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MÁRIO MARRA FALA À NAÇÃO ATLETICANA – EM ENTREVISTA.

O L&N tem a imensa honra de entrevistar Mário Marra, um comentarista esportivo da mais alta qualidade, um dos melhores deste país. Mário Marra prontamente atendeu ao meu pedido e se dirigiu  à nação atleticana. E o fez com postura e opiniões corajosas que só os homens corretos possuem. Além disso, foi tão sincero na entrevista, que, ao ler a  última resposta (quando fala de sua mãe atleticana), não pude conter a emoção. E muitos também se emocionarão, tenho certeza.

Vamos à entrevista:

Lances & Nuances: Prezado Mário, você é recém saído de Minas Gerais. Hoje, atua na rádio CBN em nível nacional e também participa do “Arena”, programa esportivo do Sportv. O que mudou na sua vida profissional, além da mudança para São Paulo?

Mário Marra: Mudou muita coisa. Em BH, eu dividia minha vida profissional. Não podia me dedicar integralmente. Em São Paulo, a minha dedicação é integral e a minha preocupação é apenas com o trabalho. Não posso falar por outras pessoas, mas levo uma vida muito mais profissional e concentrada. Fiz minha rotina de trabalho e a Rádio estimula o meu desenvolvimento

L&N: Conte-nos um pouco de sua vida em Minas Gerais, do seu progresso pessoal por aqui e de como você se interessou pelo jornalismo esportivo.

MM: Sou daqueles alucinados por rádio e pelo futebol. Sou um consumidor de futebol e sempre quis trabalhar com esporte. Joguei futsal no juvenil da AABB e aos 19 anos senti que não dava mais para viver de sonho. Fiz duas cirurgias no joelho direito e passei a ter medo das divididas, ou seja, acabou a aventura com a bola.

Como sempre consumi futebol e sempre tive interesse pela parte tática que o futsal ensina muito bem, procurava ver o esporte com um olhar diferente e crítico. Em 2000, o então gerente de jornalismo da CBN, Walter Huamany, falou de mim para o Guiotti e tive a oportunidade de comentar meu primeiro jogo. Era um America x Rio Branco, de Andradas.

O detalhe é que estava com minha mãe no hospital e vivendo seus últimos dias. Encarei o jogo e dei muita sorte nas substituições. Fui chamado outras vezes e outras.

Em 2002, com a chegada da Rádio Globo Minas, assinei meu contrato como comentarista. Fiquei dois anos trabalhando, me divertindo, aprendendo e depois de dois anos é que fui contratado. Dois anos sem receber? Sim! Era uma aposta e deu resultado.

Fazia Publicidade e mudei o curso para Jornalismo. Acho que a base do trabalho foi o respeito. Não xingava ninguém e não é preciso ser jornalista para apenas gritar. Usava a ironia e a educação para falar que o jogador estava mal. Algumas pessoas passaram a perceber que eu procurava não repetir velhas fórmulas. Na verdade, sempre me senti incomodado com gritarias e ofensas. Tenho um filho e fico pensando o que ele sentiria se ouvisse que eu sou ridículo, idiota e por aí vai. Respeito é primordial.

L&N: Qual a sua opinião sobre Ricardo Teixeira, alvo de acusações graves de recebimento de propinas, mas que sempre consegue manter-se são e salvo no cenário brasileiro?

MM: Ricardo Teixeira representa o que existe de mais atrasado no país. É constrangedor perceber a arrogância e politicagem. Se ele tivesse interesse em melhorar o futebol brasileiro, já teria resolvido. São muitos anos de cargo e pouquíssima evolução. A estrutura do futebol brasileiro é errada. A CBF se serve dos clubes e deveria ser o contrário. A Copa do Mundo no Brasil era um sonho de infância e se transformou em uma grande decepção.

As coisas acontecem bem na nossa frente e vão continuar acontecendo. A Copa é dele e para ele. Quem se junta a ele corre o “risco” de se dar muito bem e de se queimar como profissional. Até parece que existe uma conspiração internacional contra ele. Ora! É óbvio que tem muita coisa mal explicada e culpa no cartório.

L&N: Sabemos que você tem um carinho especial pelo futebol mineiro. Sendo assim, você acha que o Daniel Carvalho, do jeito que está, deveria ter mais chances ou o Dorival Júnior está certo de mantê-lo até mesmo fora da lista de relacionados para os jogos?

MM: Não é que eu tenha um carinho pelo futebol mineiro. É que sou mineiro de coração. Nasci em São Paulo e vim pra BH com menos de dois anos. O Mineirão é minha casa profissional. Antes de completar meus 8 anos, no dia 5 de março de 78, estava lá com minha mãe e meu padrinho. Sinto-me mineiro e quero ser sempre mineiro.

Critiquei a contratação do Daniel Carvalho desde o anúncio e o tempo me mostra que eu não estava tão errado. O futebol dele não casa com a idéia de bola do Dorival. O time dele tem cara de time rápido e Daniel Carvalho trava o jogo, desacelera. Alguém poderia até argumentar que ele pensa o jogo e é verdade. Entretanto, é preciso entender que para o grupo, a presença dele no time titular não é boa. Os outros treinam, trabalham, emagrecem e ele nunca entra em forma? O que os outros jogadores falam entre eles? Como fica o treinador que cobra de uns e permite que outros se excedam? Sem falar no dinheiro jogado fora, né…

L&N: Apesar de estar apenas no início, qual seria a perspectiva do Galo para o campeonato brasileiro depois das duas vitórias recentes e do nível de futebol jogado até aqui? O que podemos esperar da equipe?

MM: Costumo ver e rever as coletivas na TV Galo. O discurso do Luxa era totalmente furado e fui muito criticado ano passado por falar isso. Pare para ver e rever o que o Dorival fala. A base, a idéia de time é a mesma desde o início do ano. Ele não se contradiz e não precisa apelar para o discurso do pão, da fome e outras viagens. Não sei se o Galo vai para a Libertadores, mas sei que o trabalho é mais confiável.

L&N: Recentemente, a Folha divulgou que o Atlético era o clube mais endividado do futebol nacional, o que foi prontamente desmentido pelo presidente Kalil, que acusou o jornal de se basear em dados errados. Posteriormente, outros meios de comunicação propagaram que o Atlético é o time mais rico do Brasil se forem considerados patrimônio, faturamento e gastos. Afinal, em quem podemos acreditar? Ou tudo é um jogo político de acordo com as circunstâncias?

MM: Não me pareceu um jogo político. Houve uma mudança da interpretação de uma nova regulamentação. O que percebo é que a imagem do Galo está mudando. Aquela idéia de um time que caminhava para a falência se desfaz. O investimento em estrutura faz bem e trará resultados. É uma pena que em campo as coisas ainda caminhem lentamente, mas é melhor acreditar em seriedade. Acho e repito que o Atlético precisa de uma oposição séria, inteligente e competente. Fatalmente eu votaria no Kalil, mas a oposição é salutar e engrandece, questiona. Alexandre Kalil faz um bom trabalho, mas não gosto de ver o conteúdo (que normalmente é bom) perder espaço para a forma (gritaria).

L&N: A mídia mineira é, aos nossos olhos, flagrantemente parcialista, da mesma forma que enxergamos a mídia nacional com o foco voltado para o eixo Rio/SP. Até quando _ no seu conceito de jornalista íntegro e isento _ vamos conviver com esse tipo de atuação, que abre mão da essência do jornalismo, que é o de bem informar sem subterfúgios e sem preferências?

MM: Não vejo solução. O Rádio é muito regional e o normal é que a tv e os jornais dediquem mais tempo aos clubes locais. Existem boas opções. O Ig Esporte faz uma cobertura legal, o Lance! também. Acompanho o Globo Esporte.com e percebo o espaço até nas coletivas do Atlético transmitidas ao vivo. A CBN procura ter uma visão nacional e a Estadão ESPN também. É devagar, mas aos poucos veremos algo de novo e menos regionalizado.

L&N: A torcida atleticana, meu caro Mário, admira o seu trabalho devido ao posicionamento sempre coerente e com muito conhecimento de futebol. Qual a sua mensagem para a numerosa nação atleticana para este ano?

MM: – O que falar para a torcida do Galo? Falar que nos poucos momentos de lucidez dos últimos dias da minha mãe, ela pedia para que eu cantasse o hino para ela? Falar que meu filho já sabe o que é sofrer com o time? Prefiro falar que o Galo está andando para frente. É impossível separar a paixão e achar que o Atlético vai caminhar apenas com a razão. Se eu pudesse pedir alguma coisa, eu pediria o que sempre procurei fazer: não vaiar nunca. Eu disse NUNCA! Por mais que os jogadores não mostrem esforço ou técnica, eles usam a camisa e participam da história. Contra aquela camisa não deveria haver vaia. Sei que o sofrimento e o descontentamento são grandes, mas são menores que a esperança de um dia ver um time que honre a torcida. Acredito no trabalho do Dorival e acho que com seriedade, as coisas podem caminhar melhor.

Muito obrigado pela entrevista, caro Mário Marra.

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