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GALO, FUTEBOL E AS COISAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA

colunarobertolopes2Quem gosta de futebol certamente já ouviu que se trata da coisa mais importante dentre as menos importantes. A frase é de Arrigo Sacchi, que foi treinador da seleção da Itália. Nunca gastei muito fosfato examinando essa afirmação. Intuitivamente, entretanto, sempre me pareceu fazer sentido. Filosofias à parte, fato é que, esteja ou não o futebol entre as coisas mais importantes da vida, ser torcedor nos proporciona momentos inesquecíveis.

E…

Aposto que você pensou no jogo contra o Flu! Com razão. Neste ano, a palavra inesquecível está irremediavelmente vinculada àquele jogo épico. Não é diferente comigo, mas não é disso que eu quero falar. Nesse campeonato, eu vivi um momento ainda maior.

Era do início pro meio do segundo turno, rodada importante, jogo do Galo com o Grêmio no Independência. Estava eu colocando a camisa do Galo (a da sorte, óbvio), quando aparece Fernanda, minha filha de 4 anos: – Papai, você vai pro campo?

– Vou, filha, hoje é dia de torcer pro Galo de novo!

– Papai, que dia eu vou poder ir ao campo?

(…)

– Pois é, filha, algum dia desses eu vou te levar…

– ?

[olhinhos me encarando]

(…)

[neurônios trabalhando]

(…)

– Peraí, filha, vou falar com a sua mãe.

Minha mulher tem pavor de acontecer alguma coisa com criança em campo de futebol. E, para piorar, é cruzeirense, de forma que todos os meus argumentos sentimentais, do tipo “mas é o GALO!”, não costumam funcionar.

Bem, fato é que empenhei saliva e argumentos, prometi pra essa geração e para a próxima, assinei promissória da alma e do corpo, liguei para o Corpo de Bombeiros, mostrei o plano de evacuação em caso de emergência, avisei a PM para ficar de prontidão e… consegui! Minha gatinha iria comigo ao jogo. Aí, foi uma festa só: colocar a roupa toda do Galo – até a meia era do uniforme -, pegar uma blusinha e simbora pro campo.

Quando chegamos lá, ela viu aquela festa linda da torcida, como sempre. Fernanda ficou maravilhada com o bandeirão, gostou dos fogos de artifício, adorou o Galo Doido. Quando o time entrou em campo, ela gritou junto comigo. Quando o jogo estava para começar, perguntou:

– Papai, o jogo já acabou?

– Não, filha, ainda nem começou.

– Ahhhh…

Ela assistia. Não estava entendendo muita coisa, mas estava ali, e isso era tudo que importava. Eu tentava explicar quem era o juiz, onde nosso time tinha que fazer gol, que o moço com roupa diferente era nosso goleiro. Um jogador do Galo caiu depois de uma entrada dura, e ela, preocupada:

– Papai, o moço do Galo machucou…

– É, filha, mas ele já vai melhorar.

– Por quê o outro moço machucou ele?

– Foi sem querer, filha…

Lá pelos trinta e cinco minutos, pediu para sentar no meu colo, se aconchegou. Para quem foi ao Independência naquele dia, é fácil lembrar do frio que estava fazendo. Veio o intervalo de jogo e, quando olhei pra ela, estava dormindo. Até então, eu achava que nunca ia chegar o momento em que alguma coisa me fizesse deixar o Galo no meio de um jogo. Mas minha menininha estava ali, dormindo e provavelmente com frio.

Aí, até o Galo ficou menos importante do que as coisas realmente importantes. Fui embora no intervalo, feliz da vida. Naquele dia, o Galo empatou, mas eu ganhei de goleada!

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