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BARRA DE SÃO FRANCISCO, TERRA DO MEU TIO JOÃO

Barra de São Francisco, terra aonde vivi parte da minha infância. Terra onde, durante muito tempo, visitei todos os anos, mas nunca fui recebido como um visitante, mas sim como um irmão. Ou primo. Ou sobrinho. Sempre fui aceito como um legítimo nativo das terras vermelhas do norte do Espírito Santo.

E em Barra de São Francisco, nas margens do Rio Preto, eu vivi experiências que poucos mortais podem dizer que viveram. Como aquela em que meu tio João pulou no rio depois de uma tempestade e as águas estavam violentas. E eu pulei atrás pra ganhar pontos com ele. Só que o apelido dele era “Peixe” de tanto que nadava bem. E eu não era peixe nenhum. Sequer uma piabinha eu era. E ele teve que pular de volta para me resgatar, porque a coisa ficou feia pro meu lado.

Barra de São Francisco, terra do granito e das pedras preciosas. Terra dos meus amores. Terra de gente que eu amo mais do que eles imaginam.  E nem podem supor, pois sou um cara fechado e não consigo abrir meus sentimentos como outros fazem. E morro de inveja por isso.

O tio João (o peixe) não sabe, mas teve tempo em que ele foi mais do que pai para mim. Principalmente quando meu pai se separou da minha mãe. E meu pai, ao se separar da minha mãe, separou-se também dos filhos. Eu era o mais velho com apenas 15 anos de idade. E gostava muito do meu pai. E, mesmo assim, ele abriu mão de mim. Depois de tantos anos, ainda não consegui entender.  E meus irmãos, muito menos.

E o tio Joãozinho não deixou a peteca cair. Enviava cartas com desenhos do Roy Rogers, do Zorro (da bala de prata) e dos heróis do faroeste da época. Procurava divertir os sobrinhos. Vinha a Belo Horizonte constantemente só para dar apoio. E olha que, naquele tempo, não era mole atravessar mais de 500 quilômetros de estradas quase intransitáveis.  Mas ele dava jeito de vir. Um homem de fibra, exemplo que nunca fui capaz de seguir. Porque não é fácil ser um grande homem. Não é simples ser tão grande quanto é o meu tio.

Até hoje o tio João vive em Barra de São Francisco. Com mais de 70 anos, ele permanece forte como os justos merecem ser. Eu quero morrer antes dele, porque serei incapaz de suportar que ele vá na minha frente.

Barra de São Francisco e meu querido tio Joãozinho se confundem. Na verdade, são a mesma coisa. Terra e gente de caráter.

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