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SEM MEDO DE SER FELIZ

Por José Gama Jr. –  Advogado de profissão e atleticano de coração

Em 1977 houve quem dissesse que nunca mais voltaria ao Mineirão para ver o Galo depois daquela terrível disputa de pênaltis que nos custou o campeonato brasileiro.

Jogamos hoje em um estádio que é o caldeirão do Galo. Fizemos da Arena Independência o nosso terreiro. Lá temos a força de uma fanática torcida e um aproveitamento recorde.

Em 1980, ainda menino, vi um time de craques como Reinaldo, Éder, Cerezo, João Leite, parar nos pés de um Flamengo igualmente recheado de craques, mas favorecido por uma arbitragem tendenciosa e inescrupulosa.

Hoje continuamos sendo mais prejudicados que auxiliados pela arbitragem. Mas com a televisão em todos os jogos e uma diretoria mais atuante (méritos para o Presidente Alexandre Kalil, tão criticado em outras temporadas por ser aguerrido e até radical em suas posições) já não há tanta brecha para manipulações no apito.

Tantas vezes paramos no meio do caminho, chegamos quase lá, mas não fomos campeões.  Eram campeonatos que pareciam mais copas, com disputas em mata-mata em que em dois jogos todo o trabalho de um ano podia ser jogado fora. Chegamos ao absurdo de perder o título de campeão brasileiro invictos, fruto de regulamentos confusos e injustos.

Em um campeonato por pontos corridos como o atual Brasileirão, a melhor equipe, salvo raríssimas exceções, é a campeã. O acaso pode beneficiar algum time que cresça em determinado ponto e arranque para o título, mas em quase dez anos nesse regulamento o que se viu foi que o melhor trabalho, o melhor plantel, a melhor equipe é que leva a taça.

Temos hoje um centro de treinamento que é considerado o melhor do Brasil. Temos uma comissão técnica de altíssimo nível. Temos craques como Ronaldinho Gaúcho jogando ao lado de revelações como Bernard. Temos um banco de reservas que seria titular na maioria dos times do campeonato.  E o trabalho vem dando resultados. O Galo é líder, mesmo com um jogo (estranhamente adiado) a menos.

É hora de ousar. De querer ser campeão mais do que qualquer outra coisa. De afastar todos os obstáculos internos, de passar por cima de todos os problemas, de criar uma união dentro e fora do gramado. Da torcida mais uma vez empurrar o Galo para as vitórias.

É hora de ter espírito de vencedor. Para chegar e ficar no topo, onde é o nosso lugar. Com trabalho, com suor, com mérito e com alegria. Com a alegria de campeão. É hora de ser mais uma vez campeão brasileiro, Galo!

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INDEPENDIENTE DE SANTA FÉ 1 X O ATLÉTICO – RENAN RIBEIRO E O CAMPO DOS SONHOS!

Cá entre nós, foi um jogo horroroso!

O time reserva do Galo jogou alguma bola hoje? Meu caro amigo, o Atlético não jogou absolutamente nada!

Nem na defesa _ que se sustentou na base da garra _ , nem no meio de campo _ que inexistiu _ e nem no ataque, que sobreviveu às custas de faltas cometidas em Ricardo Bueno.

Ah, então Ricardo Bueno jogou bem? Não, meu amigo, não jogou nada. Só sofreu faltas em cima de faltas. Mas, pelo menos, soube cavá-las na hora certa e esse foi o seu grande mérito.

Mas o Galo trouxe o mais importante: a classificação para a próxima fase da Copa Sul Americana.

Apesar da classificação e do desempenho abaixo da crítica, não vou criticar ou destacar nenhum jogador… a não ser Renan Ribeiro.

Este sim, foi um gigante!

E, por causa da atuação inesquecível de Renan Ribeiro, eu vou lhes contar uma história, de atleticano para atleticano: Era uma vez…

João Leite era o terceiro goleiro do Galo nos anos 70. O titular era Ortiz, um goleiro argentino doido de jogar pedra na cruz.

Tão louco que, numa determinada ocasião, em vez de pegar com as mãos, matou no peito uma bola chutada por Dirceu Lopes, um dos maiores jogadores do cruzeiro de todos os tempos.

E depois saiu jogando como se nada tivesse acontecido.

Vocês podem imaginar o que aconteceu. A Massa atleticana quase implodiu o Mineirão. Naquele momento, temi desabar junto com as arquibancadas.

Ortiz (foto a esquerda) era um verdadeiro ídolo da Massa. E o merecia com todas as consoantes e vogais.

Era o goleiro das bolas impossíveis.

As fáceis tinham muito mais possibilidades de entrar do que aquelas que qualquer goleiro rezaria para que a Santíssima Trindade resolvesse o problema.

Mas com Ortiz não. Ele mesmo resolvia.

Eu sei que neste exato instante, os leitores que curtiram aqueles momentos mágicos estão morrendo de saudades. Eu também estou, enquanto escrevo.

Contudo, doido como era, Ortiz, um dia, resolveu chutar o balde da diretoria do Galo, que não pagava os salários. Simplesmente sumiu no mundo um pouco antes do início do campeonato brasileiro.

Para o seu lugar, foi chamado o reserva imediato, Sérgio Biônico, um bom goleiro. Mas tinha uma grande problema: a baixa estatura.

E contra o Remo, do Pará, na sua estréia pelo campeonato brasileiro, levou um gol que entrou à meia altura no canto. Bola perfeitamente defensável e que ele deixou passar.

No jogo seguinte, contra o Santos _ e eu estava lá firme na arquibancada  _ Barbatana, o técnico, escalou João Leite.

Era o terceiro goleiro. Mas era alto, forte e ágil. E fechou o gol contra o Santos. E fechou o gol no jogo seguinte. E fechou outras vezes mais. E virou uma verdadeira muralha lá atrás.

Quando tudo parecia perdido, era João Leite que fazia o derradeiro milagre.

Sabem qual o ano em que João Leite se tornou titular? Foi em 1977, ano em que o Galo, invicto como vice-campeão brasileiro, obteve 12 pontos a mais que o campeão, o São Paulo.

E o São Paulo só foi campeão porque o STJD deu um jeito de julgar Reinaldo, o melhor jogador da época, às vesperas da decisão.  Adiaram o julgamento com o intuito de desfalcar o alvinegro de seu artilheiro justamente na hora em que a cobra ia fumar.

No primeiro ano como titular, João Leite (foto a direita) chegara a uma decisão de campeonato.

E durante os dez anos seguintes permaneceu no posto com todo o merecimento. Um dos maiores goleiros que o Galo já teve em todos os tempos.

Porque lhes conto esse episódio da vida do Atlético?

Porque, além do enredo ser muito parecido, eu vejo em Renan Ribeiro a reencarnação dos grandes goleiros que o Galo já teve.

Eu vislumbro em Renan Ribeiro a agilidade de Renato, o goleiro campeão de 1971.

Eu enxergo em Renan Ribeiro a picardia de Ortiz, a destreza de Mazurkievicz, a inteligência de Mussula, os reflexos apurados de Veloso, a elasticidade de Diego Alves, a leitura da jogada de Marcial e a calma de Taffarel, fora os que estou esquecendo em todos estes anos.

Eu intuo em Renan Ribeiro o futuro. Dez anos de titularidade absoluta, se não for vendido de forma insana.

Hoje eu vi João Leite jogar novamente. Hoje eu tive a felicidade de assistir Ortiz praticar os seus loucos milagres e revi Diego Alves com a número um preta e branca.

Foi como se assistisse ao filme “Campo dos Sonhos”. Através da atuação de Renan Ribeiro, desfilaram diante de mim todos os grandes goleiros do Galo, fantasmas queridos.

Estou realizado. E, por favor, perdoem-me a emoção.

Obs: O negrito nos nomes é em respeito aos imortais.

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