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TEMOS QUE APRENDER A PENSAR GRANDE, DE NOVO.

Há algumas semanas, quando o Galo venceu o Santos e tivemos dois gols a menos registrados no placar final por falhas da arbitragem, o jornalista Juca Kfouri disse, no seu blog, que o Galo tinha que se habituar a vencer tudo, inclusive os erros de arbitragem, ao invés de ficar de “chororô”, se quiser ser campeão.

Recebeu de vários atleticanos uma saraivada de críticas. De maneira geral, voltadas para o fato de que, no nosso caso, não é chororô, nós não podemos simplesmente nos conformar com erros de arbitragem porque, contra o Galo, o buraco é sempre mais embaixo.

Mesmo sujeito a críticas idênticas, eu concordo com o jornalista. Não por mero conformismo com a imperfeição humana. Explico:

Nós demos muito azar, historicamente.

Tínhamos o melhor time em 77, disparado, mas chegamos à final contra o São Paulo e “sofremos” um estranhíssimo julgamento do Reinaldo às vésperas da final, por uma expulsão no início do campeonato. Resultado:  o Rei, que tinha marcado em todos os jogos, fora da final, e um vice-campeonato invicto, nos pênaltis, que tem sabor amargo até hoje. Azar nosso que o São Paulo mandava mais ou conhecia melhor os caminhos da burocracia.

Tínhamos um timaço em 80 e 81, e disputávamos tudo com outro timaço, o Flamengo de Zico e companhia. Azar nosso que a Rede Globo precisava de uma bandeira futebolística para alienar o povo em época de ditadura e escolheu o time de maior apelo popular do Rio, onde a emissora estava sediada. Perdemos o Brasileiro de 80, com arbitragem contestada, e saímos da Libertadores de 81 no jogo de arbitragem mais estranha que eu já vi.

Foi muito para um período de quatro anos. O suficiente para uma geração de atleticanos ficar marcada a ferro quente com um complexo que acho que não sai nunca mais. Para comparar: fomos rebaixados há quase sete anos, certo? Não parece que foi ontem? Pois é. Quem apanha não esquece; quem bate, sim. Num período de quatro anos, duas derrotas em final de Brasileiro como aquelas, e uma aula de parcialidade do Sr. José Roberto Wright foi demais. Quem viveu, não vai esquecer.

Depois disso, tudo de ruim que acontece tem um primeiro culpado imediato, a arbitragem. No Galo, o enredo do filme tem sempre três mordomos, vestidos de preto, ou amarelo, ou verde, conforme a ocasião. Trinta anos depois da final de 77, Tchô sofreu pênalti no final do jogo com o Botafogo pela Copa do Brasil, e Simon não marcou. Neste ou em qualquer erro de arbitragem, voltam todas as lembranças de uma vez, as feridas se abrem imediatamente e parece que alguém joga álcool. Dói.

O problema é que isso se tornou uma parte relevante da cultura do atleticano. O ódio pela arbitragem se tornou um subproduto do nosso amor pelo Galo, e isso vem sendo passado de geração para geração. A maior parte dos que vão a campo hoje não viveram os fatos que foram comentados acima, mas seus pais, tios, irmãos mais velhos, sim. E eles aprenderam a detestar e culpar os mordomos, antes de qualquer outro.

Mais recentemente, sinal dos tempos, esse ódio foi refinado e se transformou em ojeriza pelo establishment. Nós, atleticanos, temos raiva do sistema, em todas as suas expressões, do auxiliar que está ao alcance do radinho (não jogue, por favor, que o time perde o mando de campo) até o moço-que-pega-medalhas que preside a CBF.

Neste Brasileirão, a CBF acendeu de novo o ódio do atleticano. Primeiro, ao atrasar descaradamente em duas semanas a estréia de Ronaldinho diante da massa. Segundo, ao adiar ridiculamente o jogo do Galo na 14ª rodada, de novo com o Flamengo. Eu vi gente jurando que, de novo, seríamos roubados, nos tirariam o que é nosso por direito.

Não é o caso. A justificativa é, provavelmente, tão mesquinha e pequena quanto isso, mas não acho que ninguém quis nos roubar. Quiseram, isso sim, nos dois casos, dar uma mãozinha para um “brother” carioca que está em dificuldades. Somos coadjuvantes nas duas estórias, e ironicamente, porque estamos no caminho inverso e colhendo os frutos de uma administração bem-feita, que nos permitiu contratar Ronaldinho e montar um time de meter medo.

Fatos como este são a prova, apenas, da pequenez de algumas pessoas em cargos maiores do que elas. Não deveriam estar ali, mas estão. Não deveriam ter poder de mando, mas têm. E, sinceramente, não acredito que, mesmo querendo, consigam fazer muito estrago, em um campeonato de 38 rodadas que dura meses. Algum dano, pode ser, mas nós temos que ser maiores do que isso. Não sei se foi a isso que se referiu o Juca Kfouri, mas é nestes termos que eu concordo com ele.

Vão errar contra nós, como foi no caso do Palmeiras e do Santos, e vão errar a nosso favor também. Mas, a menos que José Roberto Wright volte a campo com um apito na mão, prefiro acreditar que fatos assim são falhas da visão ou audição dos seres humanos envolvidos, não de seu caráter. Me preocupa muito mais a imprensa marrom tentando plantar crise no clube, como fizeram antes do jogo com o Vasco, do que o Sr. juiz ali dentro do campo. Até prova em contrário, claro.

O importante é que nós voltemos a pensar do tamanho do nosso time e da nossa torcida. Somos líderes do campeonato mais disputado do mundo e nenhum time, desde que o campeonato se tornou por pontos corridos, fez o que estamos fazendo. Lembra 1987, quando ganhamos os dois turnos atropelando todo mundo, ou até 1977, só que não tem um jogo final para ser armado. A torcida, semana passada, quebrou a alma do time do Vasco quando cantou o hino a plenos pulmões depois do gol. Esse é nosso presente, tem que ser nosso futuro também. Viver odiando a arbitragem, a CBF, ou o sistema só combina com um passado remoto que temos que deixar para trás.

O Galo é imenso, sua história é incontestável, a torcida é INIGUALÁVEL. Mas, para que possamos estar em harmonia com o que queremos do futuro, que ele seja grande e venha rápido, temos que pensar grande. Vai ser uma libertação, acredite, poder torcer só para o time, e não contra o sistema.

O sistema que se exploda. Aqui é Galo! Caiu aqui, tá morto!

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O TEMPO ATLETICANO EM IMAGENS SOLTAS

Se no calendário marca, então vá lá, sou do tempo em que o Galo foi campeão de 1971, mesmo não tendo ideia do fato.

Sou do tempo em que Dario recebia do locutor o apelido de Apolo 9, mesmo não sabendo o que era Apolo 9.

Sou do tempo em que Lola armava as jogadas do Galo, e sendo do Galo, para mim, valia.

Sou do tempo em que Vantuir dava segurança ao time. O moço da rádio Inconfidência, no meu rádio Semer, falava, uai!

Sou do tempo em que o goleiro era Mussula, depois o Careca e logo Renato, o nosso aranha negra.

Do tempo em que o uruguaio Mazurkiewicz chegava com o rótulo de maior goleiro do mundo e, ao me levantar em seus braços, acima de sua cabeça, mostrou e provou que eu era maior que ele. Eu, menino o bastante para ser levantado pelo gigante com o  manto atleticano.

Do tempo em que o assombroso time de 77, invicto, pôs os mais ferrenhos adversários encantados com o nosso Galo. O Brasil todo, de Norte a Sul, era atleticano e que, por sua vez, era o ariete a bater nas masmorras da abertura, né, Rei?

Nessa final de 77, com 10 pontos à frente, perdemos nas penalidades máximas o título para o São Paulo, né, CBD/Chicão?

Do tempo que a grama com a bola pariu entre as traves o “baby”craque que desmontava as defesas, derrubava os Morais, os Rauls e impunha seu reinado que assustava o mundo da bola, né, Geisel/Coutinho?

Testemunhei o Rei calar o povo carioca, fazer tremer os urubus do aterro e isto é História, não pode ser negado, pois o Brasil sabe de todas as verdades debaixo da plim..plim..

Eu ví o José de Assis Aragão, UMANO que é, HERRAR como todos os seus iguais, que depois, herraram na mesma cartilha de suas regras claras, né, Arnaldo?

Vi o Wright cumprir com o seu “trabalho”, ganhar emprego vitalício e debochar do homem normal que somos.

Eu ví a década de 90 passar.

Sim, eu sofri, não com as derrotas do time atleticano em campo, pois todo torcedor sabe que perder, empatar ou ganhar é parte do jogo jogado. E o Galo foi acalentado em nossos braços, sob o hino e para seu lugar retornar, ao som do mesmo poderoso hino, né, seo Vicente?

Sofrer não faz parte do atleticano. Indignação, sim!

Você pode acreditar que, por ter vivenciado parte desta História atleticana, eu tenho 40,50,60.70,80, 90 ou até 104 anos.

Não, meu amigo, vivemos na mesma imagem. Eu apenas nasci primeiro do que os que não presenciaram o que escrevo e, necessariamente, não que dizer que eu seja mais velho por este detalhe das chegadas e das partidas nesta estação atleticana.

O tempo atleticano, meu amigo, nada mais é que imagens em movimento dentro desta eternidade alvinegra.

Aproveitemos as imagens, pois!

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OS PANTERAS NEGRAS – AMANHÃ VAI SER OUTRO DIA.

Braço erguido, punho cerrado, forte. Luvas negras. Assim os atletas norte-americanos, medalhistas nas Olimpíadas da Cidade do México, Tommie Smith e John Carlos desafiaram a ordem mundial no pódio olímpico. Eram os Panteras Negras do movimento Black Power do final dos anos 60 e início dos 70. A luta era contra a América Branca e a discriminação racial. E tudo de fétido que ela representa.

Mas o que isso tem a ver com esse blog atleticano?

Tudo.

A começar porque o Clube Atlético Mineiro é o clube da Massa. De um povo sofrido, injustiçado, mas inigualável em amor e abnegação.

Um dos seus maiores ídolos, assim comemorava seus gols (Black Power): Reinaldo, ou simplesmente, Rei.

Atrás de cada desenho mágico que era um toque de bola, um drible de corpo, um cerebral movimento diáfano que fazia deitar seus marcadores ou um sonho mágico que era um gol de Reinaldo; e que, simplesmente por ser um gol de Reinaldo, era simples, mas complexo.

Vivíamos, àquele tempo, uma ditadura, autorização imposta pelas armas. Violência legalizada mas não legitimada.

O futebol era o Campo dos Sonhos do povo brasileiro. Em cada obra prima de Reinaldo, servido gentil e coletivamente por Cerezo, Luisinho, Marcelo, Paulo Isidoro, Éder, João Leite e Cia, havia a revolta, o enfrentamento de uma situação posta e anti-libertária.

Punho cerrado, o artista era carregado pelos companheiros de luta, a Massa aliviada, de alma lavada da vida. Havia esperança. O Rei iria nos libertar. Não haveria mais militares. O mundo seria nosso, seria do povo. Em cada jogo, como na música de outro gênio, o Galo insistiria em cantar. Amanhã seria outro dia.

Onde está este Clube Atlético Mineiro?

O Galo perdeu a sua alma?

Não amo menos. Mas não encontro mais.

Onde está o Rei libertário e seu povo feliz e esperançoso?

Porque tanta catarse e sublimação?

Porque tamanho desencontro entre os atletas e a Massa?

Porque tanta enganação e fanfarrice?

Hoje tem jogo contra o Santos de Neymar. Este que, na opinião do colunista é o maior jogador do mundo na atualidade.

Hoje estarei lá na Arena do Jacaré, porque sei que “Amanhã Vai ser Outro Dia”. Braço erguido e punho cerrado. Forte e Vingador.

Galo! 

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A NOITE QUE NÃO TERMINA.

Todos nós atleticanos estamos perplexos.

Sinceramente, creio que a coisa é bem mais complexa do que imaginamos. Tenho bem marcados em minha memória momentos iguais a este em que vivemos.

Foram vários, de uma tristeza profunda, de muito desencantamento. Já tive vontade de abandonar definitivamente essa paixão absurda pelo GALO. Mas está além das minhas forças.

O que ocorreu com o GALO nos últimos 40 anos? Venceu campeonatos de segunda linha: regionais e sulamericanos. Chegou a bater na porta de um título de expressão algumas vezes, mas as portas não se abriram.

Onde estará a origem dos nossos males? Por que o GALO não dá certo? O que falta fazer para que os astros se alinhem a nosso favor? Enfim, onde é que erramos?  Onde está a origem de nossa desventura?

Seriam a forma e a intensidade com que torcemos? Seria a nossa paixão, que sufoca o objeto desta paixão? Ou ansiedade para finalmente comemorarmos algo que tenha o valor daquilo que nos julgamos merecedores?

Seria soberba de nossa parte, por não nos contentarmos com um título regional, de vez em quando, e não nos sentirmos realizados por conseguir permanecer na série A?  Será que, na verdade, não passamos de um clube de segunda linha, e exigimos dele o que nunca poderá nos proporcionar?

NÓS SOMOS O CLUBE ATLÉTICO MINEIRO.
Isso nós já sabemos. Mas quem somos nós?

Neste momento, não tenho resposta a esta pergunta. Talvez devêssemos perguntar a alguém distante do Clube Atlético Mineiro. De preferência, alguém que não sinta desprezo nem muito apreço por nós e que esteja interessado apenas em nos ajudar nessa descoberta.

Precisamos saber o que somos, o que queremos e como faremos para atingir o objeto de nossos desejos. (“Querer é poder”, diz o adágio.)

Para mim, tudo começou numa fatídica tarde-noite de um domingo, há muitos anos atrás. Possuíamos uma equipe de futebol encantadora. Estávamos encantados e encantávamos. Éramos a melhor equipe do torneio nacional.

O título era nosso, por direito, pois ninguém nos vencera. Entramos em campo apenas para colocar a faixa de campeão. Tínhamos mais de dez pontos sobre o adversário. Mas não jogamos, não fomos “O” Galo. O gol não saiu. Empate sem gols. Pênaltis decidiriam nossa sorte. Para o adversário, isso já era vitória; jogou com fibra, raça e muita violência. Nosso melhor jogador não pôde participar do espetáculo, pois o “poder” não permitiu. A história teria sido outra com Reinaldo? Não sei. Trememos? Não sei. Confesso que estava lá, mas permaneço não sabendo. Sei apenas que perdemos, PARA NUNCA MAIS NOS ENCONTRARMOS. Isso foi em 1977.

Talvez todos nós ainda estejamos parados naquele domingo, sentados naquela arquibancada molhada, olhando para o gramado sem entender nada, por não acreditar no que aconteceu. Creio que todos nós, os milhões que somos, o CLUBE ATLÉTICO MINEIRO… ainda estejamos lá. A noite chegou e não fomos embora.

PERPLEXOS , presos por aquela noite que nunca termina, aguardamos o amanhecer de um novo dia que não chega!

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