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PEÃO – CAM – PEÃO

[uma releitura da letra de “Construção” de Chico Buarque, à luz da mais importante conquista do Clube Atlético Mineiro, que para mim não foi apenas o título, mas a autoestima de todos nós, os incontáveis “peões”.]

colunadojotaqueirozAcordou, ajoelhou, e fez uma súplica.

Sentia que essa noite seria única.

Subiu, foi trabalhar como se fosse máquina,

Até soar o apito da velha fábrica.

Enquanto a rua transbordava o grande público,

Seguia seu destino em passo lépido.

Vestiu o manto como faz um príncipe,

coração em festa como se fosse sábado.

Dançou alucinado quando ouviu a música,

daquele inigualável hino  mítico,

sem se importar que já o vissem bêbado,

Correu em passo largo e um tanto trôpego.

Comprou o ingresso sem calcular a dívida,

certo de que receberia a justa dádiva.

Aquela noite que sonhara negou ser rápida,

cada minuto tornou-se inclemente látego,

para desaguar, enfim, em momento único:

A bola, a trave e o derradeiro pênalti!

A multidão explodiu em verdadeiro êxtase

Incomparável música: o hino mítico

Todos cantavam em perfeito uníssono

Não lhes havia consciência lúcida.

Felicidade plena contagiou o público:

– Criança em encantado instante lúdico

– Homem extravasando em verdadeira lágrima

– Mulher se encantando com o amado cônjuge

– Até o rapaz abraçou a moça tímida

Roubou-lhe um beijo como se fosse lícito…

Tomaram a rua interrompendo o tráfego

E não a devolverão até findar o século…

O peão voltou no tempo qual se fora mágico

E foi se ver menino numa noite trágica,

na mesma outrora arquibancada úmida

Por incontáveis anos de infinita lástima,

com a faixa sanou-lhe amarga lágrima.

O menino outrora desejou um título,

já não ousava mais um sonho utópico.

Julgando perdida tal pretensão quimérica;

foi Libertado conquistando extensa América.

 

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A DESCOBERTA DO TESOURO ATLETICANO NA CONQUISTA DA LIBERTADORES

Texto escrito por Bruno Oliveira.

quandoamassafala...

O que o atleticano viveu na quarta-feira, com a conquista da Copa Libertadores da América, foi mágico. Algo que se sente poucas vezes na vida ou que muitos, mesmo ao conquistar a Libertadores, nunca terão a oportunidade de vivenciar. Uma singularidade que desarranja toda a normalidade e joga o nosso ser num abismo. Experiência tão sublime que nos abre para uma realidade mítica e nos desperta para aquilo que há fora de nós, um outro.

Se uma Madeleine produziu no narrador de Proust a doce lembrança de uma memória involuntária, algo que se apresenta sem ser chamado, mas, por isto mesmo, sempre presente, a taça da Libertadores da América, quando erguida pelo capitão Réver, evocou no atleticano uma experiência parecida. Se em Proust o que se reviveu foi a infância passada em Combray, na quarta-feira foi a rememoração e a celebração, não do título em si – importante, pois recolocou, de fato e de direito, o Atlético entre os grandes da América – mas de uma sombra que sempre acompanha o atleticano e, em razão desta qualidade, pouco notada. Não porque é desconhecida ou desvalorizada, mas, por ser muito cara ao atleticano, ela é preservada como um tesouro esquecido para que ninguém possa encontrar, ou melhor, um tesouro que só se revelaria quando a memória involuntária do atleticano fosse despertada.

Este tesouro estava tão bem guardado que ele é a chave para responder ao inquietante desconcerto do repórter do Impedimento, que veio cobrir a final da Copa Libertadores em BH, ao constatar que “jamais havia presenciado uma festa de título que se estendesse por todo o dia seguinte” http://impedimento.org/de-virote-mas-ainda-precisando-acordar/

O tesouro do atleticano, a sua sombra, não é outro senão a memória coletiva alvinegra. Sem cair em qualquer análise antropológica ou psicológica do homo atleticanus, porém, com um toque de metafísica, o que o acompanha é a lembrança de um rosto. Não qualquer rosto, mas um rosto singular, o rosto do pai, da mãe, avô, avó, tio, tia e amigos que foram fundamentais na construção do nosso amor pelo Atlético. Uma das singularidades deste rosto é o fato de já ter sido tocado pela morte, de estar onde já não há de lutar para estar.

O fanatismo e a paixão atleticana surgem deste rosto singular, um rosto que tem nome, é verdade, mas que é capaz de encontrar outros rostos e dar molde a uma memória coletiva, um todo. O rosto do pai do presidente Alexandre Kalil, quando este – após o fim do jogo, num momento catártico, característica da essência do ser atleticano – afirmou a repórteres ter sido o finado Elias Kalil que nos havia dado a Libertadores, é também o rosto da minha avó, torcedora fanática, que me presenteava, nos meus aniversários, com idas à capital para ver o Galo. Foram eles, os nossos mortos atleticanos, que nos deram não apenas o título da Libertadores, mas também romperam o silêncio para resgatar a nossa vida e nos lembrar: “estamos aqui e sempre estaremos ao lado de vocês, somos as sombras, nós acreditamos Atlético.”

A força do “Eu acredito”, mantra entoada pela Massa atleticana, que ainda ecoa no Mineirão, mesmo três dias após terminado o jogo, vem deles. Por isso, amigo repórter do Impedimento, a comemoração do despertar causado pelo título só começou, pois a celebração da nossa memória coletiva, o nosso tesouro, será para sempre.

Abraços, Bruno Oliveira.

ATLÉTICO 2 X 0 IPATINGA. SOMOS CAMPEÕES!!!

O grito, há 3 anos preso na garganta, está solto nas ruas de Belo Horizonte novamente.

É CAMPEÃO! É CAMPEÃO! É CAMPEÃO!

O projeto de Kalil e Vanderlei Luxemburgo, que era para ser de médio a longo prazo, já deu frutos no primeiro campeonato que disputou, há pouco mais de 3 meses iniciado.

Os dois melhores times de Minas se enfrentaram hoje e o Atlético trancou todas as portas possíveis à boa equipe do Vale do Aço.

Não houve condescendência nenhuma. Não houve perdão.

Por respeitar o Ipatinga, o Galo acabou não lhe dando chances, nem sequer nos chutes de longa distância. Não lhe concedeu o direito de resposta.

O Ipatinga foi saboreado, mastigado e deglutido sem sustos de última hora.

A consistência desse time é flagrante. Sabe o que faz em campo, sabe distinguir a melhor jogada e não dá sopa pro azar.

Na perda de posse de bola, a recomposição é imediata. Voltam quase todos e só mesmo Tardelli e Muriqui permanecem à frente. E olha que nem sempre.

Seriedade, suor e competência. Talvez sejam as três palavras que melhor definem o time do Galo hoje em dia.

Não há jogada perdida e não existe esmorecimento. A dinâmica de jogo é a mesma do primeiro ao último minuto.

Cada dividida é disputada como se fosse o último pão nos guetos judaicos de Berlim, durante a segunda guerra mundial.

Hoje se podia perder de até 1 a 0. Mas não. A equipe entrou em campo como se necessitasse da vitória. Como se a vitória fosse essencial para colocar a faixa no peito. E não era!

Jogou uma decisão como se deve jogar uma decisão. Nem mais nem menos.

Intensificou a pegada no meio de campo, não deu espaços aos atacantes do Ipatinga e partiu para cima da equipe adversária como verdadeiro time grande que é.

E quando no segundo tempo, o Ipatinga voltou com o propósito de agredir mais, o Galo ajustou as peças na defesa e valorizou todos os contra-ataques.

Foi assim que fizemos o primeiro gol, quando Jairo CAMpos tomou a bola, serviu a Correa  e este, de forma maravilhosa, lançou Muriqui nas costas do zagueiro.

Então foi só rolar para Tardelli, que estufou as redes para arrancar o primeiro grito de campeão da massa.

Fora as chances que perdemos, principalmente a de Muriqui, que no exato instante de marcar, pisou na bola e permitiu que o goleiro a defendesse para a linha de fundo.

Mas não há espaço para críticas hoje. Muriqui, na opinião deste blogueiro, foi um dos melhores em campo.

Todos foram muito bem. Há que se curtir o título. A nação atleticana, neste momento, está vibrando e festejando o título mineiro.

Ainda mais quando o gol do título, o gol que sacramentou tudo, foi do maior ídolo da massa nos últimos tempos.

Marques entrou faltando 15 minutos e, aos 42 da segunda etapa, após um passe magistral de Ricardinho, tocou para o fundo das redes.

Tirou a camisa, hasteou-a na bandeirinha de córner e agitou-a em reverência enternecida à nação atleticana. E terminou o jogo chorando de emoção. Chorei junto com ele.

É o último campeonato mineiro de Marques. Quis o destino que ele marcasse o segundo gol da decisão. O Messias é um predestinado.

Tomara que ele encerre a carreira carregando no peito a faixa de campeão brasileiro de 2010.

O Galo, enfim,  foi campeão novamente.

Libere suas lágrimas, meu irmão atleticano. Eu já deixei que as minhas molhassem meu rosto e oxigenassem o meu sangue e meu coração.

É a melhor maneira de extravasar o sentimento absurdo de amor pela camisa mais linda do mundo.

A camisa que nós amamos é campeã. Nós somos campeões!!

E, se não nos segurarem com táticas anti-desportivas este ano, vamos beliscar mais troféus por esse Brasil afora.

Parabéns, presidente Kalil. Parabéns Luxemburgo.

Parabéns, meu Galo querido. Você merece!!! Nós merecemos!!

(Talvez você não tenha tido a oportunidade de ler o post da prévia do jogo, porque eu o escrevi poucas horas antes de sair para o Mineirão. Sugiro lê-lo, pois se trata de uma homenagem ao povo atleticano, especialmente para os exilados distantes do nosso Galo querido.)

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