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VOLTARAM A TREMER DIANTE DO GALO.

Ok, o juiz não marcou um penalti escandaloso em Ronaldinho Gaucho _ que certamente a favor do Fluminense marcaria _  irritou os jogadores do Galo com faltas invertidas ou inexistentes, fez vista grossa para infrações perto da área e assinalou as do meio de campo. Além disso, atrasou a dinâmica de jogo ao pará-lo por quaisquer motivos, todos eles insignificantes.

Ok, esse juiz sabe, como poucos, enrolar uma partida e prejudicar um time de forma sutil e dissimulada. No Brasil, ele é o melhor especialista nesse tipo nefasto de “arbitragem”.

Entretanto, embora eu reconheça que o Galo foi prejudicado, não foi por isso que deu adeus ao título. O que nos custou a perda de dois pontos preciosos foi que ontem a coisa não engrenou. Simples assim. Desde o início, a equipe se mostrou afobada e sem raciocinar em campo. FALTOU CALMA!

Tínhamos 90 minutos para resolver a partida e, no entanto, desperdiçamos tramas de ataque ou de distribuição de jogo devido a um inexplicável nervosismo que tomou conta dos jogadores. Até Ronaldinho Gaucho estava pilhado.

Na minha visão, ou os atletas levaram para dentro de campo os 9 pontos de diferença que o Fluminense impôs ao derrotar o Coritiba ou os imbróglios decorrentes da saída tumultuada de Ronaldinho Gaúcho do Lixão Putrefato  da Gávea criaram excessivamente um sentimento de revide. Inoportuno, aliás, pois cabeça fria seria a melhor das armas em uma partida tensa.

O fato é que ambas as situações pressionaram negativamente. E o Flamengo se aproveitou disso. Parecendo temeroso de sair daqui com uma goleada no lombo _ e talvez por isso mesmo _ ensebou o jogo, teatralizou, enrolou o mais que pôde sob as vistas complacentes de Sandro Meira Ricchi.

E o Galo não soube superar a manha carioca, acostumada a contar com as benesses de arbitragem e CBF desde a era do homo sapiens, há 150 mil anos.

O título de 2012 está mais distante agora, esta que é a verdade. Mas a Libertadores está a um passo. Com 3 pontos a mais, ela estará matematicamente assegurada. E ainda faltam 15 pontos a serem disputados.

Se em 2013 Kalil mantiver a base deste timaço e reforçá-lo pontualmente com grandes jogadores (e grandes jogadores não são necessariamente grandes nomes!), o Clube Atlético Mineiro continuará orgulhando a sua fidelíssima torcida, como o fez este ano.

Se tem algum atleticano que ainda acredita no título, ótimo. Tomara que os deuses do futebol ouçam-no e armem uma brincadeira sádica para cima do Fluminense.

Eu não acredito mais. A diferença de 8 pontos é grande demais para ser tirada em 5 rodadas. Todavia, estou muito orgulhoso da campanha do Galo. Voltamos à prateleira de cima atuando bem e vencendo dentro de campo, sem ajuda de ninguém. E os adversários, ao nos enfrentar, voltaram a borrar as calças do mesmo jeito que borravam antes.

No campeonato mais sujo da história do futebol brasileiro, o GALO mais bravo e mais esporrento do mundo lutou até o fim. Fibra e honradez nos nortearam, ao contrário de um certo tricolor.

E NINGUÉM VAI NOS SEGURAR EM 2013, TENHAM A CERTEZA.

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O FANTASMA A SER EXORCIZADO

O Atlético é hoje um dos grandes favoritos ao título brasileiro.

Alguém duvida? Podem dizer que está muito cedo pra afirmar, podem arrumar desculpa, mas a campanha até agora, de 10 vitórias em 12 jogos, o credencia como um dos times que vão brigar na parte de cima da tabela em 2012.

A euforia faz parte, o torcedor tem mesmo que acreditar, que vislumbrar a possibilidade de título. Mas a carência atleticana tende a antecipar as coisas. O Galo ainda não é campeão. E ninguém sabe se de fato será ao final do campeonato, por mais que o otimismo tome conta dos corações alvinegros.

Mas ainda existe uma desconfiança presente no íntimo do mais otimista dos torcedores. Pode ser que ele não admita nem pra si, que apele pros anjos ou pra qualquer entidade de sua crença, mas ela está lá. E ela acompanha qualquer atleticano desde o fatídico dia 5 de março de 1978, tendo ele presenciado ou não este fato.

Em 1977, um time INVICTO e com muito a frente do 2°colocado. Total favorito ao título perde a decisão nos pênaltis, diante de um Mineirão lotado. E com direito ao São Paulo, perdendo cobrança atrás de cobrança. Mas o Galo repetia e aumentava a dose. Resultado… a perda de um título dado como certo. Uma certeza que escorria pelos dedos. Um sofrimento inimaginável, até pra mim que viria a nascer 8 anos depois.

O Fantasma nasceu dessa derrota. E em vez de ser exorcizado e morto, despachado pros confins do inferno, ganhou força com os acontecimentos a seguir.

1980, uma verdadeira máquina de jogar futebol. Luizinho, Éder, Cerezo, Reinaldo… Maracanã lotado e briga de igual pra igual com o Flamengo de Zico. A derrota presente.

1981, a Libertadores que mais uma vez aquela máquina de jogar bola atropelava adversário por adversário e foi parada pelo Flam… ou melhor, por José Roberto Wright. Mas parou. Não ganhou. E é mais um peso no subconsciente de derrotas alvinegro.

1985, o Atlético chega numa semifinal de Brasileiro com Bangu, Coritiba e Brasil de Pelotas. Após uma campanha avassaladora, irretocável nas fases anteriores. E o time consegue ser eliminado pelo Coxa tomando apenas 1 gol nas duas partidas.

O Fantasma Derrotista já estava criado. E forte. Apesar do otimismo sempre latente do atleticano, do espírito do “Agora Vai”, do “Esse ano é nosso” ou até mesmo do “ano que vem não escapa”…

Comecei a sentir a presença desta “entidade” na década de 90.

Em 1995, uma vitória acachapante sobre o Rosario Central no Mineirão. 4 x 0 e garantia de título CERTO. Quem iria reverter uma vantagem de 5 gols??? O bicampeonato da Conmebol já era do Atlético, só gravar o nome na taça. E aquilo aconteceu…

1999, após uma campanha regular no Campeonato Brasileiro, o time consegue a classificação na última rodada. Enfrenta um Cruzeiro super-favorito e atropela em apenas 2 jogos (enquanto todos os outros adversários precisaram de 3). Chega à final embalado, ganha do Corinthians (um dos melhores times que já vi jogar na vida) no 1º jogo, perde o segundo e no terceiro, por causa de 1 GOL… 1 GOL deixa escapar o título.

2001, timaço! Melhor meio campo do Brasil eleito pela Revista Placar (Gilberto Silva, Djair, Valdo e Ramon), atropelou o Grêmio nas quartas e cai diante de um São Caetano, debaixo d’água no interior paulista.

2009, campanha também irretocável, com um iluminado Diego Tardelli prestes a virar o maior ídolo da história do clube caso o planejado se concretizasse. O freio de mão é puxado na reta final do campeonato e o time fica fora até de uma das vagas na Libertadores, chegando à rodada final não brigando mais por nada.

E pra fortalecer ainda mais o Fantasma, vieram os anos subseqüentes, as agonias contra o rebaixamento e o 04 de dezembro de 2011…

A história mostra que quando se trata de Atlético, a cautela nunca é demais. Essas derrotas ainda assombram o subconsciente do Galo. Ainda estão presentes, soprando no ouvido do mais fiel atleticano, ao menor sinal de vacilo, que ainda não é dessa vez, que tudo vai se repetir.

E é esse Fantasma que precisa ser exorcizado!

Não sei se com a confiança exagerada e o apoio total e irrestrito como vem sendo demonstrado, mas é uma alternativa mais do que válida. O atleticano esse ano tem todos os motivos pra acreditar. E ele tem razão de acreditar. Tem um time forte, joga o melhor futebol do país, tem elenco com peças de reposição… o Atlético se preparou como nunca pra ser campeão!

Mas vai ter que saber perder. Vai ter que saber lidar com as derrotas, que acredite ou não, ELAS VIRÃO. Elas são normais, ainda mais num campeonato como este. O Cruzeiro de 2003 perdeu 2 partidas seguidas, sendo uma delas pro Juventude-RS em pleno Mineirão. Mas soube se recuperar bem. Todos os campeões perderam, mas souberam se recuperar. Pela história, pela pressão e pelo maldito subconsciente derrotista, o Atlético saberá? O Fantasma está calado, mas sabe que a hora de atacar virá. Assim que surgir a derrota, a má atuação, o resultado inesperado…

E é nessa hora que o Galo terá de provar que o passado ficou realmente pra trás. Que nada daquilo mais contará. Pelo menos por um momento, que se esqueça a história. O que conta é o futuro. O Fantasma está pronto pra ser morto e o ano é este. Daí pra frente, sem o peso das derrotas passadas e com a “entidade” despachada, o Galo poderá voltar a ser gigante, mas dessa vez acordado.

E pronto pra qualquer briga!

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ATLÉTICO 2 X 1 CORITIBA – 2ª DIVISÃO É A PQP!

O Coritiba nunca foi, historicamente, um dos adversários mais difíceis do Atlético e ontem não foi diferente. Eu esperava mais do time de Marcelo Oliveira, uma vez que ele vinha de resultados espetaculares fora de casa e a vitória o lançaria no meio dos que brigam por Libertadores. Portanto, era uma decisão para eles também.

Considerando sua tradição modesta, a equipe sulista faz uma campanha para lá de ótima.

Só que topou com um Galo empolgado e disposto a mandar a segunda divisão pra puta que pariu!

Não foi o Coritiba que jogou mal. Foi o Atlético que fechou todas as portas para o ataque mais positivo do campeonato brasileiro.

Cuca congestionou o meio, Pierre Cão Raivoso (outra fantástica atuação) teve a companhia mais constante de Felippe Soutto nos combates e até os atacantes voltavam para trás da linha da bola.

E, na retomada, a velocidade e o gás inesgotável de Bernard tratavam de configurar contra-ataques mortais e estabelecer quem é o lobo alfa na Arena do Jacaré.

O Coritiba tentou jogar e só conseguiu depois do gol de Berola, que permanece entortando os zagueiros. É o único jogador imprevisível do elenco e por isso mesmo, fundamental para destruir as defesas.

O time atleticano tem um grave defeito: quando assinala um gol, fica nervoso em campo e se retrai, mesmo que contrarie as ordens do treinador. E se retraindo, chama o oponente para o seu campo.

Exatamente quando o Coritiba mais pressionava, Leonardo Silva arrancou e chutou torto. Mas a sorte, matreira e dengosa, desta vez mudou de lado. A bola resvalou no zagueiro, enganou o goleiro e foi morrer no fundo das redes alviverdes.

Era o que faltava para o Galo retomar o controle da partida. Mesmo depois do gol sofrido no final, o time se mostrou maduro o suficiente para manter o placar, a distância do Z-4 e praticamente selar a sua permanência na série A.

A equipe, como um todo, se apresentou muito bem. Mas determinante mesmo para a vitória foi a garra, o sangue nos olhos dos jogadores e a plena consciência de que era a partida das suas vidas. Isso fez toda a diferença para dois times com objetivos distintos, mas igualmente importantes.

Quando se vê o Atlético jogando desta forma, é inevitável se perguntar porque, diabos, não atuou assim desde o início do campeonato.

Esperamos agora que a diretoria modorrenta, preguiçosa e incompetente se movimente para, sem barcas de saídas e de chegadas, reforce o time pontualmente para lutar por títulos e não ficar eternamente fugindo de rebaixamentos.

Não quero nunca mais comemorar fuga de segunda divisão! Isso é coisa para time pequeno!

Está me ouvindo, senhor Alexandre Kalil?

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UM GANDULA DAS ARÁBIAS.

Crônica escrita por mim após o jogo Atlético X Coritiba, em 2009, e publicada no Terreirão do Galo, na Globo.com.

Quando fiz 15 anos, meu pai inscreveu-me no quadro de gandulas do Mineirão para aumentar a renda lá de casa. Alegre com a perspectiva de ver os jogadores do Galo de pertinho, eu recebi as instruções do pessoal da Ademg:

O gandula não pode influir no desempenho da partida. Não pode torcer de jeito nenhum. Tem de ficar quietinho em seu canto, que é definido antecipadamente pelo coordenador. Não pode atrasar a reposição de bola e tem de ficar calado, porque em boca fechada não entra mosquito.

Semanas depois, fui chamado para trabalhar no jogo do Galo contra o Coritiba e meu pai entregou-me ao coordenador. Troquei de roupa e me enfiei no uniforme mais bonito que eu já tinha visto depois da camisa preta e branca do Atlético.

Chegou a hora. Eu tremia que nem vara verde, meus joelhos pareciam uma geléia, mas firmei o corpo e junto com os outros gandulas, entrei correndo em campo. A massa estava bem à minha frente e eu fui incapaz de deixar de admirá-la. Fiquei plantado no meio de campo, só olhando e babando. Não tinha tanta gente como em outros jogos, mas o pouco que tinha fazia um barulho danado.

Quando o time pisou o gramado, o canto de Galooo ecoou tão forte que até no Nepal devem ter escutado.Tardelli passou bem pertinho de mim. Puxa vida, eu estava feliz demais! Jogadores batendo bola e eu ali me segurando pra não entrar na brincadeira. O coordenador me olhou furioso e com um aceno de cabeça obrigou-me a ir para o meu lugar. Eu fui, mas fui muito puto da vida.

O jogo começou e no primeiro ataque o Coritiba quase marcou. Quase tive um troço. Tanto que logo depois, ainda não refeito do susto, vi o Tardelli pegar uma bola fora do campo que era minha obrigação ter pegado.

Mas aí o Galo foi lá e meteu dois gols aos 14 e aos 15 minutos. Não me contive e soltei um Gaalooo de todo o tamanho. A encarada do quarto árbitro me obrigou a fingir de morto. Um morto totalmente imparcial, diga-se de passagem. Assoviei uma musiquinha para melhorar o disfarce.

Uma goleada se desenhava? Ledo engano, pois aos 20 minutos, veio o gol do Coritiba. Meu Deus do céu, será possível que a gente não tem nem o direito de ganhar um jogo em paz, sem ser incomodado?

Comecei a atrasar a reposição de bola para o Coritiba. Mas não exagerei, pois senti que o quarto árbitro não tirava olho de mim, o desgraçado. Mas isso não me impediu de xingar o Marcelinho Paraíba de “loira burra”, quando ele correu e puxou a bola da minha mão.

O Atlético concedia espaços e o Coritiba aproveitava. Todavia, o tempo foi passando e o primeiro tempo acabou. Ufa!

Na segunda etapa, o Galo tomou conta do jogo. O Serginho jogava o fino da bola. Num momento em que devolvia a bola pra ele, aproveitei pra dizer, assim meio entre dentes: _ Cai pra direita, Serginho, o lateral-esquerdo deles é uma baba! Ele sorriu e disse: _ Volta pro seu lugar, garoto.

Nisso, o tal lateral já reclamava com o juiz: _ Olha o gandula aqui, professor! Imediatamente, eu já era novamente um morto imparcial, olhando para o céu, inocente de dar dó.

Foi um massacre sem gols. A bola não entrava de jeito nenhum. O Edson Bastos fazia milagres, até que num contra-ataque, o Leozinho avançou pela esquerda e detonou o Aranha. Silêncio no Mineirão. 2 a 2 no placar!

A partir daí, fui tomado de uma pressa danada. Bola que caia na minha área era devolvida na bucha. Teve uma hora que nem bem a bola saiu e eu já a entregava pro lateral-esquerdo curitibano. Ele deu um sorrisinho vingativo, como quem diz: _ Agora está com pressa, não é? Na minha mente, eu amaldiçoei até o último de seus descendentes!

Eis que Renan Oliveira marca o terceiro gol no finalzinho do jogo. Do mesmo jeito que a massa explodiu de alegria lá em cima, eu explodi cá embaixo. Saí gritando e pulando que nem cabrito e só não entrei em campo para abraçar o Renan porque aí também já seria demais. Eu fiquei feliz demais, minha Nossa Senhora!

Agora devo informar aos amigos que estou suspenso pelos próximos 30 dias. Acho que não gostaram do meu primeiro dia de trabalho. Disseram _ embora eu não concorde _ que eu infringi todas as regras e que sou o gandula mais indisciplinado que o Mineirão já viu.

Mas eu digo que antes de ser gandula, eu sou atleticano até na alma. Vou tentar me controlar só pra segurar o emprego… mas, não garanto nada!

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