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TORCEDORES TÊM QUE SER DE VERDADE, ORGANIZADOS OU NÃO

colunarobertolopesHá algum tempo tenho pensado mais sobre torcidas organizadas do que ordinariamente faço. Como nunca fui integrante de uma, e sempre me preocupei mais com o time do que com elas, esse tema nunca mexeu muito comigo. É possível que este seja mais um dos muitos sintomas dessa insensibilidade que o mundo de hoje provoca na gente. Minhas reflexões recentes, aliás, começaram de forma meio egoísta, por conta de seguidas decepções causadas por fatos envolvendo a principal torcida do Galo (durante anos, quase a única): a Galoucura.

Integrantes dessa torcida assassinaram um cruzeirense há algum tempo. Nada justifica um absurdo desses.

Depois da reabertura do Independência fui a praticamente todos os jogos no estádio, da Copa do Brasil, do Brasileiro, do mineiro e da Libertadores. Concluí que a Galoucura já não é a mesma. Em vários jogos, a torcida não-organizada apoiou e empurrou muito mais do que a organizada. Ninguém me contou, eu vi e ouvi.

Há algumas semanas, finalmente, vim a saber que a torcida confeccionou (parece que já faz mais tempo) uma bandeira com Renê Barrientos, o militar boliviano que prendeu e matou Che Guevara. A pergunta óbvia: mas por quê isso? A resposta: é porque o símbolo da organizada rival azul-calcinha é o revolucionário argentino-cubano. A Galoucura justificou, em nota oficial no site, dizendo que não tem nada contra a democracia ou a favor da ditadura, mas fez isso apenas por rivalidade.

Barrientos tomou o poder na Bolívia com um golpe apoiado pela CIA, e derrubou um governo democraticamente eleito. Insanidade, burrice, ignorância, tudo tem limite. Meu respeito pela Galoucura, que já foi grande e veio minguando, acabou de vez.

Obviamente, não é privilégio nosso. Há algumas semanas aconteceu o inacreditável episódio da morte do menino Kevin Spada causada por integrantes da organizada do Corinthians. O clube foi punido, a princípio de forma mais dura, e depois a Conmebol “aliviou”. Um menor de idade, aparentemente “laranja”, veio a público dizer que era o culpado, e, ao que tudo indica, ganhou uma bolsa de estudos da torcida, agradecida que estava.

A torcida do Coritiba quebrou o estádio quando o clube foi rebaixado, há alguns anos.

Membros da torcida organizada do Palmeiras acabam de agredir o time no aeroporto. Esse pessoal, aliás, é bom nisso, já deve ser a centésima vez que eles agridem jogador do time.

Exemplos não faltam.

Qualquer reflexão sobre estas organizações e sobre as pessoas que as integram passam por uma pergunta: O QUÊ eles são? São torcedores, ou outra coisa? O quê?

Então, quem é torcedor e quem não é? Qualquer um que vai ao campo é torcedor? Para mim, não.

É torcedor, penso eu, quem vai ao campo e leva seu filho, sua filha, seu pai, sua mãe, para que estes sejam testemunhas de um ato de devoção, de amor. É quem se junta com os amigos para fazer crescer o apoio ao time. É quem vai para o campo, sozinho que seja, cantar o hino e gritar o nome do clube, e até xingar o juiz, por quê não? Não é quem sai de casa para brigar ou cantar que “vai dar porrada” e fazer e acontecer.

Torcedor, na minha opinião, é quem vai ao campo só porque gosta do time, porque quer vê-lo ganhar. É quem dá seu amor, seu tempo, seu dinheiro, sem pedir, esperar ou receber nada em troca. É quem gasta o salário para comprar ingresso, refrigerante, cerveja, passagem, tropeiro e o que mais houver, e dá seu tempo e sua voz ao clube que ama para estar ali, no estádio, sem receber NENHUMA vantagem do clube por isso.

Se houver qualquer contrapartida do clube, a relação, para mim, já não tem o mesmo valor. Já não é torcedor, é outra coisa e, sinceramente, saber que outra coisa é essa importa mais para a polícia do que para a torcida de verdade.

Ninguém sabe direito o que as organizadas ganham, mas é certo que ganham. Em alguns casos, ingressos de graça, às vezes ingressos mais baratos, que repassam com lucro, igualzinho (!) aos cambistas, outras vezes o transporte. Procure na internet e você vai ver. Em governança corporativa, dá-se a essa situação o nome de “conflito de agência”, onde quem deveria defender os interesses de quem o colocou em determinada posição acaba defendendo interesses próprios e conflitantes e, ainda que não deliberadamente, termina prejudicando aquele que deveria ser beneficiado.

A torcida deveria se organizar, sim, mas a torcida de verdade, aquela que gosta do clube, não do bolso do clube. Aquela que não tem conflito de interesses. No caso do Galo, movimentos organizados recentes, como os Embaixadores do Galo, a Fúria Alvinegra, o Movimento 105 Minutos, são exemplos de torcedores reais que se organizaram para torcer. Isso é torcida organizada, como o próprio nome diz.

A gota d’água, aliás, para eu escrever este texto, foi uma sequência de tuítes dos Embaixadores do Galo de dois dias atrás, onde eles disseram: “Agradecemos o carinho, os elogios que nós, Embaixadores do galo, estamos recebendo. Mas é bom enfatizar que fazemos parte da MASSA… e é a Massa q faz com que tudo isso seja um show! Somos uma das atraçoes. Agradecemos o apoio de todas as torcidas que nos acolheram de braços abertos e entenderam a nossa causa… Nao estamos concorrendo com ninguem. É TUDO EM PROL DO GALO MAIS LINDO DO MUNDO… Só uma obs: CAIU NO HORTO ,TA MORTO!!!!!”

Gente que não é torcedor DE VERDADE, que tem interesses contrapostos aos do clube, não pode formar uma “torcida organizada”. Pode, no máximo, formar uma organização qualquer, mas para se aproveitar, não para “torcer”, no sentido puro – e verdadeiro – da palavra.

Se eu pudesse falar a todos os atleticanos, que eu acredito – e os números provam – serem muito acima da média como torcedores, pediria para irem a campo, para cantarem o hino, gritarem o nome do time, apoiarem o tempo todo. Pediria para nunca vaiar ou xingar jogador, pelo menos não antes de acabar o jogo. Pediria, enfim, para nunca cantarem gritos de qualquer organização que, não estando ali incondicionalmente, está abaixo deles, torcedores verdadeiros, na relação com o time.

Cabe a nós, torcedores, apenas isso: torcer pelo Galo. Não nos aproveitarmos dele.

Cabe ao Galo não se deixar usar.

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Galo e CBF: até que ponto estamos sendo prejudicados?

Os números do Atlético em 2012 são animadores. Em 32 jogos disputados até agora, considerando Campeonato Mineiro, Copa Sulamericana e Campeonato Brasileiro, foram 25 vitórias, 5 empates e apenas 2 derrotas. Um aproveitamento de inacreditáveis 83,3%*. Ainda assim, parte da torcida atleticana parece não estar à vontade para comemorar a ótima fase, especialmente após o último final de semana, quando o jornalista Jorge Kajuru fez uma grave denúncia. Segundo ele, a CBF, na figura do sempre presente Ricardo Teixeira, estaria disposta a sabotar o Atlético Mineiro enquanto seu mandatário for Alexandre Kalil.

Não quero discutir se o jornalista disse a verdade, se o Eurico Miranda disse a verdade ou mesmo se o Ricardo Teixeira disse a verdade. Tenho, no entanto, algumas observações.

A questão é: em que sentido uma denúncia desse tipo, enquanto o time está voando em campo, pode ajudar ao Clube e sua torcida? Como bem disse o jornalista Léo Gomide, do Estadão/ESPN, quando alguém sugere que a taça será “arrancada” de suas mãos por meio de um complô, o torcedor acredita que todo trabalho está sendo em vão.

É inegável que o Galo foi prejudicado pela arbitragem em mais de um jogo neste Campeonato Brasileiro de 2012, mas sejamos sensatos: se houvesse mesmo um complô, aquele gol do Fluminense não teria sido anulado. Durante toda a partida, o Atlético foi prejudicado, teve faltas invertidas e um pênalti a seu favor não marcado. Então, por isso mesmo, se fosse o grande objetivo da arbitragem fazer com que o Atlético perdesse aquela partida, por que motivo nos roubariam tanto durante o jogo e no final anulariam o único gol do Fluminense? Honestamente, faz algum sentido?

O Atlético teve dois gols mal anulados contra o Palmeiras. O Palmeiras foi prejudicado contra o Cruzeiro. O Cruzeiro foi prejudicado contra o Santos. O Atlético foi prejudicado contra o Santos. O Atlético foi beneficiado contra o Náutico. O Grêmio reclamou de ter sido prejudicado em três jogos, mas foi beneficiado contra o Bahia. Só para citar alguns jogos.

A arbitragem é ruim e parece errar mais frequentemente contra alguns times. Portanto, seria preciso que os clubes prejudicados se organizassem para juntos cobrarem uma arbitragem mais bem preparada. É preciso protestar contra o mau nível do apito nacional. De olho no apito, sempre.

Mas, quanto à tal conspiração da CBF contra o Galo, fico pensando que tipo de ódio poderia nutrir Ricardo Teixeira por Alexandre Kalil. É certo que no ano passado o presidente do Atlético atuou como adversário da CBF e da Globo durante a negociação das cotas de TV e apoiou até o fim a manutenção do Clube dos 13. Porém, ficou sozinho na luta e teve que voltar atrás. E, tendo voltado atrás, acredito que a CBF prefira ter o Atlético o mais próximo possível, e não como um inimigo mortal.

O trabalho do Galo em 2012 é excelente até aqui. Desviar o foco para um possível complô serve para gerar uma torcida esquizofrênica e medrosa, o que poderá, de verdade, influenciar o time e atrapalhar os resultados. Por isso, é preciso amadurecer e saber filtrar o tipo de informação que pode nos ajudar ou pode minar nossas forças.

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PALMEIRAS 0 X 1 ATLÉTICO – NEM JUIZ, NEM CBF

Onde está aquele time sem garra, que passeava em campo, que não se importava com o número de gols que tomava?

Onde se encontra a equipe que errava passes de 3 metros, que não se recompunha sem a posse de bola e o meio de campo era uma verdadeira avenida por onde os adversários desfilavam?

Se você sabe a resposta, não me diga. Eu não quero saber. Quero é que aquele estado de espírito _ que nunca foi atleticano _ nunca mais passe perto da Cidade do Galo.

O que eu e todos nós ansiamos é ver a equipe que vimos ontem. Esta sim, encara um Palmeiras dentro de São Paulo e, com um jogo coletivo e de personalidade, domina a partida e vence adversário, juiz e CBF num pacote só.

Vencemos, mas fomos garfados descaradamente. Fizemos 3 gols legais para valer um. Não houve falta no gol do Jô (depois de monumental lançamento de Ronaldinho Gaúcho) assim como não existiu impedimento no gol de Rafael Marques. Fora as seguidas faltas inventadas perto de nossa área com a nítida intenção de oferecer  _ numa bandeja de ouro _ o empate ao Palmeiras.

Depois da contratação de RG49, as forças malignas escondidas nas sombras se juntaram para uma vingança à luz do dia. A atuação do árbitro ontem foi escancaradamente tendenciosa. Parecia instruído por superiores, não fazendo a mínima questão de ser sutil. Não havia nele nenhum temor de punição.

Há de se tomar medidas severas agora para não chorar depois. O presidente Alexandre Kalil tem de protestar formalmente  (mesmo na vitória) e divulgar o mais que puder esse roubo descarado. Não pode se limitar apenas aos poucos caracteres do tweet de ontem à noite.

Após a partida contra o Bahia, eu me manifestei no twitter. Preocupado, eu convocava a torcida atleticana de diversas correntes de pensamento para se juntar. Inclusive, desbloqueei todos aqueles com os quais, por um motivo ou outro, me desentendi. Penso que nenhum desentendimento é superior ao nosso amor pelo Atlético. Se queremos realizar os nossos velhos sonhos, temos de criar um ambiente de união para nos tornarmos fortes. Uma união acima de pessoas ou pontos de vista.

SEM ISSO, O GALO SERÁ PREJUDICADO SEM COMPAIXÃO, TENHAM A CERTEZA!

Quanto ao jogo contra o Palmeiras, o Atlético, apesar de um início claudicante, gradualmente foi tomando conta das ações e se impondo. Com uma defesa segura e protegida por Pierre e Richarlyson, além da recomposição de Danilinho e Bernard, o Palmeiras não encontrou espaços para as suas tramas.

Com uma dinâmica de jogo coletivo em todos os setores e com a raça dos grandes esquadrões atleticanos, cada bola foi recuperada como se fosse um território em disputa numa guerra.

Ronaldinho estreou em grande estilo. Livre para transitar em todos os lados, distribuiu o jogo, cadenciando e dinamizando de acordo com o que a partida pedia. Enfiou bolas entre a zaga, e ainda, colaborou na marcação ao ocupar espaços sem a bola.

E quero fazer justiça ao Danilinho. Ontem eu entendi muito bem porque Cuca não o tira do time: hoje Danilinho é o jogador mais tático do Atlético. Ouso dizer que, sem ele, até a liberdade de atuação de Ronaldinho Gaucho estaria comprometida. Isso porque ele cobre o lado direito de campo, do meio de campo e em alguns momentos, até os zagueiros. E esse nunca foi o seu papel anteriormente. Está jogando em uma posição onde não aparece para a torcida _ e daí a insatisfação _ mas que é fundamental para a compactação da equipe.

Pierre novamente mostrou para Felipão o que ele perdeu. Foi um monstro em campo! O “baixinho” Pierre ganha até bolas de cabeça disputadas com jogadores muito mais altos do que ele. A vontade de vencer é tanta que dota seus pés de molas e multiplica sua impulsão!

Destaco também a dupla de zaga, Réver e Rafael Marques, que estão se convertendo numa verdadeira muralha ali atrás. Não será fácil para os adversários marcarem gols no Galo. Assim como não será fácil para as defesas impedirem Jô de marcá-los. Foi, no final das contas, uma ótima contratação.

Enfim, todos os atletas, independentemente de terem atuado bem ou mal, deixaram sangue e suor no gramado.

Vitória maiúscula, do tamanho do nosso orgulho!

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Veja os melhores momentos:

ATLÉTICO 2 X 1 PALMEIRAS. UFAAA!

Desse jeito, não há coração que aguente!

Tudo bem vencer um jogo duro e passar sufoco no final. Mas contra 9, poxa?

É brincar demais com a capacidade do atleticano de respirar! Juro que às vezes penso que a nossa expectativa de vida é muito menor que a oficial. E, a cada partida parecida com esta, vai se reduzindo ainda mais.

Os momentos de instabilidade da equipe teimam em aparecer em todas as partidas e são exatamente o que nos tira a confiança acerca de seu destino. Ainda não dá para cravar que o Galo escapou.

Enfrentando um Palmeiras com 9 jogadores a partir dos 30 minutos do segundo tempo, podia-se pensar em tudo de bom. Pensar, por exemplo, em um jogo mais tranquilo, em um placar elástico, em manter a posse de bola e deixar o tempo passar…

O nosso futuro correu pelo campo, representado por nossas crianças alvinegras!

Em tudo, menos intuir o que aconteceu de verdade.

Nos 15 minutos finais (ou 18, com a prorrogação), a impressão era que o Palmeiras jogava contra um time com menos dois jogadores!

Pois o jogo mudou da água para o vinho… ou do vinho para a água, sei lá eu. Levamos um gol e quase sofremos o empate.

Tudo isso porque, ao invés de partir para cima de um time já moribundo naquela altura, os atletas alvinegros entenderam que o jogo já estava ganho. E todo mundo parou de jogar!

Ora, ora, isso é futebol e como tal, é totalmente imprevisível. Quase que jogamos fora 3 preciosos pontos ao fazer uma leitura equivocada da situação.

Enfim, apesar de todo o sofrimento, nos afastamos um pouquinho da zona de rebaixamento com um fim de semana perfeito para o Atlético.

Todos os concorrentes que frequentam a região do inferno perderam.

Para assegurar a permanência na série A, o Atlético necessita de mais 9 pontos. Alguns matemáticos dizem que bastam mais 7, por causa dos confrontos diretos entre os times sob risco.

De todo modo, a raça demonstrada ontem tem de persistir. Se não possuem qualidade _ e poucos no time a têm _ os jogadores devem compensar com a garra que sempre caracterizou as equipes do Clube Atlético Mineiro.

Pierre valeu o pagamento da multa, pois jogou muito. Réver também foi um monstro, mas Bernard foi o dono do jogo, na opinião deste blogueiro. Menção especial para Renan Ribeiro, em uma ótima tarde/noite, fazendo o que não fazia antes: defesas difíceis!

Mas não posso, por um jogo apenas, endeusar um goleiro que já jogou no lixo dezenas de resultados por conta de falhas ridículas. O que me resta é torcer para que a atuação deste domingo se repita sempre. E só!

E vamos sacramentar a reação, Galo!

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PALMEIRAS 0 X 2 ATLÉTICO.

O Galo fez uma partidaça!

Não, não fez. Eu estou brincando, obviamente.

O Galo jogou a continha do chá, como disse (no twitter) o meu amigo Marco Lúcio Faria, autor do excelente blog Conteúdo Diverso (link ao lado).

Deu pro gasto, como diria a maioria.

Nos primeiros 15 minutos, qualquer observador atento entenderia _ equivocadamente _ que o Palmeiras é que estava nas últimas posições na tabela, não o Atlético.

Pois o time verde de São Paulo corria uma enormidade enquanto o Galo só cercava e fazia pose para fotos.

Sinceramente, não entendi a atitude em um momento tão grave.

Mas a partir daí, a equipe alvinegra resolveu se esforçar um pouco mais e acabou tomando as rédeas do jogo.

A mudança de astral coincidiu com a entrada de Neto Berola, que quer queiram quer não, é um jogador endiabrado e altera a temperatura e a pulsação da partida.

Pode não ganhar todas e perder bolas ridículas. Pode até ser meio aloprado e dispersivo, admito. Mas o Galo precisa de atletas como ele, esta é que é a verdade.

Hoje Tardelli estava jogando um simples feijão com arroz. O que é muito bom também.

Mas Berola botou um ovo com gema mole por cima. E acrescentou um tomatezinho italiano, com algumas gotinhas de azeite para aprimorar o sabor.

O fato é que Neto Berola facilitou a nossa vida hoje, pois não jogamos quase nada.

Custo a crer que existem atleticanos que não gostam dele. Eu os respeito. Porém, já tivemos jogadores parecidos com o baiano _ em estilo _ que se tornaram ídolos eternos da Massa.

Buião e Vaguinho são apenas dois bons exemplos de atletas que estão incluídos nesta categoria. Quando desembestavam pela direita com a bola dominada, só eram parados a tiros.

E ambos estiveram na seleção brasileira quando os jogadores do eixo Rio/SP tinham preferência e camarote VIP.

Na realidade, o que vi de bom hoje? Um surpreendente toque de bola.

E o que isso significa? O mesmo que dizer que o trabalho de Dorival Junior é melhor do que pensávamos.

O time jogou mal, mas se manteve numa linha tática organizada, com coberturas em todos os setores. Eu vi, apesar de uma partida ruim, um conjunto equilibrado em Araraquara.

Pode-se questionar excesso de passes errados, jogadas equivocadas, zagueiro carregando e perdendo bolas fáceis, espaços no meio, etc.

Todavia, não dá mais para dizer que o Galo não tem padrão de jogo, como no tempo do moleque irresponsável.

Mas os times que têm padrão de jogo também erram. E o Galo hoje errou demais. Ainda existem deficiências gravíssimas que Dorival Junior só corrigirá em 2011. Principalmente nas laterais.

Se o time reserva do Palmeiras fosse mais forte, estaríamos todos desesperados neste instante.

Mas ganhamos e sabemos que 3 pontos são o calmante mais eficaz do mundo desde que o futebol foi inventado.

O Avaí venceu o Atlético-GO e foi a 40 pontos, 2 apenas abaixo do Atlético. Não foi um bom resultado para nós. Se o Avaí tivesse perdido, o que o tal do Roman _ juiz que prometeu processar o Kalil _ fez de tudo para evitar, nós estaríamos praticamente livres.

Em contra-partida, o Goiás perdeu e está matematicamente rebaixado. Isso garante que iremos enfrentar um clube sem nenhuma ambição no próximo domingo.

E, provavelmente, mediremos forças com um São Paulo sem chances de se classificar para a Libertadores no apagar das luzes do campeonato brasileiro de 2010.

O nosso caminho não é dos mais difíceis por conta do fator psicológico.

Mas se não mantivermos o foco no jogo sério, corrido e pegado _ e dando a devida importância às nossas claras limitações _ podemos transformá-lo em um drama digno dos filmes de Ingmar Bergman.

Pode até ser com final feliz, mas mesmo assim um drama de arrancar o tampo da cabeça sem anestesia!

É um simples alerta, senhores jogadores. Nada que os senhores não superem com muita luta e MUITA RAÇA!!!

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ATLÉTICO 1 X 1 PALMEIRAS

_ Um goleiro inseguro e fraco.

_ Um time desinteressado em dividir as bolas, muito menos em correr em busca da vitória.

_ Nada dá certo porque nenhum jogador  se doa em campo, ninguém está ali para botar o pezinho em dividida.

_ Cada atleta está pensando mais na balada do que na sua profissão, até porque o técnico é um zero a esquerda, omisso e incompetente.

Este ERA o time do moleque irresponsável, o grande projeto furado do “enganador-mor” do futebol brasileiro.

Mas não é o objetivo de Dorival Junior.

Dorival é sério, trabalhador e presente. Trabalha duro a semana inteira (todos os dias e não só na sexta-feira), conversa com os jogadores, troca idéias, bota para jogar os melhores, não dá murro em ponta de faca e não se sustenta na base da garganta.

Hoje o Galo atuou com o time reserva. Mesmo assim, apesar dos sustos, deu um calor danado no time titular do Palmeiras. Hoje os atletas correm, dividem, suam sangue em busca da vitória.

Alguns são, claramente, limitados tecnicamente. Contudo, mesmo estes ajudam o conjunto. Fazem parte da estrutura e com ela contribuem com o seu quinhão de esforço.

Nem parecem os mesmo jogadores que, por tanto tempo, zanzavam como um grupo de zumbis dentro das quatro linhas.

É por isso que eu louvo o empate de hoje. E não porque tenha jogado um futebol primoroso, um futebol perfeito e fluente em todas as suas linhas.

Não, não sou um analista tão alucinado assim. Sou um atleticano ferrenho, daqueles que torcem contra o vento, mas na hora de destrinchar o jogo, eu procuro interpretá-lo da forma como aconteceu.

Mas ninguém pode negar que o Atlético vem apresentando, desde a chegada de Dorival Junior, um jogo mais coordenado, mais organizado e com as peças  mais ajustadas em campo.

Isso acontece com o time titular e se repete na formação reserva, como ocorreu hoje.

Pode-se dizer que o Galo empatou o jogo em casa ou atuou mal, mas já não temos o direito de afirmar que foi um bando em campo, como até bem pouco tempo.

Existe princípio, meio e fim na equipe. Um desenho tático lógico.

Na partida de hoje, o Galo encarou o Palmeiras de igual para igual. E Renan Ribeiro e Deola foram as principais figuras no gramado.

Renan Ribeiro, ratificando a sua condição de titular absolutíssimo, fez defesas fantásticas e deu segurança à zaga, como nenhum outro goleiro nos últimos anos.

A pegada no meio é completamente diferente de antes. É firme e concatenada. Vai um, fica o outro. Se você for, eu lhe cubro. Não significa dizer que a marcação no meio está 100%. Longe disso. O crescimento será gradual e constante.

A equipe se tornou mais rápida, até a reserva. Sabem porque? Por aquilo que eu falei repetidamente aqui no L&N: quando os jogadores sabem aonde está o seu companheiro, basta dar o toque.

Não há necessidade de ficar procurando desesperadamente um cara vestido de preto e branco para tentar o lançamento. Isso atrasa o jogo e cede contra-ataques.

Treinamento bem aplicado é e está sendo a solução. E uma conversinha motivadora aqui e outra ali. Mais nada. Acreditem em mim, eu já estive lá dentro.

Algumas peças se destacaram hoje. Para aquele que acha que Cáceres foi culpado no gol do Kléber,  eu gostaria de vê-lo impedindo um gol com o atacante de frente e você tentando alcançar a bola e ao mesmo tempo, cortá-la para trás ou para o lado.

É praticamente impossível, amigo. Cáceres foi o porto seguro da defesa hoje. Não perdeu um lance sequer.

Zé Luis foi outro gigante no meio, assim como Mendez. Aliás, Mendez está se recuperando. Quem viver, verá este equatoriano dar muitas alegrias à Massa.

Nos destaques negativos, Diego Macedo cada dia pior, tanto quanto Jairo Campos e Ricardo Bueno.

No mais, espero que na segunda partida, a arrogância típica do Palmeiras seja um imenso trunfo a nosso favor. Posso garantir que eles saíram daqui se sentindo classificados.

Mas se o Galo, daqui há quinze dias, já estiver fora de perigo no campeonato brasileiro, o Palmeiras pode se deparar com o nosso time titular.

E aí a cobra vai fumar um belo charuto cubano!

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ATLÉTICO 1 X 2 PALMEIRAS.

Não vou pedir a cabeça do Luxemburgo, pois a torcida do Galo se divide entre o sim e o não.

Além disso, se demitir Luxemburgo, qual o técnico que vamos contratar, não é?

Este é o principal argumento dos que defendem a manutenção do tal “projeto”.

Ok, eu os respeito e entendo que dificilmente conseguiremos contratar um técnico de bom nível, se olharmos com atenção o mercado dos “professores”.

Então, vamos continuar com Luxemburgo mesmo, que é simplesmente “O” melhor. Não temos outra alternativa… ou temos?

Hoje o time estava quase completo. Mesmo assim, não conseguiu trocar 3 passes seguidos sem perder a bola! Vejam bem,  não estou falando de jogadas de ataque rápido, com movimentações e deslocamentos inteligentes, nem nada.

Já não tenho o atrevimento de pedir tanto, pois isso parece estar acima da capacidade do nosso time e do nosso treinador.

Falo apenas de meros passes, que são os fundamentos mais simples do futebol! E nem estou exigindo distâncias de 40, 50 metros não! Falo de passes de 4 ou 5 metros.

Para quem me lê, devo esclarecer uma coisa: neste momento, não estou com raiva, ou arrancando os cabelos ou destroçando o fiofó com a unha não!

O sentimento que me move neste exato instante é o de extrema frustração meio que expandida numa tristeza maior que o mundo.

Pois sei que, a continuar “fingindo jogar” _ sinto dizer isso _ NÃO VAMOS VENCER NINGUÉM!

Neste momento, a julgar pela performance de hoje, o nosso destino está mais para a Z-4 do que para o G-4. Quem discordar, pode me xingar! Fiquem à vontade.

Estou tão triste que adoraria que um atleticano abraçado ao projeto do professor entrasse no L&N e detonasse as minhas críticas.

Talvez eu conseguisse dar um up na minha esperança escorado na discordância dele!

A minha frustração e a minha tristeza não são baseadas nos erros de passes que citei, ou na total inexistência de esquema, ou na extrema lentidão de um time no qual um jogador demora uma enormidade só para descobrir aonde está o seu companheiro.

Pois isto, por si só, é a mais clara comprovação de que não existe treinamento específico para os setores da equipe. É como se os jogadores se reunissem pela primeira vez.

E também não é porque o time não tem nenhum tipo de sincronização (nem no ataque, tampouco na defesa), nada de jogadas ensaiadas ou até mesmo porque não tem a mínima idéia de como atacar o adversário.

Tanto que o nosso gol hoje foi por puro acaso. Revejam a reação do Berola e verão do que eu estou falando. Nem ele acreditou que tinha feito o gol.

É uma verdadeira tática zero somada a esquema zero! Ou seja, nada vezes nada!

Mas o que me incomoda profundamente é a total falta de sangue, de garra, de comprometimento de alguns jogadores.

Enquanto alguns botam os bofes pra fora, outros nem sequer suam a camisa.

Enquanto alguns chegam ao vestiário depois do jogo cheirando a suor ardido, outros ainda conservam os odores perfumados de  Armani’s e Azarro’s.

É isso que dói! É isso que incomoda a alma guerreira do atleticano.

Pois vai contra tudo aquilo em que sempre acreditamos e a maioria de nossos times sempre confirmou em campo.

Além da catequização diária dos pais atleticanos, que sempre buscam na garra extremada, o maior argumento para convencer o filho a adotar e amar o manto sagrado.

As nossas mais diletas e sagradas tradições estão indo pro ralo com esse time sangue de barata!

O nosso orgulho está sendo pulverizado, após cada derrota vergonhosa,  por palavras bonitas que têm o intuito de mascarar o trabalho técnico mal feito.

E vamos aguentar tudo isso sim. NÃO TEMOS SAÍDA (?). Afinal, não existe no mercado nenhum professor capaz de dar uma virada na situação caótica em que o Galo está.

Temos hoje um dos melhores elencos do Brasil. Ok. Fazer o que com ele se não conseguimos formar um time, MESMO TENDO O “MELHOR” TÉCNICO DO PAÍS?

Simplesmente esperar o pior? PASSIVAMENTE?

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COMPROMETIMENTO: UMA AÇÃO EM DUAS VIAS.

ESTA CRÔNICA FOI ESCRITA EXCLUSIVAMENTE PARA O LANCES&NUANCES PELO JORNALISTA E ATLETICANO LEO GOMIDE.

Recordo-me como se fosse hoje. Era uma terça-feira, 8 de dezembro de 2009, por volta das 15:37.
Após uma temporada claudicante no Campeonato Brasileiro, que culminou com a queda do técnico Celso Roth na última rodada da competição, Alexandre Kalil anunciava via Twitter que o Atlético tinha um novo ‘combo’. ‘Combo’?  Sim! Treinador, gestor, diretor, tudo em um só: Vanderlei Luxemburgo.

Por trabalhar no futebol exclusivamente e assim ouvir estórias e histórias sobre ele, coloquei o seguinte comentário em meu perfil no twitter, de imediato:

“Sinto um misto de otimismo e desconfiança. Agora só o tempo me dará a resposta”.

Antes de todo e de qualquer questionamento, deixo bem claro: NÃO SOU A FAVOR DA QUEDA DE VANDERLEI LUXEMBURGO NO GALO!
Porém, já são quatro jogos que ouço, re-ouço, escuto e re-escuto a palavra ‘comprometimento’ em entrevistas coletivas do treinador em questão.
“Comprometimento: qualidade de ater-se às escolhas feitas”

Falta ‘comprometimento’ aos jogadores, segundo o próprio treinador, mas a recíproca é verdadeira?
Ao que parece, o Galo está em uma guerra e o general Luxa expõe seus soldados no front. Já são cinco tiros no peito, a degola no pescoço, mas a culpa é sempre dos comandados e não do comandante.

Mas, pelo que sei, as estratégias para atacar o campo adversário, estabelecer as regras de ataque, devem partir sempre do general, não?
Falta munição? Concordo, falta. O elenco do Galo não inspira confiança, e armas, como Correa, deixaram o grupo sem uma explicação convincente.

Chegou a hora do general 5 estrelas, ou seja, 5 vezes campeão brasileiro, chamar mais a responsabilidade para si, e eximir seus comandados de culpa.

Para finalizar: alguém se recorda do que aconteceu no dia 6 de novembro de 2008?

Se não se lembram, refresco-lhes a memória: na oportunidade, o Palmeiras fazia o jogo de volta pela Copa Sulamericana contra o Argentino Juniors, em Buenos Aires. Perdeu por 2×0 e despediu-se da competição.

Naquela noite, Luxemburgo não estava com o grupo. Priorizando o Campeonato Brasileiro, a delegação viajou para a Argentina com 14 atletas, comandada pelo auxiliar-técnico Ney Pandolfo.
Curiosamente, Luxemburgo resolvera aceitar comentar a partida em rede nacional para a Rede Globo.

E o comprometimento, onde esteve nesse dia?

A torcida do Galo quer CAMprometimento a partir de agora!

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