de um domingo, há muitos anos atrás. Possuíamos uma equipe de futebol encantadora. Estávamos encantados e encantávamos. Éramos a melhor equipe do torneio nacional.

O título era nosso, por direito, pois ninguém nos vencera. Entramos em campo apenas para colocar a faixa de campeão. Tínhamos mais de dez pontos sobre o adversário. Mas não jogamos, não fomos “O” Galo. O gol não saiu. Empate sem gols. Pênaltis decidiriam nossa sorte. Para o adversário, isso já era vitória; jogou com fibra, raça e muita violência. Nosso melhor jogador não pôde participar do espetáculo, pois o “poder” não permitiu. A história teria sido outra com Reinaldo? Não sei. Trememos? Não sei. Confesso que estava lá, mas permaneço não sabendo. Sei apenas que perdemos, PARA NUNCA MAIS NOS ENCONTRARMOS. Isso foi em 1977.

Talvez todos nós ainda estejamos parados naquele domingo, sentados naquela arquibancada molhada, olhando para o gramado sem entender nada, por não acreditar no que aconteceu. Creio que todos nós, os milhões que somos, o CLUBE ATLÉTICO MINEIRO… ainda estejamos lá. A noite chegou e não fomos embora.

PERPLEXOS , presos por aquela noite que nunca termina, aguardamos o amanhecer de um novo dia que não chega!

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