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GALODEPENDÊNCIA

colunarobertolopes2Eu tenho, tu tens, ele tem. Nós temos, vós tendes, eles têm.

O torcedor do Galo está dependente. Psicologicamente afetado pela campanha do time. Quimicamente viciado na adrenalina dos jogos.

Para muitos de nós, nunca houve ano tão feliz. Todos aqueles que não viram Reinaldo, Cerezo, Éder e Luisinho jogarem, não viram nada parecido com o que é o Galo de hoje. Eu vi e o vício nunca mais passou. Nas épocas de vacas magras, vivi, qual bebum meio recuperado, um dia de cada vez. Hoje, alguns dias sem vitória dão tremedeira.

Agora, o quadro mudou de vez. Ronaldinho Gaúcho, em carne e osso, declarou que nunca foi feliz como está sendo aqui. Parece pouco? Soa como mentira para ouvidos calejados pela zoação de adversários? Pois eu garanto que representa muito, e é verdade.

É verdade porque está na cara de qualquer um que queira enxergar. Vejam os melhores momentos do jogo com a Ponte. Reparem na festa que Ronaldinho faz para Danilinho no primeiro gol. Notem como ele ficou contrariado com o empate, não deu entrevista protocolar, não falou de 3 pontos, nada disso. Foi seco: – “vacilamos”. Estava pê da vida. Você fica pê da vida com algo que não lhe importa?

Lembrem-se da comemoração longa, depois da arrancada fenomenal que as marias nunca mais vão esquecer. Ronaldinho ciscou no gramado. Ele está feliz.

E os efeitos disso? Pense no Bernard ouvindo o cara, que ele colocava no time do Playstation, dizendo que jogar no Galo é o melhor que está tendo. Pensou? Agora vá além, pense no menino-craque que está surgindo na base de qualquer outro time do Brasil, ouvindo isso. Não é óbvio que qualquer um que ouça vai se perguntar “por quê”?

Por quê um craque, um monstro da bola, com a história que ele tem, com as conquistas que tem, diria isso? E a resposta é o time sim, e é o momento dele também, mas é, ao mesmo tempo, a estrutura, a seriedade da administração e a força da torcida, que não tem igual.

Não vamos nos deixar abater pelo empate com a Ponte. Isso acontece, infelizmente. Vamos curtir o momento e apoiar o time, porque não há nada mais ATLETICANO a se fazer. Se você está vivendo isso pela primeira vez, deixe-se levar e esqueça sua corneta em casa.

É por isso que eu tenho, você tem, todos temos e, agora, Ronaldinho também tem Galodependência.

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A MARCA DA CAL SÓ EXISTE PARA OS OUTROS?

árbitro-do-futebol-23562317Nas últimas 4 partidas do Galo pelo campeonato brasileiro, já são 4 penalidades máximas escandalosas, em sequência, não marcadas pelos juízes.

Afora os penaltis, estamos sendo prejudicados durante o jogo com faltas invertidas e aplicação de critérios diferenciados em relação a disciplina, ou seja, um rigor excessivo com nosso time e uma venda nos olhos para as agressões dos adversários.

Não procuro aqui nenhuma proteção ao Galo. Nós não precisamos disso. O que busco é uma arbitragem correta e honesta.  Pensei que este ano não haveria necessidade da campanha #DEOLHONOAPITO. Mas, pelo andar da carruagem, a coisa pode desandar.  Temos de gritar antes que seja tarde.

Porque está claro que os fracos juízes brasileiros estão afim de ferrar o Galo!

Será por causa da recusa do Alexandre Kalil em tê-los apitando os jogos do Atlético contra o São Paulo na Libertadores?

Ou será que a CBF se sentiu magoada ao ser acusada de “fraca” no episódio Conmebol/Independência/Mineirão na final da Libertas e está mexendo os fios no teatro de bonecos?

Eu não acredito na lisura das pessoas que comandam o futebol brasileiro. Também não acredito na imparcialidade da Rede Globo de Televisão, que manda e desmanda nesta competição.  É a Rede Globo que enfia a mão no bolso e em troca, define as regras não só fora de campo, mas dentro também!

O Brasil é o país da corrupção em todos os setores, sejam lá públicos ou privados.  Então porque eu deveria acreditar que o nosso futebol é puro e ilibado? Não sou tão ingênuo assim.

Para você pensar como eu, basta assistir ao vídeo abaixo.  Verá que os penaltis são tão visíveis que qualquer leigo apontaria a marca de cal.

Porque  então os juízes, cheios de cursos de arbitragem,  não apontaram?

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PEÃO – CAM – PEÃO

[uma releitura da letra de “Construção” de Chico Buarque, à luz da mais importante conquista do Clube Atlético Mineiro, que para mim não foi apenas o título, mas a autoestima de todos nós, os incontáveis “peões”.]

colunadojotaqueirozAcordou, ajoelhou, e fez uma súplica.

Sentia que essa noite seria única.

Subiu, foi trabalhar como se fosse máquina,

Até soar o apito da velha fábrica.

Enquanto a rua transbordava o grande público,

Seguia seu destino em passo lépido.

Vestiu o manto como faz um príncipe,

coração em festa como se fosse sábado.

Dançou alucinado quando ouviu a música,

daquele inigualável hino  mítico,

sem se importar que já o vissem bêbado,

Correu em passo largo e um tanto trôpego.

Comprou o ingresso sem calcular a dívida,

certo de que receberia a justa dádiva.

Aquela noite que sonhara negou ser rápida,

cada minuto tornou-se inclemente látego,

para desaguar, enfim, em momento único:

A bola, a trave e o derradeiro pênalti!

A multidão explodiu em verdadeiro êxtase

Incomparável música: o hino mítico

Todos cantavam em perfeito uníssono

Não lhes havia consciência lúcida.

Felicidade plena contagiou o público:

– Criança em encantado instante lúdico

– Homem extravasando em verdadeira lágrima

– Mulher se encantando com o amado cônjuge

– Até o rapaz abraçou a moça tímida

Roubou-lhe um beijo como se fosse lícito…

Tomaram a rua interrompendo o tráfego

E não a devolverão até findar o século…

O peão voltou no tempo qual se fora mágico

E foi se ver menino numa noite trágica,

na mesma outrora arquibancada úmida

Por incontáveis anos de infinita lástima,

com a faixa sanou-lhe amarga lágrima.

O menino outrora desejou um título,

já não ousava mais um sonho utópico.

Julgando perdida tal pretensão quimérica;

foi Libertado conquistando extensa América.

 

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SEMPRE POR UM TRIZ

colunadaanacris1Quando meu telefone apitou anunciando que a venda dos ingressos para a final da Libertadores seria na manhã seguinte, eu havia acabado de chegar a Belo Horizonte. Então no sábado, depois de um dia inteiro na fila gritando Gaaaaalo e conversando com aqueles tantos atleticanos, meus melhores amigos das últimas 7 horas, tive certeza de que eu não era a única a acreditar de verdade que sairíamos campeões. A boa expectativa era geral.

Cada um dos quatro dias seguintes pareceram ter sido feitos de quarenta anos. E, agora que tinha chegado o dia, eu não tinha certeza se estava pronta. Mas firmei o corpo, ergui os olhos e me convenci de que enfim tinha chegado a hora de ser campeã.

Na porta do Mineirão, durante toda a tarde e início de noite, milhares de pessoas cantavam o hino do Atlético, em ritmo de festa. Parecia que nós é que tínhamos a vantagem dos dois gols. Que torcida corajosa!

Encontrei um monte de gente conhecida, abracei, cantei, pulei, entrei, sentei. O primeiro tempo de jogo foi amarrado e, de tanto nervosismo, comecei a passar mal do estômago. Ainda não tinha pensado que fosse real a hipótese de não fazermos dois gols. Durante o dia, havia encontrado um olimpista que carregava uma taça de isopor e lhe disse, com muita convicção, que eu sabia que ganharíamos o jogo. A única dúvida era por qual diferença. E agora o gol não vinha. E agora me faltava ar.

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Foi do banheiro que tomei conhecimento do primeiro gol. Senti as paredes do Mineirão tremendo e um barulho ensurdecedor. Se não fosse terremoto, era gol. Era gol! Nenhum remédio no mundo seria capaz de melhorar meu estômago em cinco segundos como aquele chute do Jô. Lavei o rosto e senti as pernas falharem. Ajoelhei-me no chão do banheiro e, com as mãos abertas em cruz, sozinha, senti a falta de um abraço atleticano.

Quis abraçar minha irmã. Aquela que me levou ao primeiro jogo do Galo quando eu tinha dez anos. Ela, que dividiu comigo tantas alegrias, mas também tantas batalhas perdidas, estava agora em uma fazenda, sem telefone, sem televisão, sem internet. Uma família de atleticanos a convidou para assistir à final com eles. Porém, antes do jogo, seus três filhinhos caíram no sono e começou a chover muito. Não havia como sair.

Então ela se lembrou de que em algum armário de algum quarto daquele casarão havia uma televisãozinha preto e branca, com tela de seis polegadas. Era um aparelho muito antigo, mas, sendo do Paraguai, devia estar interessado em ver o jogo também. Televisão ligou, mas não sintonizou. Minha irmã prendeu um chumaço de bombril na antena e voilá! Começou o jogo. E, tudo o que vimos em cores, ela viu no preto e branco do nosso mundo atleticano.

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Estávamos separadas, mas sofríamos do mesmo jeito com aqueles quase gols o tempo todo. Sempre associei os quases do Galo àquele verso do Chico que diz que “para sempre é sempre por um triz”. E é assim que continua a ser.

Foi por um triz que empatamos o jogo de ida contra o Tijuana, nas quartas de final, com aquele gol do Luan. Foi por um triz que a perna esquerda do Victor defendeu o pênalti de Riascos no jogo de volta. Na semifinal, foi por um triz que o zagueiro do Newels’ Old Boys errou o corte e a bola foi parar nos pés do Guilherme. Alguns minutos antes, um tiro do Guilherme não tinha entrado, por um triz. E agora a bola passou bem pertinho da trave, só que do lado de dentro. Por um triz. Na final, o gol do Olímpia também não saiu por pouco: um escorregão improvável de Ferreyra, após driblar nosso goleiro. E aquela bola no finalzinho do segundo tempo, cabeceada por Leonardo Silva, entrou preguiçosa, quase querendo não entrar. Foi por muito pouco.

Dois a zero para nós. Nos trinta minutos de prorrogação, as traves estavam mais teimosas do que criancinha que não quer comer. Eram chutes sem fim, mas o gol fechou a boca. Não deixava entrar nada, talvez porque soubesse que era dia de voltarmos a 05 de março de 1978 e curarmos aquela ferida aberta no peito de todo atleticano, mesmo os que não eram nascidos. Decisão por pênaltis. A perda daquele título nacional foi por um triz.

Mas agora havia de ser diferente, curador. Naquele último pênalti cobrado pelo Olímpia, a bola que bateu no travessão transformou, por um triz, nossa história para sempre.

anaeirmaO Mineirão explodiu e só depois é que fui saber que minha irmã tinha estado sozinha, com aquela alegria toda que não cabia no peito, sem ter com quem dividir. Lembro-me de todas as vezes em que, juntas, nós quase, quase, quase ganhamos tudo, e agora ela estava longe da festa. Penso que, assim como eu, foi por pouco que ela não morreu. E, se existem atleticanos vivos no mundo, aos milhões, pergunte a cada um deles como é que ainda estão vivos. Todos dirão que o coração quase parou de bater para sempre. Foi por um triz.

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O GALO PRECISA CANTAR PARA O PRÓPRIO GALO ACORDAR

colunadoleogattoniA Libertadores já é nossa e ninguém mais tira. Somos CAMpeões. O que era um sonho antigo agora é realidade. Mas já são mais de duas semanas que conquistamos esse sonho. Então é hora de acordar, trabalhar duro e com foco nos objetivos, para que outros sonhos tornem-se realidade.

Digo isso porque desde a conquista na Libertadores, no último dia 25 – e ainda bem que foi depois da meia-noite, porque senão seríamos CAMpeões no #DiaDeMaria – o time do Galo simplesmente esqueceu de como jogar futebol. Os resultados estão aí: três derrotas consecutivas, com nove gols sofridos e apenas dois marcados. A hora de acordar já passou!

Não é com o futebol apresentado nos últimos três jogos que o Galo, ainda que priorizando a Copa do Brasil (como disse o Cuca), vai sequer conseguir se manter na Série A em 2014. E toda derrota após uma conquista expressiva, como foi a Libertadores, só reduz a expressão da mesma. Já devem estar falando por aí: “Ganharam porque os times desse ano era umas babas… aqui no Brasil o nível é muito superior!”.

Priorizando ou não a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro é um torneio importante e que não conquistamos desde 1971. Ano passado batemos na trave. Dos chamados “grandes” clubes do futebol brasileiro, o Galo é quem está a mais tempo na “fila”. Então o bicampeonato brasileiro é um sonho de todo atleticano. E esse sonho só se tornará realidade se o time inteiro acordar, do terceiro goleiro, Lee, ao Presidente Alexandre Kalil, passando por todos os jogadores, comissão técnica e diretoria. Esse estado de “ressaca” tem de acabar agora.

O time tem de voltar a jogar o futebol empolgante que jogou na Libertadores, com garra, vontade, “sangue nos olhos”, acreditando em todas as bolas. Os jogadores mais experientes do elenco têm de chamar pra si a responsabilidade, orientar os mais jovens, e sobretudo participar com mais eficácia nas partidas. Alguém tem de avisar aos jogadores que transferência a essa altura, só para quem está sem contrato: a janela internacional de transferências já se encerrou! Então é jogar aqui mesmo, se destacar e aparecer para o mercado internacional, já que o Galo virou vitrine: o Mundial de Clubes da FIFA é em dezembro, logo ali no Marrocos.

A comissão técnica _ e aí eu falo praticamente só do Cuca _ tem de trabalhar com mais afinco. Sabemos que o elenco está “enxuto”, precisando de atletas em quase todas as posições, e que as contratações serão mais difíceis, mas o Cuca tem de saber aproveitar melhor as características de seus jogadores. Não adianta escalar um jogador com determinadas características numa posição que não é a dele e querer que ele faça milagres. Cada jogador tem de atuar na sua posição, sempre que possível, pois existem situações, como a de ontem, em que o time esteve “remendado” em campo.

A variação do esquema tático tem de acontecer também, para evitar a previsibilidade, já que a grande parte dos treinadores brasileiros tem o hábito de estudar o adversário. Cuca tem crédito, mas não pode sentar no alto da pilha de elogios que recebeu nos últimos dias e ficar por lá, senão num momento de falta de atenção vai cair. E mais uma coisa: Cuca tem de motivar os seus comandados, e não o contrário. Copa do Brasil é um objetivo e o Campeonato Brasileiro também! Motivação vem de cima pra baixo. No exército existe um ditado para isso: “A tropa é o espelho do comandante!”.

A diretoria, no meu ponto de vista, pecou mais que todo mundo, pois não contratou bem no início da temporada e ainda dispensou atletas insatisfeitos com a reserva. Durante o Campeonato Mineiro e a própria Copa Libertadores não trouxe praticamente ninguém, e agora que as transferências do exterior estão praticamente impossíveis é que eles acordaram. As contratações tem de acontecer, devem acontecer, e não apenas para “compor” ou “qualificar” o elenco: precisamos de jogadores que cheguem para disputar posição, para fazer “sombra” nos nossos titulares. A distância entre a qualidade técnica dos titulares e seus reservas é um abismo!

A Massa vem fazendo a sua parte, apoiando o time, independente de quem está jogando. Mas quem conhece futebol sabe que a torcida é movida pela paixão e não pela razão. Sabe também que a paciência da torcida é curta, e que bastam alguns mal resultados – ainda que com o time jogando bem – que os “cornetas” aparecem sem a menor cerimônia.

Como disse anteriormente, tá na hora de acordar do sonho, antes que este se transforme em pesadelo. Acorda Galo! Acorda Cuca! Acorda Kalil! Vamos atrás dos novos e antigos sonhos! Estamos em 2000eGalo e ninguém vai nos segurar!

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COM A PALAVRA, JONES GUERRA AGRADECE

colunadoGuerraO meu agradecimento vai para a Fox Sports, canal detentor das transmissões da Copa Libertadores de 2013. Não sou de ficar babando ovo de imprensa, mas esta empresa merece um MUITO OBRIGADO de um atleticano das antigas.

A Fox Sports abraçou o GALO desde o inicio e a maioria dos seus integrantes não colocou o GALO em segundo plano. Claro que quando os clubes de Rio e São Paulo ainda disputavam o torneio, eles dividiam suas atenções para todos. Mas não vi, em nenhum momento, alguma gozação ou critica maldosa, mesmo tendo, na equipe da Fox, jornalistas que torcem para outros times.

A Fox, através dos programas Fox Rádio e o De Primeira, além dos jogos, ficaram sempre ao lado do GALO. É só ver a quantidade de VTs que eles passaram, além de vários vídeos e chamadas deles. Obviamente que havia o interesse comercial, mas mostravam que também acreditavam e incentivavam nas oitavas e até a final da Libertadores.

Já xinguei e muito, critiquei e zoei demais a imprensa, mas nunca, NUNCA mesmo na minha vida vi uma emissora jogar junto com o GALO. Com o abraço que a Fox Sport deu no GALO, outras emissoras como Globo, Sportv e Band, para não ficarem pra trás e perder pontos no Ibope, foram obrigadas a acompanhar. E a Fox Sports até hoje permanece com VTs, programas e chamadas para a campanha do GALO.

Obrigado, FOX SPORTS. Ganharam meu reconhecimento e um espectador até que pisem na bola! Não sei o nome da turma, mas parabéns a todos. Críticas nós do Atlético aceitamos, ou seja, nós mesmos somos críticos ferrenhos do GALO, mas não aceitamos nada que nos prejudique em um jogo ou o nosso CLUBE.

A maioria da imprensa acha que somos bobos e inocentes! ESTAMOS DE OLHO.

Lembro aos amigos atleticanos: nós estamos classificados para a Libertadores de 2014, Recopa e Mundial. Estamos prontos para disputar bem o Brasileirão e a Copa do Brasil. EU ACREDITO.

Um abraço de Jones Guerra.

COISA DOS MORTOS

Texto escrito por Luiz Sérgio Grossi.

quandoamassafala...

Depois de tudo o que enfrentamos até o combate final, era mais do que previsível que filmes antigos passassem diante de nossos olhos na última quarta-feira.

Deixei de acreditar em superstições e mandingas há algum tempo mas, ainda assim, confesso que durante essa Libertadores, algumas superstições voltaram a me atormentar (como acreditar que a camisa do Galo usada em todos os jogos da primeira fase tinha efeito no desempenho do time).

Felizmente, algumas derrotas dentro da própria competição me trouxeram de volta à realidade e me permitiram ter a honra de a camisa usada durante o último jogo ser escolhida, aleatoriamente, dentre as minhas muitas camisas alvinegras, pela minha filhota de 2 anos.

Enfim, quero dizer que o que aconteceu de quarta para quinta no mineirão, em minha humilde opinião, não foi coisa de Deus. Acredito, também há algum tempo, que Deus não deve se envolver nesse tipo de coisa. Caso contrário, estaria sempre fazendo uma escolha por frustrar grandes grupos de torcedores. E assim sendo, Deus seria um anti-atleticano ao longo de todos esses anos, o que é um pensamento ridículo.

Prefiro acreditar que Deus não se envolve nesse tipo de parada.

Para mim, o que aconteceu lá foi coisa dos mortos! Dos vários atleticanos que já se foram e que lá estiveram na quarta à noite.

Aquele lance capital que sempre nos eliminou ou nos tirou o título, aconteceu. Mas era tanta gente acreditando e evocando os mortos que eles foram lá e deram uma rasteira no Ferreyra, logo que ele driblou o Victor. Eu tinha chamado pelo Zezé (meu pai e responsável por todo esse amor que tenho pelo Glorioso e que nos deixou há 2 anos) dois minutos antes (Zezé, desce daí! Tá difícil e o time tá precisando de você!).

E ele veio! E certamente não veio sozinho pois conversei com alguns amigos ontem que me disseram ter também evocado os seus pais, já falecidos, em vários momentos da partida. Certamente o Ferreyra foi derrubado por mais de um atleticano invisível. Seria muita pretensão acreditar só no Zezé. Mas isso não foi obra de espírito atleticano fraco não! Depois dessa “rasteira coletiva do além”, eu e todos tivemos certeza de que era nosso, e o gol iria sair, como saiu! O resto é HISTÓRIA! Já foi escrita!

E nos aguardem, bibas de Munique! Estamos chegando! Chegou a hora da massa amarela de Dortmund retribuir nossa torcida!

MISTÉRIOS E ENCANTOS DA TORCIDA MAIS LINDA!

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São na arquibancada alvinegra que se desenrolam os lances mais gloriosos e emocionantes de uma partida de futebol.

Cada coração pulsa nervosa e apaixonadamente. Cada atleticano corre para receber o lançamento de Ronaldinho Gaucho, pula para cabecear aquela bola alçada na área, se desloca na diagonal para cobrir o lateral e voa junto com o Victor para operar mais um milagre. Tudo isso num espaço que mal cabe o seu próprio corpo. Mas não é o corpo, é a alma que se desloca aqui e ali!

Como não emocionar-se vendo imagens de um garotinho de 6, 7 ou 8 anos com o semblante contraído e lágrimas deslizando pelo rosto sabendo, de antemão, que ele nunca viu o Galo campeão brasileiro?

Como não enternecer-se quando um atleticano se destaca com os olhos fechados, contrito, terço entre as mãos erguidas para o céu e cantando, a plenos pulmões, o hino do Atlético?

Como não comover-se quando se nota o avô, o filho e o neto abraçados, comemorando um gol? Será este o segredo do inesgotável crescimento de uma torcida que não coloca a faixa no peito há tanto tempo? Um amor tão grandioso e latente que é transmitido, por si só, aos descendentes? Um vírus do bem que contagia de paixão e persiste de geração em geração?

E as mulheres vestidas com o manto na arquibancada… são as mais lindas do mundo! As expressões faciais que emanam de uma atleticana na cadência dos cânticos alvinegros e no compasso da batalha travada em campo a fazem mais bela que as mais belas de Hollywood. Como são lindas, meu Deus!

Por entre minhas próprias lágrimas de alegria e gratidão a esse esquadrão de honra que nos representa dentro das quatro linhas, pude ver isso e muito mais. Vi a Massa febril, vibrante e principal cúmplice de uma vitória apoteótica. Com a sua energia incansável, literalmente entrou em campo e disputou cada bola dividida. Não foi com o pé, foi com o coração!

Com uma torcida como essa, o Galo não joga com 12. Joga com 22. Duplica em campo.

Para obter-se a definição exata da Massa alvinegra, há que aprofundar-se em estudos da alma humana. Existem perguntas demais sem respostas. Porém, pensando bem, talvez resida aí o maior encanto da torcida mais encantadora do mundo. Melhor deixar no ar os seus mistérios.

Chico Pinheiro tem razão. Não torcemos por um clube de futebol. Somos atleticanos!! Há uma sutil diferença.

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FINAL SERÁ NO INDEPA OU NO MINEIRÃO? DR. JARBAS RESPONDE.

JarbasO dr. Jarbas Lacerda sempre surge naqueles momentos em que o nosso conhecimento não é suficiente para entender com clareza o que se passa. Neste caso, ele estudou profundamente o regulamento que norteia a Copa Libertadores da América e indica em qual estádio será a final em Belo Horizonte.

Vamos ao que ele disse no twitter:

O Galo vai jogar a final no Independência ou no Mineirão? Bom, analisando-se o regulamento da competição, temos algumas conclusões: sigam:

1 – O art. 9º do regulamento prevê que a aprovação do Estádio para as partidas depende de dois requisitos: condições de jogo e capacidade.

2 – A condição de jogo é o item mais importante considerado pela Conmebol. Porque? Mesmo havendo capacidade, não há jogo sem condições de segurança.

3 – Todos os estádios indicados pelos clubes dependem de prévia aprovação pela Conmebol. Os dois estádios indicados pelo Atlético (Mineirão e Indepa) estão aprovados pela Conmebol para os jogos da Libertadores.

4 – O item 9.2 prevê que nenhuma partida pode se realizar em local que não tenha capacidade para 10.000 torcedores, além de condições de jogo (padrão FIFA).

5 – O item 9.4 do regulamento é claro em exigir capacidade mínima de 40.000 lugares para jogos finais, segundo inspeção feita pela Conmebol.

6 – O item 9.11 confere a possibilidade de veto a estádio que não reúna condições de conforto e segurança, mas não veda capacidade inferior.

7 – Conclusão: a) o Indepa está aprovado pela CONMEBOL em relação ao requisito principal, condições de conforto e segurança; b) não atende ao mínimo de capacidade, mas este requisito pode ser flexibilizado pela Comissão Técnica da CONMEBOL. Há possibilidade de se jogar a final do Indepa? Sim, mas isto é decisão exclusiva da Comissão Técnica da Conmebol.

Afinal, onde será a final?

Creio que a CONMEBOL não vai aprovar a final no Indepa por termos em Minas outro estádio em totais condições em relação aos dois requisitos exigidos: a) condições de conforto e segurança e b) capacidade de público.

Portanto, preparem-se para assistir a final do Libertadores 2013 direto do Estádio Governador Magalhães Pinto, o MinasArenão! É lá que vai ser. Abraços.

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MOMENTO ETERNO! OBRIGADO!

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47 minutos do 2º tempo, em pleno Independência, quartas de final da Copa Libertadores da América. Penalti para o Tijuana. O gol decretaria a desclassificação do melhor time do torneio.

Na arquibancada, com o radinho colado ao ouvido, Paulo, cego desde que nasceu, sente o coração parar. E, pelo silêncio nervoso, percebe o desespero que invadiu a nação atleticana. A algazarra frenética de antes se converte em murmúrios agonizantes.

Paulo nunca quis tanto enxergar como agora. Queria ver o rosto do pai, que está ao lado e é o responsável pelo seu atleticanismo. Só sente o braço dele e a mão trêmula apertando seu ombro. Dizem que os cegos não veem a matéria, mas enxergam a  alma. Por isso, Paulo “ouve” as orações de cada alvinegro presente no estádio. Sente a aflição, a angústia do sofrido atleticano, que esperava uma goleada que não aconteceu.

Pelo contrário, aos 47 minutos do segundo tempo, o Galo está com um pé fora das Libertadores. Depois de tanta luta, depois de tanta esperança, o Galo estará, mais uma vez, alijado das grandes conquistas. Oh, meu Deus, não permita isso!

Pelo radinho, Paulo sabe que Riascos, do Tijuana, se prepara para a batida. Não alimenta sonhos. Victor nunca defendeu um penalti com a camisa do Galo. Projeta dar um abraço carinhoso em seu pai, seu protetor, quando o Atlético for eliminado. O velho está sofrendo muito.

Riascos corre para a bola e bate no meio do gol. Victor pula para a direita, mas, com o pé esquerdo, defende o penalti mais importante de toda a história do Clube Atlético Mineiro!!!

O Galo está classificado! O Galo, pela primeira vez, está nas semifinais da Copa Libertadores da América!

Paulo está nas nuvens. Pula, grita, agradece aos céus. Abraçado ao pai, olha o campo _ sem ver _ à procura do herói. Não sabe se Victor é negro ou branco, mas sabe que, negro ou branco, é um dos heróis da nossa história. É um vencedor. E estes não têm cor e nem raça.

Por isso, Paulo grita com a voz embargada e com lágrimas escorrendo pelo rosto: OBRIGADO, VICTOR, MELHOR GOLEIRO DO BRASIL! OBRIGADO POR NOS MANTER GRANDES!

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DENÚNCIA: QUEREM NOS MATAR DE RIR!

Inacreditavelmente, o cruzeiro emitiu uma nota oficial esculachando a Minas Arena, sua “parceira” no Mineirão. Não sabemos ainda se é um plano maquiavélico para nos matar de rir _ desconfio de genocídio _ ou se trata apenas de mais um caso de marido traído pelo amigo mais chegado.

Vamos à nota:

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Uma pergunta que não quer calar: UAI, O MINEIRÃO NÃO ERA DO CRUZEIRO??

Alguns comentários:

1 – Custei a crer que um CD com o hino do Galo conseguiu abafar os cânticos de mais de 30.000 pessoas. Só posso intuir o seguinte: o torcedor cruzeirense se calou para ouvir o hino sagrado. Aí sim, eu concordaria. É lindo mesmo, obrigado.

2 – Um contrato de 25 anos com multa de rescisão em torno de cem milhões de reais é um entrave quase intransponível para as pretensões do cruzeiro de pular fora do barco nessa altura do campeonato.

3 – Para ser curto e grosso, não acredito em uma vírgula desta nota oficial. Nada do que alegam seria suficiente para rescindir um contrato “tão lucrativo”, como foi divulgado pelo Gilvan na época. Ninguém mata a galinha de ovos de ouro por tão pouco. Quando o dinheiro é alto, senta-se à mesa e conversa-se… sem necessidade de emitir notas oficiais.

O cruzeiro chegou à mesma conclusão que Alexandre Kalil! O Mineirão para públicos menores dá um baita prejuízo. E só agora constataram a bobagem que fizeram. O dr. Jarbas Lacerda (que estudou profundamente o assunto) proclamou aos 4 ventos essa verdade, como se fosse um mantra! E, ao invés de ser ouvido pelos cruzeirenses, foi execrado.

Neste ano, ironicamente, quem salvou o cruzeiro de um rombo maior foi o Atlético, ao jogar duas vezes no Mineirão lotado!

Para encerrar, um ditado antigo e muito verdadeiro: mentira tem perna curta! Cadê os 3 milhões por jogo?

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JORNALISMO SÉRIO É ISSO?

No rastro de uma notícia sensacionalista dada pelo Portal UOL, que acusa o técnico Cuca de ser o responsável pela não convocação de Ronaldinho Gaucho _ por contar ao Felipão sobre supostos atrasos e farras do jogador _  uma mensagem pipocou oportunamente na internet. Vejamos a seguir:

Sob uma pseudo aura de credibilidade (que só ele acha que tem), o sr. Jaeci Carvalho costuma soltar bombas imaginárias que quase nunca se concretizam na vida real. As chamadas bombas do Jaeci só divertem a moçada, ninguém leva a sério. São traques atirados aleatoriamente para captar audiência. Mas vamos deixar os programas dele em paz. São risíveis. Vamos tratar do tweet que ele postou hoje.

Vejam:

jaeci

Considero essa mensagem puro veneno destilado pelas costas, pois lança no ar uma dúvida que não existe! Primeiro porque Felipão não disse nada disso. E segundo, porque Cuca já desmentiu tudo aquilo que o site do UOL noticiou, inclusive dizendo que Felipão só ligou, tempos atrás, para saber do ombro do Bernard. Mais nada. Mesmo assim, o sr. Jaeci não foi capaz de conter sua vaidade borbulhante, mesmo às custas de contaminar o ambiente.

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SUPERINTENDENTE DO CRUZEIRO INCENTIVA PANCADARIA NA DECISÃO!

O desespero cruzeirense está atingindo as raias do absurdo.

O superintendente das categorias de base do cruzeiro, sr. Bruno Vicintin, publicou em seu twitter nesta segunda-feira, 13/05, a clara intenção de, no próximo duelo entre seu clube  e o Atlético, se não der na bola, que o time azulino parta para a pancadaria.

Ele foi bastante explícito. Vejam:

amensagem

O sr. Vicintin apagou o tweet, depois de censurado pelos próprios cruzeirenses.

Destempero, desespero, irresponsabilidade e falta de caráter se juntam numa mesma pessoa. Pessoa esta que deveria, devido ao cargo que ocupa, ter um comportamento exemplar e não o de um bandido.

E O REPRESENTANTE DO CRUZEIRO NA BAND SEGUE A ONDA DE  INVESTIR NA VIOLÊNCIA.

Seguindo a mesma linha de incitamento à violência, o sr. P.C. Almeida, representante do cruzeiro no programa Os Donos da Bola, da Tv Bandeirantes, tuitou hoje aquilo que ele imagina ser a melhor tatica para enfrentar o Atlético:

apcalmeida

1 – Irresponsailidade insana vinda de uma pessoa que trabalha (até quando?) em um veículo de comunicação tão importante quanto a TV Bandeirantes.

2 – O incentivo à pancadaria dentro de campo extrapola as 4 linhas e se alastra para as arquibancadas.  Principalmente quando sabemos que as duas torcidas se encontrarão no próximo domingo, no Mineirão. É como acender um estopim no pior momento.

3 – A PMMG tem a obrigação de inquirir severamente os srs. Bruno Vicintin e P. C. Almeida. E até o MP deve ser acionado (ação esta que será tomada).

Em tempos de extremada violência, com perdas de vidas só porque vestem uma camisa do time rival, é monstruoso que duas pessoas formadoras de opinião incitem explicitamente a pancadaria.

Nota: Ambos apagaram os tweets sob a justificativa de que se expressaram mal. Segundo eles, pediam apenas uma maior pegada do time em campo. As desculpas dos dois foram idênticas. Sinal de que, além de irresponsáveis, são também pouco criativos… ou não estudaram o que significa “sinônimo” em português.

Print screen feito pelo @RafaelOrsini, criador do blog paixaopretoebranca

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O DIA EM QUE MINHA MÃE SE TORNOU ATLETICANA

colunarobertolopesNa campanha do Galo de 1999, a partir das oitavas de final, eu adotei um ritual. Como morava no Rio de Janeiro, vinha todo final de semana que tinha jogo, ia ao Mineirão e pegava a estrada direto para voltar depois dos jogos. Chegava ao RJ de madrugada, sempre feliz.

Naquele ano, pra quem se lembra, os mata-matas eram em três jogos, sendo os dois últimos na casa do time que tinha feito melhor campanha. O Galo chegou à final contra o Corinthians, um jogo no Mineirão, dois em SP.

Vim para BH, obviamente. Na saída para comprar os ingressos, perguntei para minha mãe e para minha irmã se não queriam ir comigo. Não há notícia de qualquer uma delas em um estádio antes disso. Disse para a minha mãe que ela ia se apaixonar pela torcida do Galo. Ela se animou, acho que mais pela minha empolgação do que por qualquer outra coisa – mãe é mãe – e decidiu ir. Ficou toda feliz quando emprestei para ela uma das minhas camisas do Galo, para ela poder ir vestida a rigor. Minha irmã, flamenguista como meu pai, disse que ia também, mas se recusou a vestir uma camisa do Galo.

Minha mãe gostava de futebol, mas nunca tinha declarado torcida para nenhum time. Dizia que torcia para a seleção – e como torcia, ficava doidinha. Era comum ouvir ela explicando, depois de alguma vitória do Brasil: “Isso é bonito demais, gente!”

Aliás, se tinha Brasil escrito em algum lugar do uniforme, podia ser seleção de qualquer coisa, purrinha ou copo d’água, ela torcia, e muito.

A paixão da minha mãe era essa: o Brasil. O esporte era só um meio de comunicação com a pátria. Não é difícil entender porque uma mulher que era 100% a favor da liberdade e foi presa, grávida de nove meses, no auge da ditadura, gostava tanto de poder gritar Brasil sem medo.

Pois lá foi ela, vestida de preto-e-branco, mais por amor ao filho do que por amor ao Galo. Naquele dia estiveram em campo 90 mil atleticanos. Chegamos bem mais cedo, para ter certeza de pegar um bom lugar na arquibancada, e então tivemos tempo de saborear a torcida durante muito tempo antes do jogo.

O Galo fez um gol com 1 minuto de jogo. Não me esqueço da cena da Gaviões abaixando o bandeirão correndo para ver o que tinha acontecido.

O Galo deu um show e ganhou por 3×2. A torcida deu um show maior  ainda e, cantando o hino, ganhou mais uma integrante, minha mãe. Vestida em preto-e-branco, ela explicou: “Isso é bonito demais, meu filho!”, e me agradeceu muitas vezes, depois desse dia, por ter proporcionado a ela a visão tão próxima de 90 mil amores incondicionais.

Julia se foi num dia 13, no ano de 2011. Sofreu um AVC logo depois de passar a madrugada torcendo para a seleção brasileira de vôlei. Sempre brasileira. Sempre minha mãe. Atleticana desde uma vez, em 1999, até morrer.

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REAJUSTE DO GNV – UM TIRO NO PÉ?

money-tree-2-300x257O GNV (Galo Na Veia), programa de sócio-torcedor do Atlético, que deu tão certo desde sua criação, sofreu um reajuste. Foi de R$ 200,00/mês para R$300,00 mensais.

Um aumento de 50%!!

Quando o plano foi acionado, o time não tinha os jogadores que tem hoje. Portanto, o plano, para a época, era caro. Mesmo assim, a Massa aderiu e fez dele um sucesso de vendas.

Agora sim, com os nomes que figuram no elenco do Galo, o valor de R$ 200,00 por mês seria justo. Um aumento de 25% (R$ 250,00/mês) talvez fosse absorvível pela maioria.

Mas 50% de reajuste, na minha modesta opinião, é abusivo. Muitos que o adquiriram, mesmo à custa de sacrifícios pessoais, serão obrigados a abrir mão do GNV em prol da minoria endinheirada que paga R$ 300,00 com um pé nas costas. Resta saber até quando, pois, do mesmo modo que o mundo dá voltas, as fases dos times também.

A diretoria do Atlético deixou (ou impôs) uma opção: caso o sócio pague o valor anual à vista, pagará o valor antigo: R$ 200,00 X 12 = R$ 2.400,00.

Se pagar parceladamente, o valor anual subirá para R$ 3.600,00. Um absurdo, pois se adquirir um empréstimo de R$ 2.400,00 no banco, você pagará em torno de R$ 258,00 mensais!! Ou seja, no total seriam R$ 3.096,00, bem abaixo dos R$ 3.600,00 estipulados pelo Galo.

Em suma, muitos encherão os cofres dos bancos em detrimento de ajudar o próprio clube simplesmente porque o time do coração, ao invés de aumentar as mensalidades com alguma racionalidade, resolveu sangrar os bolsos dos atleticanos de uma maneira que eu considero vil e desumana.

Sabemos que o futebol já se converteu, há tempos, em “business”. Mas, ao mesmo tempo, entendemos também que, no futebol,  para sustentar qualquer grande negócio é necessário ter um público fiel. Aquele torcedor que segura a barra até nos piores momentos. E, na minha visão, o Clube Atlético Mineiro está descartando justamente essa parcela da torcida.

Está desprezando aqueles que pagaram mais do que merecia o valor inicial do plano. Pouco a pouco, a qualidade da equipe foi se ajustando ao preço cobrado. Mas agora, com esse aumento estratosférico, a diretoria do Galo define: nós não precisamos de vocês, que nos ajudaram no início! Futebol é dinheiro… e SÓ dinheiro! Descartamos vocês, embora nos tenham dado a mão quando precisamos!

Há que se ter limites para tudo na vida, ainda mais quando tratamos com o coração atleticano, um coração que sangra há 42 anos sem um título brasileiro. Se seguir por essa lógica, teríamos de ser ressarcidos com R$ 300,00 mensais X 42 anos!!

Futebol é negócio, entendemos, mas nunca deixará de ser paixão! E receio que desprezar esse detalhe importante pode acabar se tornando um tiro no próprio pé!

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GUILHERME, A INCÓGNITA – MISSÃO PARA CIENTISTAS.

guilhermeQuando Guilherme chegou ao Galo, eu, por coincidência, tinha visto um jogo seu poucos dias antes, na Rússia.

Não fez nada, foi um dos piores em campo. Por esse motivo, não me entusiasmei pela contratação. Mas não critiquei sua vinda esperando que ele se recuperasse sob o sol deste país tropical. Afinal, na Rússia, as temperaturas abaixo de zero influem diretamente nas atuações, todo mundo sabe disso. E tive a esperança de dar certo, mesmo sabendo que quando foi vendido pelo cruzeiro, ele já não estava bem.

Mas Guilherme, tirando o campeonato mineiro de 2012 e algumas poucas partidas no 1º turno do Brasileiro, não encontrou seu lugar. Até hoje não sabemos qual posição é seu habitat, aquele terreno que ele conhece como ninguém. Pois em todos os setores de campo, ele não produziu o que se esperava dele.

É atacante? Não, é meia. É meia? Não, é atacante. Joga pelos lados? Não, joga centralizado. Joga mais pelo centro? Não, joga pelos lados. Ora, ora, que raios de jogador é esse que nem a própria torcida sabe a sua real posição, aonde ele rende mais? A posição verdadeira do Guilherme é uma incógnita digna de ser estudada por cientistas renomados!

E vem agora, justo numa semana decisiva, proclamar aos 4 ventos a sua insatisfação com a reserva! Quer entrar no lugar de quem? Ronaldinho? Tardelli? Bernard? Jô?

Faça-me o favor! Quando Guilherme entrou, por uma contingência, no lugar de um dos citados, só faltou dormir em campo!

Poucos tiveram tantas chances de jogarem, mostrarem futebol e se firmarem no time titular do Galo. Mas Guilherme não conseguiu sequer botar uma pulga atrás da orelha do Cuca!

Pena que tenha custado tanto dinheiro porque agora será um dificultador para sua saída. Pena que o clube tenha recusado proposta de ouro do CSKA no ano passado. Pena que Guilherme tenha sido apenas uma penugem que não fez diferença. Nem cosquinha!

E quer forçar a barra para ser titular…

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DEPENDÊNCIA TARDELLIANA E O LU(I)XO DO MINEIRÃO.

diego-tardelli-comemora-gazeta-press-436SOBRE O JOGO:

Eu tinha dúvidas sobre a real importância de Bernard e Tardelli no dinamismo tático da equipe atleticana. Hoje não tenho mais. Os dois jogadores, mais Ronaldinho Gaucho, são os responsáveis diretos pelo jogo criativo, veloz e envolvente que o Galo desenvolvia até então.

Com suas ausências, a equipe empobreceu tecnicamente de uma tal forma que no jogo contra o Villa Nova custou a estabelecer um domínio claro das ações em campo. Pelo contrário, em alguns momentos, o Villa é que ditou o ritmo.

Em elenco com as  ambiciosas aspirações do Galo este ano, deveria existir reservas à altura dos titulares para que o time não sentisse tanto. Só como exemplo, peguem o plantel do Corinthians. Saem dois ali e o time não sente nem cosquinha. Têm reservas que mantêm o nível, o esquema e a fluidez de jogo.

Essa hiper-dependência de dois jogadores não é um bom sinal para o Atlético. Embora quase incomparáveis tecnicamente, deveriam ter peças de reposição com as mesmas características.

Até que Bernard tem em Luan um substituto que produz razoavelmente pelo lado esquerdo, embora corra mais do que raciocina. Mas Tardelli está absolutamente descoberto.

SOBRE O MINEIRÃO:

Considero o Mineirão um curral de luxo que trata gado holandês como gado pé duro. Com o ingresso na mão, a torcida enfrentou gargalos para entrar no estádio e algumas pessoas, apesar de terem chegado bem antes do início do jogo, só conseguiram assistí-lo aos 40 minutos do 1º tempo. Um absurdo de incompetência. Um verdadeiro acinte ao consumidor. E o pior, impunemente!

Segundo o dr. Jarbas Lacerda, o Galo deverá receber apenas 43% da renda. Isso traduz fielmente a ação entre amigos que o governo mineiro estabeleceu no estado. O protagonista do espetáculo _ que leva 48.000 pagantes ao estádio _ é o clube. Entretanto, quem ganha é a empreiteira. Absurdo dos absurdos!

Os pouco mais de 8.000 ingressos de renda exclusiva da Minas Arena (anel inferior) não foram vendidos, deixando vazios na arquibancada. A empreiteira carioca não se interessou em vendê-los. Seriam mais de R$ 1.300.000,00  a serem reduzidos nos pagamentos (R$ 3.700.000,00) que o governo, idiotamente, realiza todo santo mês.

Por ter esse montante garantido, a Minas Arena não se move para vender ingressos. Afinal, com um contrato assinado no qual a empreiteira entrou com a p… e todos nós (povo, clubes e governo) com a bunda, que interesse haveria? Às custas de amigos políticos, botaram o burro na sombra!

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TORCEDORES TÊM QUE SER DE VERDADE, ORGANIZADOS OU NÃO

colunarobertolopesHá algum tempo tenho pensado mais sobre torcidas organizadas do que ordinariamente faço. Como nunca fui integrante de uma, e sempre me preocupei mais com o time do que com elas, esse tema nunca mexeu muito comigo. É possível que este seja mais um dos muitos sintomas dessa insensibilidade que o mundo de hoje provoca na gente. Minhas reflexões recentes, aliás, começaram de forma meio egoísta, por conta de seguidas decepções causadas por fatos envolvendo a principal torcida do Galo (durante anos, quase a única): a Galoucura.

Integrantes dessa torcida assassinaram um cruzeirense há algum tempo. Nada justifica um absurdo desses.

Depois da reabertura do Independência fui a praticamente todos os jogos no estádio, da Copa do Brasil, do Brasileiro, do mineiro e da Libertadores. Concluí que a Galoucura já não é a mesma. Em vários jogos, a torcida não-organizada apoiou e empurrou muito mais do que a organizada. Ninguém me contou, eu vi e ouvi.

Há algumas semanas, finalmente, vim a saber que a torcida confeccionou (parece que já faz mais tempo) uma bandeira com Renê Barrientos, o militar boliviano que prendeu e matou Che Guevara. A pergunta óbvia: mas por quê isso? A resposta: é porque o símbolo da organizada rival azul-calcinha é o revolucionário argentino-cubano. A Galoucura justificou, em nota oficial no site, dizendo que não tem nada contra a democracia ou a favor da ditadura, mas fez isso apenas por rivalidade.

Barrientos tomou o poder na Bolívia com um golpe apoiado pela CIA, e derrubou um governo democraticamente eleito. Insanidade, burrice, ignorância, tudo tem limite. Meu respeito pela Galoucura, que já foi grande e veio minguando, acabou de vez.

Obviamente, não é privilégio nosso. Há algumas semanas aconteceu o inacreditável episódio da morte do menino Kevin Spada causada por integrantes da organizada do Corinthians. O clube foi punido, a princípio de forma mais dura, e depois a Conmebol “aliviou”. Um menor de idade, aparentemente “laranja”, veio a público dizer que era o culpado, e, ao que tudo indica, ganhou uma bolsa de estudos da torcida, agradecida que estava.

A torcida do Coritiba quebrou o estádio quando o clube foi rebaixado, há alguns anos.

Membros da torcida organizada do Palmeiras acabam de agredir o time no aeroporto. Esse pessoal, aliás, é bom nisso, já deve ser a centésima vez que eles agridem jogador do time.

Exemplos não faltam.

Qualquer reflexão sobre estas organizações e sobre as pessoas que as integram passam por uma pergunta: O QUÊ eles são? São torcedores, ou outra coisa? O quê?

Então, quem é torcedor e quem não é? Qualquer um que vai ao campo é torcedor? Para mim, não.

É torcedor, penso eu, quem vai ao campo e leva seu filho, sua filha, seu pai, sua mãe, para que estes sejam testemunhas de um ato de devoção, de amor. É quem se junta com os amigos para fazer crescer o apoio ao time. É quem vai para o campo, sozinho que seja, cantar o hino e gritar o nome do clube, e até xingar o juiz, por quê não? Não é quem sai de casa para brigar ou cantar que “vai dar porrada” e fazer e acontecer.

Torcedor, na minha opinião, é quem vai ao campo só porque gosta do time, porque quer vê-lo ganhar. É quem dá seu amor, seu tempo, seu dinheiro, sem pedir, esperar ou receber nada em troca. É quem gasta o salário para comprar ingresso, refrigerante, cerveja, passagem, tropeiro e o que mais houver, e dá seu tempo e sua voz ao clube que ama para estar ali, no estádio, sem receber NENHUMA vantagem do clube por isso.

Se houver qualquer contrapartida do clube, a relação, para mim, já não tem o mesmo valor. Já não é torcedor, é outra coisa e, sinceramente, saber que outra coisa é essa importa mais para a polícia do que para a torcida de verdade.

Ninguém sabe direito o que as organizadas ganham, mas é certo que ganham. Em alguns casos, ingressos de graça, às vezes ingressos mais baratos, que repassam com lucro, igualzinho (!) aos cambistas, outras vezes o transporte. Procure na internet e você vai ver. Em governança corporativa, dá-se a essa situação o nome de “conflito de agência”, onde quem deveria defender os interesses de quem o colocou em determinada posição acaba defendendo interesses próprios e conflitantes e, ainda que não deliberadamente, termina prejudicando aquele que deveria ser beneficiado.

A torcida deveria se organizar, sim, mas a torcida de verdade, aquela que gosta do clube, não do bolso do clube. Aquela que não tem conflito de interesses. No caso do Galo, movimentos organizados recentes, como os Embaixadores do Galo, a Fúria Alvinegra, o Movimento 105 Minutos, são exemplos de torcedores reais que se organizaram para torcer. Isso é torcida organizada, como o próprio nome diz.

A gota d’água, aliás, para eu escrever este texto, foi uma sequência de tuítes dos Embaixadores do Galo de dois dias atrás, onde eles disseram: “Agradecemos o carinho, os elogios que nós, Embaixadores do galo, estamos recebendo. Mas é bom enfatizar que fazemos parte da MASSA… e é a Massa q faz com que tudo isso seja um show! Somos uma das atraçoes. Agradecemos o apoio de todas as torcidas que nos acolheram de braços abertos e entenderam a nossa causa… Nao estamos concorrendo com ninguem. É TUDO EM PROL DO GALO MAIS LINDO DO MUNDO… Só uma obs: CAIU NO HORTO ,TA MORTO!!!!!”

Gente que não é torcedor DE VERDADE, que tem interesses contrapostos aos do clube, não pode formar uma “torcida organizada”. Pode, no máximo, formar uma organização qualquer, mas para se aproveitar, não para “torcer”, no sentido puro – e verdadeiro – da palavra.

Se eu pudesse falar a todos os atleticanos, que eu acredito – e os números provam – serem muito acima da média como torcedores, pediria para irem a campo, para cantarem o hino, gritarem o nome do time, apoiarem o tempo todo. Pediria para nunca vaiar ou xingar jogador, pelo menos não antes de acabar o jogo. Pediria, enfim, para nunca cantarem gritos de qualquer organização que, não estando ali incondicionalmente, está abaixo deles, torcedores verdadeiros, na relação com o time.

Cabe a nós, torcedores, apenas isso: torcer pelo Galo. Não nos aproveitarmos dele.

Cabe ao Galo não se deixar usar.

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PRÉVIA DE ATLÉTICO X THE STRONGEST

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Hoje é quarta-feira, dia 06, véspera de um jogo fundamental para as pretensões do Galo na Copa Libertadores da América.

Muitos dão a vitória como fava contada. Ledo engano. Esse jogo será uma pedreira, se o The Strongest se posicionar como se posicionou contra o São Paulo. Só não será assim se o time boliviano decidir encarar o Atlético de igual para igual. Neste caso, sairá do Independência grogue de tantos gols tomados.

Hoje em dia, nenhum time da América do Sul _ incluindo os do Brasil, obviamente _ tem coragem de enfrentar o alvinegro mineiro de peito aberto. Nenhum deles tem a petulância que o Atlético teve, ao jogar ofensivamente para dentro do Arsenal de Sarandi em plena Argentina de los hermanos.

Porém, jogo é jogado e lambari é pescado. Não se ganha um jogo de véspera. Opiniões só servem para esquentar o debate esportivo e não influenciam em nada nas quatro linhas, onde o embate é travado entre duas equipes com o mesmo objetivo. Sai vencedor aquele que possui as melhores armas táticas e técnicas, além de muita vontade. Nada mais conta.

Que o Galo consiga transformar favoritismo em sinônimo de vitória.

E que a torcida, vestida de branco, passe uma mensagem de PAZ ao povo boliviano. Que demonstre para o mundo que o atleticano não é igual ao insano que disparou o sinalizador naval em Oruro. O futebol não foi feito para matar adolescentes de 14 anos.

Futebol é coração pulsante! É vida!

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FUTEBOL, COISA DE RICO

Texto escrito por Marcelo Vargas, caricaturista que atende no twitter @CopoSujoDoGalo. Infelizmente, ele não vai ao clássico.

Colaboração de Tiago Gomes.

avatar-tristeLembra quando a gente ia ao Mineirão? A gente e mais aquele tanto de pé-rapado, sacolejando no balaio pela Antônio Carlos afora? A gente chegava e ficava concentrado do lado de fora, de chinelo, camisa pirata do time, comendo churrasquinho de gato, bebendo cerveja semi-gelada do isopor do ambulante, ouvindo música do som dos carros, falando alto e se acotovelando na multidão? É, o Mineirão já foi desse jeito!

Foi no início da década de 10, do século XXI, que tudo mudou. Fecharam o Mineirão, quebraram tudo lá dentro e reconstruiram, e desde então só quem estiver montado na bufunfa é que pode entrar. Nos dias de hoje, a gente só fica sabendo o que rola do lado de lá dos cercados através da televisão, das revistas e da internet. Só entram ricaços, artistas e convidados. Tipo um Castelo de Caras.

Por causa disso, todos os antigos hábitos tiveram que mudar. Agora que o Mineirão é lugar de rico, de bacana e de magnata, esse negócio de vender tropeiro seria um erro conceitual. Desse tempo em diante, o rango de estádio foi substituido pela Alta Gastronomia. Nada de bares, do tropeiro, do pão com pernil e cebola, cerveja e refri.

Agora o negócio é comida de patrão. Lagosta, escargô, cordeiro à moda dos Alpes, guardanapo de seda, tintos italianos para as senhoritas, whisky do mais puro escocês para os valetes. Agora tem lugar marcado, o mâitre o acompanha até a sua mesa. Volta e meia o garçon pode lhe pedir a atenção: “Seu time acaba de marcar um gol, senhor. Sugiro um Veuve Clicquot para acompanhar”, e o quarteto de violinos toca um trechinho do hino do clube.

Quem optar por assistir ao jogo de seu confortável assento revestido do mais macio couro de cabras albinas da Capadócia, naquele local onde em eras passadas já existiu uma arquibancada, pode contar com o serviço dos vendedores ambulantes.

Devidamente uniformizados com fraques e gravatas borboleta, com seu carregado sotaque britânico e munidos de suas bandejas de prata, eles lhe oferecem água Perrier meticulosamente gelada, um guardanapinho com suas iniciais bordadas para segurar a garrafinha, para o senhor não molhar os dedos, ou um petit gateau para degustar enquanto aprecia o match.

Depois da partida, todos são convidados para o baile que ocorre no lobby central, com direito a valsa, acepipes e canapés, onde os distintos senhores podem puxar o saco do governador, do senador ou dos acionistas majoritários das grandes corporações, e falar mal daquele diretorzinho que só tem três carros. E na hora de ir embora, o manobrista exige apenas a pequena gorjeta de cinquenta reais.

Mas isso tudo que lhe conto agora é só o que eu ouvi falar. Sou do tempo em que o Mineirão era de todo mundo e qualquer um podia frequentá-lo. Agora estão dizendo que o Mineirão evoluiu. E naquela época, me diziam que antigamente é que o futebol era elitizado. Acho que a ideia é justamente essa, um processo de volta às origens. Uma evolução pra trás! Já tiraram os não-ricos da roda. Agora falta chamar goleiro de goalkeeper e proibir a entrada de pretos (a não ser que seja pra trabalhar, claro).

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