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OS PANTERAS NEGRAS – AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA.

Braço erguido, punho cerrado, forte. Luvas negras. Assim os atletas norte-americanos, medalhistas nas Olimpíadas da Cidade do México, Tommie Smith e John Carlos desafiaram a ordem mundial no pódio olímpico. Eram os Panteras Negras do movimento Black Power do final dos anos 60 e início dos 70. A luta era contra a América Branca e a discriminação racial. E tudo de fétido que ela representa.

Mas o que isso tem a ver com esse blog atleticano?

Tudo.

A começar porque o Clube Atlético Mineiro é o clube da Massa. De um povo sofrido, injustiçado, mas inigualável em amor e abnegação.

Um dos seus maiores ídolos, assim comemorava seus gols (Black Power): Reinaldo, ou simplesmente, Rei.

Atrás de cada desenho mágico que era um toque de bola, um drible de corpo, um cerebral movimento diáfano que fazia deitar seus marcadores ou um sonho mágico que era um gol de Reinaldo; e que, simplesmente por ser um gol de Reinaldo, era simples, mas complexo.

Vivíamos, àquele tempo, uma ditadura, autorização imposta pelas armas. Violência legalizada mas não legitimada.

O futebol era o Campo dos Sonhos do povo brasileiro. Em cada obra prima de Reinaldo, servido gentil e coletivamente por Cerezo, Luisinho, Marcelo, Paulo Isidoro, Éder, João Leite e Cia, havia a revolta, o enfrentamento de uma situação posta e anti-libertária.

Punho cerrado, o artista era carregado pelos companheiros de luta, a Massa aliviada, de alma lavada da vida. Havia esperança. O Rei iria nos libertar. Não haveria mais militares. O mundo seria nosso, seria do povo. Em cada jogo, como na música de outro gênio, o Galo insistiria em cantar. Amanhã seria outro dia.

Onde está este Clube Atlético Mineiro?

O Galo perdeu a sua alma?

Não amo menos. Mas não encontro mais.

Onde está o Rei libertário e seu povo feliz e esperançoso?

Porque tanta catarse e sublimação?

Porque tamanho desencontro entre os atletas e a Massa?

Porque tanta enganação e fanfarrice?

Hoje tem jogo contra o Santos de Neymar. Este que, na opinião do colunista é o maior jogador do mundo na atualidade.

Hoje estarei lá na Arena do Jacaré, porque sei que “Amanhã Vai ser Outro Dia”. Braço erguido e punho cerrado. Forte e Vingador.

Galo! 

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RECORDANDO UM REI IMORTAL…

Eu vou lhes contar uma história.

Eu vi o melhor centroavante do Brasil (ou do mundo) jogar. Os mais novos, que não o assistiram, podem pensar que eu estou exagerando.

E que eu, por ser atleticano, estou puxando a sardinha pra nossa bandeira.

Pois eu lhes digo que muitos adversários comungam da mesma visão que eu.

Reinaldo não jogava. Ele brincava em campo. O Rei desafiava as leis da física e do equilíbrio com seus dribles quase impossíveis e as suas jogadas inimagináveis para os pobres mortais.

A bola era a sua namorada, amante e companheira. Nos pés do Rei, ela se se tornava meiga, obediente e excitada.

Porque a troca de carinho e amor verdadeiros leva ao melhor que existe nos relacionamentos: a cumplicidade.

A bola e o Rei eram cúmplices gerados da intimidade mais absoluta que pode existir no mundo.

O maior artilheiro da história do Galo pensava um segundo mais rápido que seus companheiros. E dois segundos mais ligeiro que seus adversários.

Lembro-me de um gol que eu vi, quando o Rei, ao ver que Cerezzo passava correndo para receber na frente e com isso levando os zagueiros para marcá-lo, ele não devolveu a bola.

De fora da área, ele jogou por cima do goleiro do América-RN. Como se fosse com a mão. Como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo. Assim como fazia, criança ainda, nas peladas em Ponte Nova, onde nasceu.

Não poderia descrever muitos gols do Rei, porque o espaço não seria suficiente, como insuficiente seria a memória deste blogueiro.

O baby-craque, como era chamado, destruia defesas com apenas um sopro de sua genialidade. Um gênio que, depois de 30 anos, ainda não foi superado por nenhum outro jogador do Atlético em número de gols.

Nós, atleticanos desde o útero, não íamos ao campo para ver futebol. Nós íamos para ver a magia contagiante do Rei.

Nós não seguíamos para o Mineirão para TORCER pela vitória incerta. Nós íamos para VIBRAR com a vitória iminente.

Reinaldo fez do futebol uma arte assinada em letras de gênio. Ou de dor.

A cada oponente driblado e humilhado, uma pancada no joelho. A cada gol espetacular marcado, outra pancada no joelho.

A massa atleticana, impotente e em silêncio respeitoso, assistia, como súditos fiéis, a mais uma cirurgia. E mais uma. E mais uma.

Os nossos corações gelavam. O tempo parava.

Porém,  toda vez que voltava, tornava a extasiar a massa, como se nada tivesse acontecido. “Parecia” que não, mas acontecia. Nenhum corpo humano é capaz de receber tantas agressões sem definhar.

Sem meniscos, a cada dia com menos liberdade de movimentos, o Rei foi, jovem ainda,  obrigado a assinar os papéis da abdicação.

Mas nós, seus súditos, nunca abdicamos dele. Nunca renunciamos e nem renunciaremos ao jogador que nos foi mais caro.

Reinaldo sempre será o Rei eterno do Galo. Ouso dizer que nunca mais teremos outro tão grandioso. A mística da camisa atleticana sempre passará pela trajetória fantástica do nosso mais querido artilheiro.

As arquibancadas alvinegras jamais deixarão de ecoar aos quatro ventos:

REI, REI, REI, REINALDO É NOSSO REI!

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