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QUEM MANDOU NASCER BRASILEIRA?

ESTA CRÔNICA FOI ESCRITA EXCLUSIVAMENTE PARA O LANCES&NUANCES POR ANA CRISTINA GONTIJO.

Era 07 de setembro de 2008. O Brasil enfrentaria o Chile pelas eliminatórias da Copa, no Estádio Nacional, em Santiago. Eu morava lá, mas nem cogitei ir ao jogo. E não foi só isso: meu não-entusiasmo pela seledunga me fez prometer aos amigos chilenos que eu torceria pelo Chile. Eu dividia o apartamento com dois chilenos. Uma hora antes da refrega, estava tudo preparado. Churrasqueira acesa na varanda, muito pisco e cerveja, quinze amigos santiaguinos empoleirados no carpete da sala, e eu esperando que o Andrés chegasse com a camisa da seleção chilena para que eu pudesse torcer por “La Roja” em grande estilo.

Era estranho ouvir os comentaristas da tevê naquele Espanhol desenfreado. De repente, começa a tocar o hino chileno, que eu não conhecia, que eu nunca soube cantar. Meus amigos levaram a mão ao peito enquanto um deles me dizia, interrompendo a solenidade do momento, que em algum jornal da Europa havia sido publicado que o hino do Chile era o segundo mais bonito do mundo, só perdendo em formosura para o hino nacional da França, “La Marseillaise”. Não pareceu dar muita importância quando eu lhe disse que, peraí, essa mesma história circula no Brasil também, só que a respeito do hino brasileiro.

Não houve tempo para discussão. Logo começou o nosso hino. Todos voltaram a conversar alto e eu pedi silêncio. Calaram-se. Coloquei-me de pé, mão junto ao peito. Cantei com os jogadores. Sim, metade deles errou a letra. Nem liguei. Senti meu coração dando pinotes, a voz engasgada, e uma vontade de chorar…

Em poucos segundos, tentei contar quantas pessoas que eu amava e que estariam vendo as mesmas imagens que eu. Sabia que meus pais e irmãos estavam cantando o hino comigo. Quase consegui escutar um coro gigantesco, cento e noventa milhões de vozes cantando conosco em honra a um país que amamos sem saber muito bem por quê.

Tentei frear meu entusiasmo. Argumentei para mim mesma que era romantismo barato isso de achar que era tudo muito lindo e maravilhoso. Técnico mequetrefe, seleção desengonçada, futebol feioso. Ilusão, ilusão, ilusão. Mas quem foi que disse que coração obedecia ao meu chá de bom senso?

Corri ao meu quarto e voltei. Não teve churrasco para mim: a carne, o pisco e a cerveja eram para os amantes de “La Roja”. E qual não foi a cara de decepção do Andrés quando, ao chegar com uma camisa do Chile na mão, deu de cara com uma Ana Cristina vestindo uma blusa amarela e uma jaqueta verde bandeira.

TRÊS A ZERO PARA O BRASIL. Ô FESTA!

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