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FUTEBOL, COISA DE RICO

Texto escrito por Marcelo Vargas, caricaturista que atende no twitter @CopoSujoDoGalo. Infelizmente, ele não vai ao clássico.

Colaboração de Tiago Gomes.

avatar-tristeLembra quando a gente ia ao Mineirão? A gente e mais aquele tanto de pé-rapado, sacolejando no balaio pela Antônio Carlos afora? A gente chegava e ficava concentrado do lado de fora, de chinelo, camisa pirata do time, comendo churrasquinho de gato, bebendo cerveja semi-gelada do isopor do ambulante, ouvindo música do som dos carros, falando alto e se acotovelando na multidão? É, o Mineirão já foi desse jeito!

Foi no início da década de 10, do século XXI, que tudo mudou. Fecharam o Mineirão, quebraram tudo lá dentro e reconstruiram, e desde então só quem estiver montado na bufunfa é que pode entrar. Nos dias de hoje, a gente só fica sabendo o que rola do lado de lá dos cercados através da televisão, das revistas e da internet. Só entram ricaços, artistas e convidados. Tipo um Castelo de Caras.

Por causa disso, todos os antigos hábitos tiveram que mudar. Agora que o Mineirão é lugar de rico, de bacana e de magnata, esse negócio de vender tropeiro seria um erro conceitual. Desse tempo em diante, o rango de estádio foi substituido pela Alta Gastronomia. Nada de bares, do tropeiro, do pão com pernil e cebola, cerveja e refri.

Agora o negócio é comida de patrão. Lagosta, escargô, cordeiro à moda dos Alpes, guardanapo de seda, tintos italianos para as senhoritas, whisky do mais puro escocês para os valetes. Agora tem lugar marcado, o mâitre o acompanha até a sua mesa. Volta e meia o garçon pode lhe pedir a atenção: “Seu time acaba de marcar um gol, senhor. Sugiro um Veuve Clicquot para acompanhar”, e o quarteto de violinos toca um trechinho do hino do clube.

Quem optar por assistir ao jogo de seu confortável assento revestido do mais macio couro de cabras albinas da Capadócia, naquele local onde em eras passadas já existiu uma arquibancada, pode contar com o serviço dos vendedores ambulantes.

Devidamente uniformizados com fraques e gravatas borboleta, com seu carregado sotaque britânico e munidos de suas bandejas de prata, eles lhe oferecem água Perrier meticulosamente gelada, um guardanapinho com suas iniciais bordadas para segurar a garrafinha, para o senhor não molhar os dedos, ou um petit gateau para degustar enquanto aprecia o match.

Depois da partida, todos são convidados para o baile que ocorre no lobby central, com direito a valsa, acepipes e canapés, onde os distintos senhores podem puxar o saco do governador, do senador ou dos acionistas majoritários das grandes corporações, e falar mal daquele diretorzinho que só tem três carros. E na hora de ir embora, o manobrista exige apenas a pequena gorjeta de cinquenta reais.

Mas isso tudo que lhe conto agora é só o que eu ouvi falar. Sou do tempo em que o Mineirão era de todo mundo e qualquer um podia frequentá-lo. Agora estão dizendo que o Mineirão evoluiu. E naquela época, me diziam que antigamente é que o futebol era elitizado. Acho que a ideia é justamente essa, um processo de volta às origens. Uma evolução pra trás! Já tiraram os não-ricos da roda. Agora falta chamar goleiro de goalkeeper e proibir a entrada de pretos (a não ser que seja pra trabalhar, claro).

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E MAIS UM CLÁSSICO VEM AÍ…

Contra o cruzeiro, o Galo deve entrar em campo com: Carini, Coelho, Werley, Jairo CAMpos e Leandro; Zé Luis (Jonilson), Correa, Ricardinho e Renan Oliveira (Obina); Tardelli e Muriqui.

Nesta semana de treinamentos, Zé Luis se lesionou na panturrilha e é dúvida para o jogo. Dependerá de exames nesta sexta-feira.

Tardelli sentiu o joelho, mas já foi liberado. Não foi nada grave.

Luxemburgo, muito provavelmente, mudará o esquema de jogo (que vinha sendo o 4-3-3)  para um desenho mais conservador (4-4-2), o que permitirá ao Atlético povoar o meio de campo, onde se concentra a grande arma de jogo do adversário.

O cruzeiro é forte porque tem um meio de campo forte. Se os jogadores do setor forem anulados, as chances de uma boa vitória aumentarão consideravelmente.

Se o Galo obtiver êxito eliminando no nascedouro as jogadas do rival, aquelas bolas enfiadas no kleber não se repetirão. Este por certo (e como sempre) reclamará muito, pois já tomou gosto por essas bolas enfiadas nele.

O meio de campo do cruzeiro é como a cabeleira de Sansão. Se a cortarmos, adeus força azulada.

O nosso técnico, considerado por muitos como o melhor do Brasil, certamente armará um plano de jogo que conduza o Galo a um bom resultado.

O nosso time tem mesmo de se preocupar com a ocupação de espaços, pois esse é um de nossos grandes problemas. Mas tenho a certeza de que, mesmo marcando muito, Luxemburgo não abrirá mão de atacar constantemente os azuis de estrelinhas graciosas.

Mesmo porque, não fará sentido entrar em campo só para se defender. E eu duvido que isso aconteça.

O resultado deste jogo virá das ações no meio de campo. Quem ganhá-lo, será o vencedor.

Entretanto, eu tenho um pressentimento: contra o cruzeiro, o Galo vai jogar tudo o que ainda não jogou este ano.

No elenco do Galo existem grandes jogadores. É um grupo qualificado, embora aqui e ali tenhamos a necessidade de melhora.

E jogadores assim gostam dos desafios que um grande clássico proporciona. É uma motivação fantástica, muito maior do que enfrentar Uberabas e Tupis da vida.

Em jogos desta importância é que os grandes deslancham e se impõem.

Este clássico será um divisor de águas para o nosso time. Nele veremos a quantas andamos. E em que nível estamos. E o meu pressentimento me informa,  num murmúrio ao pé do ouvido, que estaremos bem.

Além disso, temos um estrategista na beirada do campo. E é nele que depositamos grande parcela de nossas esperanças.

Pra cima deles, meu Galo. Chegou a hora da onça beber água!

LEMBRANDO AOS QUE ESTRANHARAM: NO L&N NÃO SE USAM LETRAS MAIÚSCULAS PARA CITAR NOMES AZUIS, MESMO QUE ISSO SE CONFIGURE NUM ASSASSINATO AO IDIOMA PORTUGUÊS.

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