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O SONHO DO GALO NÃO ENVELHECEU

Quando nasci, a estrela amarela já estava no peito. O Atlético era temido dentro e fora de seu terreiro. Fomos semifinalistas em 14 edições do Campeonato Brasileiro. Estranho termos ganhado somente um, o primeiro de todos, depois nunca mais.

Com este jejum de quatro décadas, não existe ninguém capaz de explicar de que sobrevive a torcida atleticana. Mas também não existe atleticano algum que não entenda.

Entre vitórias e derrotas, campanhas memoráveis e outras que preferíamos esquecer, aprendemos a comer sonho. E até o cruzeirense Milton Nascimento sabe que os sonhos não envelhecem.

É como o velho Calebe e o sonho da terra prometida. Quando o povo hebreu deixou o Egito e perambulou mais de quarenta anos pelo deserto, muitos ficaram pelo caminho. A primeira geração, aquela que tinha visto maravilhas e milagres, morreu. Outra geração nasceu em meio à sequidão do deserto. E viveram de sonho.

Calebe era um sobrevivente da primeira geração. Quando foi falar com o jovem líder Josué, contou que tinha saído do Egito aos 40 anos de idade. Estava agora com 85 anos e sentia que seus músculos estavam tão fortes como nos anos de sua mocidade. Estava pronto para entrar na Terra Prometida. Queria, podia, merecia entrar.

Mas eles sabiam que não seria fácil, que enfrentariam gigantes. Para ganhar um solo, é preciso mais do que apenas chegar à fronteira. Tem que ser forte. Tem que guerrear. Tem que se unir. E tem que haver alguma coisa, uma mística, talvez a ajuda do vento que no deserto soprou tanto contra, quem sabe a queda misteriosa de muros intransponíveis enquanto os soldados marcham ao redor.

Pois é. Eu nasci no deserto e estou com sede. No entanto, sinto-me mais forte e pronta do que nunca. Ainda não havia testemunhado um time do Atlético jogar como vem jogando. A mística está aqui para quem quiser ver. Esta força dos guerreiros em campo, este destemor, este canto incessante da arquibancada, nada disso eu nunca vi. Não desse jeito. Não de fazer arrepiar tanto assim.

Sei que ainda é cedo para mandar bordar a segunda estrela na camisa. A guerra será longa e pode ser que, deusmilivriguarde, não saiamos com a taça na mão. Mas, ah, como é bom brigar por um sonho e vislumbrar a terra prometida!

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