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O QUE PENSA DUDU CEARENSE.

O que se passou na cabeça de Dudu Cearense quando, em uma jogada isolada no treino, disparou a aplicar pontapés em Leandro Donizeti?

Sim, não foi uma entrada dura na bola ou na canela que pudesse ser chamado de combate desleal, mas que, no fundo, tivesse o benefício da dúvida. Nada disso.

Foi uma sequência de pontapés desferidos acima da linha do joelho, quando a bola não era mais alvo de disputa.

Golpes que seriam muito bem vindos no UFC de Dana White, não em treinos de times profissionais.

Repito: qual pensamento maquiavélico se apossou de Dudu Cearense naquele momento?

“Opa, agora eu pego esse cara que me tomou a posição!” Epa, aí você erra a suposição, Cearense, pois Leandro Donizeti tomou a vaga que era de Fillipe Soutto, não sua.

“Vou ensinar a esse jogador não disputar a bola com tanta gana. Afinal, isso aqui é só um treino!” Pois fique você sabendo, Dudu Cearense, que se tivéssemos 11 como ele, que treinam como jogam, não estaríamos há 2 anos lutando para não cair.

“Porra, que cotovelada foi essa? Vou pro revide!” Se você analisar o lance friamente, Leandro Donizeti protegeu a bola de forma firme, exatamente como ele faz nos jogos. Mas não houve nem sombra de cotovelada.

Na minha opinião, Dudu Cearense está desgastado na reserva e sem chances, a curto prazo, de assumir a posição. E se julga com capacidade para ser titular, pois, afinal, é um atleta de nome, já esteve até na seleção brasileira, já jogou na Europa… etc e tal.

Porém, nas vezes em que entrou, não rendeu nem 10% daquele futebol de explosão, vigoroso e objetivo que possuía antes. Não passou nem perto.

De duas, uma: ou quer impor uma escalação goela abaixo ou pretende forçar uma saída do clube.

Se for a 1ª opção, sem chance.

Se for a 2ª, talvez seja a exata interpretação do que pensa 90% da torcida, que sabe mais do histórico de Dudu Cearense como assíduo chinelinho do DM do que como um produtivo jogador de futebol.

Talvez seja a hora de defenestrar mais um repatriado que só comeu e bebeu no SPA.

Mas, por favor, sem perder dinheiro. Que joguem duro e não repitam o caso Diego Souza. Chega de queimar milhões de euros a toda hora!

Colabore com a sua opinião, caro leitor do L&N.

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Vejam as imagens e tirem suas próprias conclusões:

ENTREVISTANDO LEONARDO BERTOZZI, DA ESPN BRASIL

O L&N volta a entrevistar um dos grandes. Na opinião deste blogueiro, Leonardo Bertozzi, comentarista esportivo da ESPN Brasil, é um dos que possuem maior capacidade de leitura do jogo e suas nuances táticas. Ao analisar a mesma partida que assistimos, Bertozzi  sempre acrescenta (ou informa) algo que não captamos. No meu entender, é uma de suas maiores virtudes.

Ele arrumou um tempo e  gentilmente se prontificou a conversar com a nação atleticana.

Vamos à entrevista:

Lances & Nuances –  Bertozzi, sabemos que a sua origem vem das alterosas, e como todo bom mineiro, vai sobressaindo gradualmente em uma das redes esportivas de maior sucesso no mundo, a ESPN. Hoje, você é parte integrante da grade em programas importantes. Conte para os atleticanos um pouco de sua trajetória profissional e de como você saiu das nossas Minas Gerais para enfrentar o “mundo lá fora”.

Leonardo Bertozzi – Comecei minha carreira ainda durante a faculdade. Trabalhei para o site FutBrasil, inicialmente como repórter, e depois como editor. Simultaneamente, fazia o trabalho voluntário com a NetGalo, que tocava o site oficial do Atlético. Participei de algumas iniciativas pioneiras, como a narração online de jogos do Galo direto do estádio, algo que fizemos em toda a campanha do Brasileiro de 1999. Depois de formado, mudei-me para São Paulo, e após algumas experiências fora da área, iniciei o site FutebolEuropeu.com.br, em 2004, que me deu projeção para trabalhar em veículos importantes. Fui repórter da revista Trivela e editor do site, comentei jogos no BandSports e no FX. Desde 2009 faço parte da equipe dos canais ESPN de rádio, televisão e internet.

L&N – Você é um comentarista que costuma ler a partida de futebol de uma forma bastante realista. Você já atuou dentro das quatro linhas seriamente ou entende que isso não é básico para se construir um bom analista de TV ou rádio?

LB – Um bom comentarista político não precisa ter sido político, assim como um bom crítico de cinema não precisa ser cineasta. Evidentemente a experiência no campo agrega algo, mas não é o essencial. O necessário é estudar, ter conhecimento e se manter sempre atualizado. Um pecado de muitos ex-jogadores que passam a atuar como comentaristas é acreditar que a experiência pura e simples basta.

L&N – Nestes três anos de Alexandre Kalil no Galo, a torcida se frustrou de maneira absurda. O que era para ser a retomada das grandes campanhas de Elias Kalil (pai de Alexandre Kalil) ou mesmo de outras épocas, se transformou em choro e ranger de dentes, flertando com rebaixamentos e tomando goleadas vergonhosas. Na sua visão, quais foram os pecados principais que empurraram o Atlético para este festival de fracassos?

LB – O Atlético tem pecado pelo imediatismo na gestão do futebol. O primeiro ano da gestão Kalil foi positivo, com o time brigando pelo título brasileiro. Daí em diante, e a partir da contratação do Luxemburgo, a coisa foi de mal a pior. O principal equívoco é a contratação de jogadores por atacado, 20, 30 novos por ano. É impossível notar qualquer planejamento quando o time de junho não tem nada a ver com o de janeiro. Se o Atlético não adotar uma linha clara de raciocínio na montagem do elenco, fica difícil esperar alguma coisa.

O Atlético tem se estruturado bem fora das quatro linhas, mas há alguns fatores questionáveis, como abrir mão de um departamento de marketing. Se o marketing dá prejuízo, como alega o Kalil, é porque não é bem feito. O atleticano é apaixonado e pode contribuir muito como consumidor.

Ainda sobre o Alexandre, é necessário separar o torcedor apaixonado do administrador. Apesar de o torcedor se identificar quando ele “solta os cachorros” após um revés ou tira um sarro do rival após uma vitória, nem sempre estes comportamentos são bem recebidos dentro do ambiente.

L&N – A torcida do Atlético sempre foi fidelíssima e extremamente vibrante. Carregar o time nas costas faz parte da nossa história por anos a fio, inclusive em 2011. Mas, devido ao grande crescimento das redes sociais _ e, por consequência, maior comunicação entre os atleticanos _ percebe-se uma reação (crítica) importante de parte da torcida em relação aos anos seguidos de decepções, o que possibilita desembocar numa atitude mais fria (ou equidistante) em relação ao time. Quais as medidas que, na sua opinião, deveriam ser tomadas para restabelecer a sinergia de antigamente?

LB – Um período de vacas magras pode aproximar ainda mais o torcedor do time ou provocar nele uma certa indiferença. A primeira parte foi vista na época do rebaixamento. Talvez seja o momento da segunda parte. Mas acredito que a falta do Mineirão também seja um fator a não ser ignorado. Apesar do fenômeno das redes sociais, é mesmo no estádio onde essa proximidade se verifica.

L&N – Em 2011, contratamos, pelo menos no papel, um timaço. Dudu Cearense, Richarlyson, Mancini, Leonardo Silva, Magno Alves, Guilherme Santos, André, Guilherme… entre outros. No comando, Dorival Júnior. Mesmo assim, foi um filme de horror sem pipoca, com um final digno de enviar a platéia pro hospital com palpitações graves. Como você explica tal disparate em relação ao que poderia ser e ao que aconteceu de fato?

LB – O problema é justamente esse – separar o papel da realidade. Mancini, Guilherme, André, entre outros, eram jogadores encostados em seus clubes. Alguma razão havia. Quando você faz um investimento alto, tem de saber se é apenas no nome ou se a possibilidade de retorno existe de fato. Houve um tempo em que o jogador voltava mal do exterior e conseguia se refazer aqui. Hoje é cada vez mais difícil. Contratar muito nem sempre significa contratar bem.

L&N – Você acredita que no jogo contra o cruzeiro (os 6 a 1), os jogadores do Galo se envolveram em algo desonesto para salvar o rival?

LB – Apesar de não colocar a mão no fogo por nada no universo do futebol, seria leviano da minha parte fazer qualquer insinuação neste sentido. Entendo o desespero do torcedor, que podia viver seu momento de maior alegria em muito tempo, mas o jogador não pensa da mesma maneira. Deveria, mas não pensa. Na cabeça de muitos ali, a missão estava cumprida uma semana antes. Quando você entra em um jogo como este sem grandes motivações, contra um adversário que faz o jogo da vida, é possível que uma tragédia do tipo aconteça.

L&N – Kalil reeleito por mais 3 anos. Em seu primeiro mandato, o presidente alvinegro se notabilizou por atitudes arrogantes, declarações estapafúrdias, excelente trabalho (até onde podemos ver) na administração financeira do clube e uma péssima gestão do futebol. Para que tudo isso fique no passado, o que você acha que Kalil deve fazer para produzir um segundo mandato capaz de resgatar o prestígio do Clube Atlético Mineiro em termos nacionais?

LB – A hora é de arregaçar as mangas, trabalhar sério e acreditar em uma linha de planejamento. Manter técnico, elenco, apostar nos bons jovens e contratar apenas jogadores que cheguem para resolver. Com a volta do time a BH, um programa eficiente de sócio-torcedor também será bem-vindo.

L&N – Você é a favor da repatriação de Diego Tardelli?

LB – Depende das condições. Se for necessário um imenso sacrifício financeiro, não vale a pena, apesar de o jogador ser um ídolo e ser um destes que chegam para resolver. Em condições aceitáveis, vale a pena.

L&N – Caro Leonardo Bertozzi, para encerrar a entrevista, qual a sua mensagem para a nação atleticana, que admira muito o seu trabalho?

LB – Agradeço a todos que acompanham meu trabalho. Sei que muitos esperam que eu seja uma espécie de “embaixador” do Atlético na imprensa nacional. Não é exatamente o caso, mas sei que falo com propriedade do Galo quando me cabe. E foi uma satisfação grande poder cobrir vários jogos do Atlético pela TV e pela rádio desde a mudança para São Paulo. Espero que essas ocasiões se multipliquem e que novos encontros com a Massa aconteçam. Abraço a todos!

A sua presença honrou o L&N e a nação atleticana, Bertozzi. Muito obrigado.

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ATLÉTICO 0 X 1 SÃO PAULO.

O jogo teve uma característica que saltou aos olhos: o São Paulo povoou meio de campo e defesa e esperou o Atlético em seu campo. E utilizou os contra-golpes rápidos para levar perigo à meta de Renan Ribeiro.

Isso funcionou no primeiro tempo, quando o Atlético, mesmo com maior volume de jogo, foi inferior ao São Paulo em organização tática.

Toró, mal posicionado em campo, foi anulado por ele mesmo. Giovanni não conseguiu se livrar da forte marcação paulista e junto com Mancini, perdia bolas que ofereciam os contra-ataques ao São Paulo.

Justamente o que o tricolor havia se proposto: jogar no erro do Galo.

Nessa etapa da partida, o meio de campo exerceu marcação frouxa. Soutto e Richarlyson não acertavam o passo e nem alternâncias.  Leandro, na lateral, muito menos. Até agora não entendo porque Guilherme Santos, infinitamente superior, não joga.

Patric foi muito bem, essa é que é a verdade, apesar de a maioria não gostar dele. Na jogada do penalti (claro, por sinal), não deveria ter se jogado. Se persistisse, seria gol certo.

Mas, no conjunto, o Atlético não estava mal, embora tenha começado a correr somente após o gol adversário, aos 22 minutos. Esboçou uma reação, mas não conseguiu guardar a criança na casinha.

Com Dudu Cearense estreando no lugar de Soutto (lesionado), Berola no de Mancini e Serginho no de Toró, o Galo voltou para o segundo tempo disposto a mudar a história do jogo.

E aí, sim, encaixou a marcação e dominou com autoridade, empurrando a equipe tricolor para o seu próprio campo. Muito mais organizado nas quatro linhas, o Atlético sufocou do princípio ao fim.

Mas falta ao Galo um repertório de jogadas rasteiras de ataque e isso  limita enormemente o seu poderio ofensivo.

Não se pode depender só de jogadas aéreas. E parece que o time ficou meio que viciado nestes lances por causa do sucesso alcançado nas duas primeiras partidas.

Embora importantes, são apenas um complemento e não a essência.

A essência de ataque são tramas, trocas de passes, ultrapassagens, bolas enfiadas, cruzamentos à meia altura ou rasteiros, etc, etc. Tudo aquilo que desnorteia os zagueiros. E isso o Galo não apresentou ontem, mesmo com o monumental domínio do jogo.

Leonardo Silva jogou de zagueiro e centroavante. Aliás, mais de centroavante do que de zagueiro. Eu gostei dessa ousadia do Dorival, pois pode se converter em mais uma alternativa tática.

Pois um time que quer ser campeão tem de possuir, obrigatoriamente, um extenso rol de possibilidades treinadas à exaustão. Do contrário, ao ser marcado naquilo que tem de mais forte, deixa de oferecer perigo.

Assim como Sansão, que tinha os cabelos como única fonte de força. E ao vê-los cortados, se ferrou em verde-amarelo.

Tenho repetido aqui e no twitter que o Atlético necessita de reforços. Não pela derrota de ontem, mas pela alta performance que um campeonato tão árduo exige.

E, vendo uma partida como esta, contra um grande time do país, é muito mais fácil identificar as carências.

Na minha opinião, não há mais tempo para a diretoria ficar cochilando em berço esplêndido. É premente a contratação de um camisa 10 que distribua e organize o jogo de forma ágil e fluente. E que Giovanni jogue um pouco mais atrás, na sua posição de origem.

E é preciso contratar um jogador com faro de gol, que ame a grande área e que tenha um estilo agudo em direção à meta adversária.  Um daqueles fominhas que causam insônia nos beques.

Estamos marcando presença de forma muito tímida na grande área. Ontem, a bola pererecou várias vezes na zona do agrião e não tinha uma bendita alma ali, para empurrar para dentro ou construir uma boa jogada.

Enfim, apesar da derrota, nada está perdido, assim como não tem nada ganho. Muitos vão perder e ganhar, inclusive o São Paulo.

Portanto, há muito que se fazer para o nosso destino ser esplendoroso. E para que isso aconteça, a diretoria tem a obrigação de se mexer com mais agilidade e não apenas ficar assistindo contratações de reforços dos adversários todos os dias.

Afinal, entramos nessa para ganhar ou para fazer figuração?

Qual a sua opinião, caro amigo do L&N?

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