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OS PROTESTOS DOS SONHOS MAIS LINDOS

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Sem lideranças e sem a participação de partidos funestos, a revolta contra a inflação e a corrupção brotou na alma do brasileiro e explodiu nas ruas.

O mesmo brasileiro que era tachado pelo mundo de passivo e acomodado acordou, forçado pelos desmandos dos vários governos, inclusive o federal. O grito de BASTA chegou para ficar.

O que está acontecendo hoje no Brasil é um sonho do qual eu não quero acordar. É o típico movimento que vem do coração de cada um e não de comandos partidários. Portanto, não traz o veneno peçonhento do partidarismo doentio que idolatra e protege o partido em detrimento do país.

Nenhum partido representa os brasileiros nas ruas. Em todas as manifestações, as pouquíssimas bandeiras que surgiram foram vaiadas, o que escancarou um claro distanciamento de políticos sem credibilidade. Era como se dissessem: afastem-se de nós, pois vocês mancharão a pureza dos nossos protestos!

O que move essa multidão não é o simples aumento de vinte centavos na passagem de ônibus.

Talvez tenha sido o estopim que acendeu o pavio, mas o pavio e o estopim já estavam lá esperando.

O que revolta e age como um gatilho detonador é saber que a Copa foi superfaturada, é saber que diariamente o erário público é assaltado por políticos safados, é saber que a inflação, que estava dominada, voltou com força por pura incompetência.

Além disso, a impunidade que grassa no Congresso Nacional sob o comando de um corrupto chamado Renan Calheiros. Comprovadamente corrupto!

É o absurdo de saber que um preso por roubo e assassinato ganha mais do que um professor!

Um movimento espontâneo contra TODOS os partidos e não só PT ou PSDB ou qualquer outro. Pois esses partidos não nos representam! O povo não acredita mais neles, já decepcionaram demais. Um governante demora meses para conceder um pequeno reajuste aos professores, mas dobra o próprio salário em 24 horas.

Você, político, que pensa em aproveitar a galera nas ruas para ganhar votos nas próximas eleições, esqueça. Você será pisado como se pisa uma laranja podre.

O que vemos nas ruas é um povo politizado e acima de todos os partidos, embora já apareçam reações de políticos tentando distorcer os fatos e enganar, como sempre fizeram, o povo. Talvez, desta vez, não consigam seu intento.

Talvez o Brasil esteja mesmo mudando para melhor, mas, assim como marido traído, o político profissional deste país será o último a saber.

E talvez seja tarde demais! Utopia? Não, eu ainda acredito que a voz do povo é a voz de Deus.

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PORTUGUESA 1 X 1 ATLÉTICO – CADÊ AQUELE FUTEBOL?

Não foi uma “quedinha” de produção. Não foi tão simples assim.

O futebol vistoso que o Galo jogou no primeiro turno está, neste momento, em alguma obscura galáxia do universo, menos por aqui.

Hoje o time depende de uma bola fortuita para marcar um gol. Nada de jogadas trabalhadas, de triangulações, de tabelas agudas em direção ao gol.

Chutões para a área e muita reza pra dar certo quase sempre se transformam em contra ataques perigosos. E olha que até Ronaldinho Gaúcho está rifando essas bolas.

No jogo contra a Portuguesa, o futebol foi nivelado por baixo. Se a Lusa foi um time limitado, o Atlético foi muito mais. E, após a expulsão de Leonardo Silva, só não levamos o gol da derrota porque Vítor fez defesas fantásticas, embora tenha falhado no primeiro tento. Mas compensou a falha com sobras.

Da mesma forma que não temos mais aquela avalanche no ataque, hoje o meio de campo, após a saída de Pierre, abriu geral, virou uma avenida. Felippe Soutto e Serginho só marcam com o olhar, ou no máximo, com um sopro. Por isso, a defesa sofreu o pão que o diabo amassou. Os caras entravam de todos os lados e escolhiam o canto, absolutamento sozinhos, sem marcação.

O empate foi uma benesse de Deus. O resultado mais justo seria a vitória da Portuguesa, sejamos sinceros.

O título está cada vez mais longe. Mas a Libertadores é perfeitamente possível. Para isso, é necessário impedir que a equipe permaneça nesta queda livre ladeira abaixo.

Algo precisa ser feito urgentemente, sob pena de, mais uma vez, morrermos na praia.

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O FANTASMA A SER EXORCIZADO

O Atlético é hoje um dos grandes favoritos ao título brasileiro.

Alguém duvida? Podem dizer que está muito cedo pra afirmar, podem arrumar desculpa, mas a campanha até agora, de 10 vitórias em 12 jogos, o credencia como um dos times que vão brigar na parte de cima da tabela em 2012.

A euforia faz parte, o torcedor tem mesmo que acreditar, que vislumbrar a possibilidade de título. Mas a carência atleticana tende a antecipar as coisas. O Galo ainda não é campeão. E ninguém sabe se de fato será ao final do campeonato, por mais que o otimismo tome conta dos corações alvinegros.

Mas ainda existe uma desconfiança presente no íntimo do mais otimista dos torcedores. Pode ser que ele não admita nem pra si, que apele pros anjos ou pra qualquer entidade de sua crença, mas ela está lá. E ela acompanha qualquer atleticano desde o fatídico dia 5 de março de 1978, tendo ele presenciado ou não este fato.

Em 1977, um time INVICTO e com muito a frente do 2°colocado. Total favorito ao título perde a decisão nos pênaltis, diante de um Mineirão lotado. E com direito ao São Paulo, perdendo cobrança atrás de cobrança. Mas o Galo repetia e aumentava a dose. Resultado… a perda de um título dado como certo. Uma certeza que escorria pelos dedos. Um sofrimento inimaginável, até pra mim que viria a nascer 8 anos depois.

O Fantasma nasceu dessa derrota. E em vez de ser exorcizado e morto, despachado pros confins do inferno, ganhou força com os acontecimentos a seguir.

1980, uma verdadeira máquina de jogar futebol. Luizinho, Éder, Cerezo, Reinaldo… Maracanã lotado e briga de igual pra igual com o Flamengo de Zico. A derrota presente.

1981, a Libertadores que mais uma vez aquela máquina de jogar bola atropelava adversário por adversário e foi parada pelo Flam… ou melhor, por José Roberto Wright. Mas parou. Não ganhou. E é mais um peso no subconsciente de derrotas alvinegro.

1985, o Atlético chega numa semifinal de Brasileiro com Bangu, Coritiba e Brasil de Pelotas. Após uma campanha avassaladora, irretocável nas fases anteriores. E o time consegue ser eliminado pelo Coxa tomando apenas 1 gol nas duas partidas.

O Fantasma Derrotista já estava criado. E forte. Apesar do otimismo sempre latente do atleticano, do espírito do “Agora Vai”, do “Esse ano é nosso” ou até mesmo do “ano que vem não escapa”…

Comecei a sentir a presença desta “entidade” na década de 90.

Em 1995, uma vitória acachapante sobre o Rosario Central no Mineirão. 4 x 0 e garantia de título CERTO. Quem iria reverter uma vantagem de 5 gols??? O bicampeonato da Conmebol já era do Atlético, só gravar o nome na taça. E aquilo aconteceu…

1999, após uma campanha regular no Campeonato Brasileiro, o time consegue a classificação na última rodada. Enfrenta um Cruzeiro super-favorito e atropela em apenas 2 jogos (enquanto todos os outros adversários precisaram de 3). Chega à final embalado, ganha do Corinthians (um dos melhores times que já vi jogar na vida) no 1º jogo, perde o segundo e no terceiro, por causa de 1 GOL… 1 GOL deixa escapar o título.

2001, timaço! Melhor meio campo do Brasil eleito pela Revista Placar (Gilberto Silva, Djair, Valdo e Ramon), atropelou o Grêmio nas quartas e cai diante de um São Caetano, debaixo d’água no interior paulista.

2009, campanha também irretocável, com um iluminado Diego Tardelli prestes a virar o maior ídolo da história do clube caso o planejado se concretizasse. O freio de mão é puxado na reta final do campeonato e o time fica fora até de uma das vagas na Libertadores, chegando à rodada final não brigando mais por nada.

E pra fortalecer ainda mais o Fantasma, vieram os anos subseqüentes, as agonias contra o rebaixamento e o 04 de dezembro de 2011…

A história mostra que quando se trata de Atlético, a cautela nunca é demais. Essas derrotas ainda assombram o subconsciente do Galo. Ainda estão presentes, soprando no ouvido do mais fiel atleticano, ao menor sinal de vacilo, que ainda não é dessa vez, que tudo vai se repetir.

E é esse Fantasma que precisa ser exorcizado!

Não sei se com a confiança exagerada e o apoio total e irrestrito como vem sendo demonstrado, mas é uma alternativa mais do que válida. O atleticano esse ano tem todos os motivos pra acreditar. E ele tem razão de acreditar. Tem um time forte, joga o melhor futebol do país, tem elenco com peças de reposição… o Atlético se preparou como nunca pra ser campeão!

Mas vai ter que saber perder. Vai ter que saber lidar com as derrotas, que acredite ou não, ELAS VIRÃO. Elas são normais, ainda mais num campeonato como este. O Cruzeiro de 2003 perdeu 2 partidas seguidas, sendo uma delas pro Juventude-RS em pleno Mineirão. Mas soube se recuperar bem. Todos os campeões perderam, mas souberam se recuperar. Pela história, pela pressão e pelo maldito subconsciente derrotista, o Atlético saberá? O Fantasma está calado, mas sabe que a hora de atacar virá. Assim que surgir a derrota, a má atuação, o resultado inesperado…

E é nessa hora que o Galo terá de provar que o passado ficou realmente pra trás. Que nada daquilo mais contará. Pelo menos por um momento, que se esqueça a história. O que conta é o futuro. O Fantasma está pronto pra ser morto e o ano é este. Daí pra frente, sem o peso das derrotas passadas e com a “entidade” despachada, o Galo poderá voltar a ser gigante, mas dessa vez acordado.

E pronto pra qualquer briga!

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SÃO PAULO 1 X 0 ATLÉTICO – NÃO PRECISAMOS SACRIFICAR NINGUÉM!

Não vi o Galo ser dominado no Morumbi e nem se acovardar como em recentes épocas.

Vi um time confiante em sua força enfrentar um dos melhores elencos do Brasil e jogar de igual para igual. E em alguns momentos do 2º tempo, até empurrar o São Paulo para o seu campo.

Perdeu, ok, mas nem tanto ao céu nem tanto ao inferno. Uma derrota não significa eternamente choro e ranger de dentes.

Não vou aqui procurar culpados. Alguns jogaram mal e outros bem. Danilinho não repetiu a performance do jogo passado, Jô não se destacou porque a bola não chegou nele, Ronaldinho Gaucho foi peça nula no meio, Carlos César nos deu a certeza de que a posição é do Marcos Rocha e Giovanni, embora venha crescendo, tomou um gol defensável.

Bernard, com apenas 19 anos, tem muito ainda a aprender. Se para aprender, tem de ficar no banco, que fique. Mas não foi culpado sozinho da derrota e nem pode assumir a culpa por isso. A sua culpa é relativa na mesma proporção dos outros. Já demonstrou enorme caráter ao sofrer pelos gols perdidos, pois tem plena consciência do que isso significou para o resultado da partida.

Pelo que sinto, Bernard, com apenas 19 anos, não precisa ser instado a corrigir deficiências. Ele tem a exata noção de onde falha e, pelo que deduzi de sua entrevista, se cobra muito. É meio caminho andado para o sucesso e uma lição para marmanjos mais velhos que não estão nem aí para uma derrota.

Não estou defendendo o jogador por ele vir da base. Os que me conhecem ou frequentam o L&N sabem que eu não faço isso. Defendo-o porque, quer queiram quer não, é peça importante no esquema que o Atlético adotou. Ele é rápido, incisivo, parte pra cima e ainda tem fôlego para recompor o lado esquerdo e cobrir o lateral.

Bernard pode ser criticado, mas jamais sacrificado pela torcida. A vaia, nesse momento, só agravará o problema. Eu, como ex-jogador, sei que o bom futebol está na força mental do atleta. E não existe nada pior do que a auto confiança abalada. Pensem nisso antes de vaiá-lo contra o Náutico.

Para finalizar, apenas dois registros:

1 – Já passou da hora de Leandro Donizeti retornar ao time. Um Pierre é bom, mas melhor ainda são dois Pierres.

2 – De uma forma sutil e malandra, estamos sendo roubados nesse campeonato brasileiro. Aquelas faltas não marcadas no meio de campo, impedimentos não existentes, vista grossa para uma 2ª infração de amarelo (que geraria o vermelho), agressão pra vermelho sendo punida com amarelo… e por aí vai.

Como eu tenho dito sempre, o ano de 2012 será de luta contra tudo e contra todos. Se não nos unirmos e botarmos a boca no trombone, o caldo vai engrossar pro nosso lado!

Acreditem!

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Assistam aos melhores momentos:

O NECESSÁRIO RESGATE DE UMA HISTÓRIA DE GLÓRIAS.

Esta é a mais nova seção do Lances&Nuances, honradamente inaugurada por José Gama Jr., advogado militante na área empresarial com atuação em todo o Brasil e residente em Belo Horizonte.

Bendita a internet que deu asas à imaginação de blogueiros, bendito o twitter que permite que tantos falem tanto em tão pouco espaço, e que mesmo assim sejam ouvidos por muitos. Enfim, bendita a tecnologia que permite que hoje você esteja lendo este texto, e permite que não fiquemos todos à mercê de poucos que se julgam donos do direito de informar e que lutam, ainda, por um pretenso monopólio das informações e das opiniões. Como se as opiniões pudessem ser aprisionadas e direcionadas.

Enfim, digo isso porque nunca dantes li tantos textos de tão boa qualidade sobre o momento do Galo, e a grande maioria desses textos não é da chamada grande mídia. São blogueiros, são atleticanos apaixonados.  São pessoas normais, que vivem, amam, torcem e sentem. E emitem suas opiniões.

Nada contra, e demonstro aqui todo o meu respeito a todos os jornalistas que honram suas profissões, que são independentes e que ousam perguntar, informar, emitir opiniões sem ter preocupações em agradar ou desagradar alguém.  Mas sinto que no atual momento do Galo, o papel  cumprido pelos blogueiros e por todos esses “desconhecidos” que assinam seus textos e publicam na internet, dando a cara para muitas vezes tomar muita porrada, é muito mais nobre do que grande parte da imprensa esportiva mineira. Imprensa esta que em sua maioria não ousa criticar os atuais mandatários, que não põe o dedo na ferida, que parece crer que o “sobrenatural” é o culpado pela atual situação do Galo. E que tenta de todo modo fazer com que o atleticano acredite nesse “sobrenatural”.

Exceções existem, claro, e não posso cometer a injustiça de não ressalvar alguns jornalistas abnegados que, muitas vezes até usando a própria internet (já que alijados da grande mídia), ainda honram seus diplomas e enfrentam os poderosos dirigentes, informando e emitindo suas opiniões com isenção e destemor.

A controvérsia causada por recentes textos que afirmam que o Galo já não é mais um time grande, é salutar. E necessária. E foi bom que foi feita por jornalistas do chamado “eixo RJ-SP”. Até porque raramente veríamos algo parecido ser feito pela imprensa daqui.

Acompanhando o Galo de bem perto desde 1980 (quando também se deu o início de um sem-número de erros de arbitragem, propositais ou não, que nos custaram vários títulos), sinto no ar um certo desânimo por parte do torcedor do Atlético. Um ar de que realmente nos apequenamos, de que não somos mais o melhor time das Minas Gerais e nem um dos melhores e maiores do Brasil e do mundo.

Se é certo que nessa década a sucessão de trapalhadas de administrações que primam pela incompetência nos fazem hoje comemorar permanência na primeira divisão (mesma Série A da qual o Galo foi líder do ranking elaborado pela CBF durante tantos anos), muito mais certo é que nossa história, nem tão longínqua assim, ainda é de glórias. E tais glórias não podem ser apagadas. Não podem ser esquecidas.

Se nosso próprio presidente vem a público (na sua última entrevista ao programa Bastidores, Rádio Itatiaia) dizer que a última vez que o Galo teve time foi em 1980,  _ quando, por coincidência, o seu digníssimo pai era o Presidente _ certo é que a história do Galo merece ser resgatada. O que dizer então das participações do Galo nos brasileirões de 83, 85, 86, 87, 90, 91, 94, 97, 99, 2001? Isso para não aprofundar muito a pesquisa e para não falar de outras competições.

Para que os atleticanos de hoje olhem para seu clube e vejam a dimensão que essa nação alvinegra tem no mundo todo, a história do Galo precisa ser contada (aos mais novos recomendo o livro do Ricardo Galupo, Raça e Amor, dentre tantas outras publicações sobre o Galo). E bem contada. Um clube centenário não vive só de presente. Vive de passado, de presente e principalmente de futuro.

Não, não somos pequenos. Sim, ainda somos uma das maiores forças do futebol nacional. E mundial.

Se recentemente não vieram títulos de expressão, é bom lembrar que o próprio Santos também amargou mais de quarenta anos sem títulos expressivos. Alguém ousou, por isso, chamar o Santos (outrora de Pelé e cia) de time pequeno? E o que dizer do nosso rival, que foi o último dos grandes times (os chamados times do extinto clube dos 13) a ganhar um brasileirão (não me venham com essa de Taça Brasil, por favor)? Ou do Palmeiras, que assim como o Corinthians, também amargou décadas na fila sem ganhar nem um simples título paulista? Eram clubes pequenos nessa época? Lógico que não.

Não, não somos pequenos. Sim, temos sofrido com administrações pequenas. Administrações tacanhas, que acham que inventaram o Clube Atlético Mineiro, que desprezam a história do Galo, que são indignas de nossa grandeza, que não representam nosso amor ao Galo. Amor esse que não tem medidas.

Aos profissionais historiadores e atleticanos, fica a missão: vamos mostrar aos atleticanos mais jovens o quão grande é e sempre foi (e sempre será) o nosso Galo.

Aos dirigentes, atuais e futuros, fica o pedido: respeitem a grandeza do Clube Atlético Mineiro!

José Gama Jr.

Nota do blogueiro: Para os que se interessarem em escrever nesta seção, enviem seus textos para o email roberto.cfilho@globo.com , que serão analisados com toda atenção que merecem.

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ATLÉTICO 0 X 1 SÃO PAULO.

O jogo teve uma característica que saltou aos olhos: o São Paulo povoou meio de campo e defesa e esperou o Atlético em seu campo. E utilizou os contra-golpes rápidos para levar perigo à meta de Renan Ribeiro.

Isso funcionou no primeiro tempo, quando o Atlético, mesmo com maior volume de jogo, foi inferior ao São Paulo em organização tática.

Toró, mal posicionado em campo, foi anulado por ele mesmo. Giovanni não conseguiu se livrar da forte marcação paulista e junto com Mancini, perdia bolas que ofereciam os contra-ataques ao São Paulo.

Justamente o que o tricolor havia se proposto: jogar no erro do Galo.

Nessa etapa da partida, o meio de campo exerceu marcação frouxa. Soutto e Richarlyson não acertavam o passo e nem alternâncias.  Leandro, na lateral, muito menos. Até agora não entendo porque Guilherme Santos, infinitamente superior, não joga.

Patric foi muito bem, essa é que é a verdade, apesar de a maioria não gostar dele. Na jogada do penalti (claro, por sinal), não deveria ter se jogado. Se persistisse, seria gol certo.

Mas, no conjunto, o Atlético não estava mal, embora tenha começado a correr somente após o gol adversário, aos 22 minutos. Esboçou uma reação, mas não conseguiu guardar a criança na casinha.

Com Dudu Cearense estreando no lugar de Soutto (lesionado), Berola no de Mancini e Serginho no de Toró, o Galo voltou para o segundo tempo disposto a mudar a história do jogo.

E aí, sim, encaixou a marcação e dominou com autoridade, empurrando a equipe tricolor para o seu próprio campo. Muito mais organizado nas quatro linhas, o Atlético sufocou do princípio ao fim.

Mas falta ao Galo um repertório de jogadas rasteiras de ataque e isso  limita enormemente o seu poderio ofensivo.

Não se pode depender só de jogadas aéreas. E parece que o time ficou meio que viciado nestes lances por causa do sucesso alcançado nas duas primeiras partidas.

Embora importantes, são apenas um complemento e não a essência.

A essência de ataque são tramas, trocas de passes, ultrapassagens, bolas enfiadas, cruzamentos à meia altura ou rasteiros, etc, etc. Tudo aquilo que desnorteia os zagueiros. E isso o Galo não apresentou ontem, mesmo com o monumental domínio do jogo.

Leonardo Silva jogou de zagueiro e centroavante. Aliás, mais de centroavante do que de zagueiro. Eu gostei dessa ousadia do Dorival, pois pode se converter em mais uma alternativa tática.

Pois um time que quer ser campeão tem de possuir, obrigatoriamente, um extenso rol de possibilidades treinadas à exaustão. Do contrário, ao ser marcado naquilo que tem de mais forte, deixa de oferecer perigo.

Assim como Sansão, que tinha os cabelos como única fonte de força. E ao vê-los cortados, se ferrou em verde-amarelo.

Tenho repetido aqui e no twitter que o Atlético necessita de reforços. Não pela derrota de ontem, mas pela alta performance que um campeonato tão árduo exige.

E, vendo uma partida como esta, contra um grande time do país, é muito mais fácil identificar as carências.

Na minha opinião, não há mais tempo para a diretoria ficar cochilando em berço esplêndido. É premente a contratação de um camisa 10 que distribua e organize o jogo de forma ágil e fluente. E que Giovanni jogue um pouco mais atrás, na sua posição de origem.

E é preciso contratar um jogador com faro de gol, que ame a grande área e que tenha um estilo agudo em direção à meta adversária.  Um daqueles fominhas que causam insônia nos beques.

Estamos marcando presença de forma muito tímida na grande área. Ontem, a bola pererecou várias vezes na zona do agrião e não tinha uma bendita alma ali, para empurrar para dentro ou construir uma boa jogada.

Enfim, apesar da derrota, nada está perdido, assim como não tem nada ganho. Muitos vão perder e ganhar, inclusive o São Paulo.

Portanto, há muito que se fazer para o nosso destino ser esplendoroso. E para que isso aconteça, a diretoria tem a obrigação de se mexer com mais agilidade e não apenas ficar assistindo contratações de reforços dos adversários todos os dias.

Afinal, entramos nessa para ganhar ou para fazer figuração?

Qual a sua opinião, caro amigo do L&N?

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SÃO PAULO 4 X 0 ATLÉTICO. UMA DESPEDIDA FRUSTRANTE.

Na prévia deste jogo eu consegui errar praticamente tudo.

Pois na ocasião eu deduzia _ acho que de forma lógica  _ que o time com a obrigação de correr atrás de um resultado positivo seria o Atlético.

Afinal, o São Paulo já não aspirava a mais nada e o Galo ainda lutava pela Sul Americana.

Entretanto, o que eu vi foi um tricolor _ mesmo desfalcado _ correndo muito em busca da vitória, assistido de camarote VIP por uma equipe desinteressada, fria e doida para o jogo acabar desde o primeiro minuto da partida.

Nada funcionou, começando pela inoperância da zaga formada por Jairo Campos e Cáceres, entre outras fragilidades flagrantes.

E o paraguaio, para cúmulo do ridículo, acreditou que o juiz não daria a vantagem na falta de Serginho e abandonou o combate, praticamente entregando o gol a Ilsinho.

Decisão infantil demais para um veterano de várias copas do mundo.

Rafael Cruz fez o que qualquer atleticano duvidava: conseguiu jogar pior do que antes!

E forçou Dorival Junior a improvisar um atacante, com todos os cacoetes de atacante, a atuar na lateral direita, talvez pela primeira vez na vida. Um verdadeiro desperdício de talento.

E o Galo não se acertou em nenhum momento do jogo. Vamos ser sinceros: levamos um sonoro vareio de bola do São Paulo.

Temi por uma goleada histórica, de 6, 7 ou 8, tal a facilidade com que os sãopaulinos invadiam a nossa área e ficavam cara a cara com Renan Ribeiro.

É duro levar de quatro e constatar que o melhor em campo foi o nosso goleiro!

Apesar da derrota, o Clube Atlético Mineiro se despede do campeonato em 13º lugar, classificado para a Sul Americana e à frente do moleque rubro-negro.

Mas ficam muitas lições desta triste jornada. Na minha opinião, Dorival Júnior terá um trabalho árduo pela frente, pois tem uma base de grandes nomes e pouco futebol. Ou seja, uma suntuosa pompa para uma festinha com quibes e empadinhas!

O principal desafio será equilibrar este time em seus vários setores, principalmente nas laterais e no meio de campo defensivo.

Aproveitar o que tem de bom no elenco e reforçar o que não tem. Inclusive goleiro reserva, que estamos em falta.

Para finalizar, dizer que a temporada de 2011 tem de ser tratada radicalmente ao contrário de 2010.

E para que isso aconteça, tanto os titulares quanto os reservas têm de ser muito bons no que fazem, não importando se são operários, craques ou aqueles para os quais resta apenas o trabalho sujo.

Um time é feito de vários estilos e características, cada um acrescentando algo ao outro, desde que seja competente. Cabe ao técnico encaixar as peças de tal modo que a engrenagem funcione no seu todo.

Mas com jogadores meia-boca em posições importantes nesta engrenagem, é impossível qualquer treinador alcançar o caminho para o sucesso.

E assim o desequilíbrio fica evidente, como nesta despedida frustrante!

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ATLÉTICO 2 X 3 SÃO PAULO. E 3 RAZÕES PARA O FRACASSO.

A hora é de reflexão sim, mas também de ação.

A nossa situação, depois de mais uma derrota, é séria demais para que nenhuma atitude seja tomada.

Não estou dizendo que tem de botar o Luxemburgo porta a fora, mas grande parte do que está acontecendo é sim de responsabilidade dele.

Se ele sair, o que eu duvido, não teremos ninguém à disposição no mercado dos professores. Isso é um fato inquestionável.

Por outro lado, sob pena de sermos tachados de omissos, não podemos permanecer do jeito que está, o que também é um fato inconteste.

Então estamos numa sinuca de bico? Sim, estamos numa monumental sinuca de bico!

E POR VÁRIAS RAZÕES. Uma delas foi a atitude ingênua de menosprezar a importância do volante defensivo, aquele que protege a defesa como um pitt bull.

Ter a seleção de 1970 como exemplo de esquema a ser utilizado 40 anos depois é, no mínimo, uma agressão à nossa inteligência.

A época de “cerca-lourenço” ficou lá pelos idos da década de 1980.

De lá para cá, o futebol se tornou muito mais físico do que técnico, embora nenhum atleta consiga jogar, do meio para frente, se não possuir um mínimo de habilidade.

A série de derrotas e a cascata de pontos perdidos na competição são fruto da fragilidade de nosso meio de campo. E eu vejo que até as pessoas que não entendem de futebol repetem o mesmo refrão.

Pois o fato é tão acintoso que salta aos olhos de qualquer um!

Mas um treinador, 5 vezes campeão brasileiro, resolveu, insanamente, ignorar uma lei básica no ludopédio do esporte bretão: aquela que diz que futebol se ganha no meio de campo!!!

Ontem, no primeiro tempo, o time foi bem. Mas o que mais chamou a atenção foi a correria, a garra imposta pelo Galo. E o esquema tático? Ora, todos sabem que o nosso time não tem esquema tático.

Mas a bem-vinda correria, que fez com que o Galo virasse o placar, desgraçadamente retirou do time o fôlego que precisava para imprimir o mesmo ritmo no segundo. E o pior: por falta de pernas, toda a capacidade de reação evaporou!

E aí encontramos a segunda razão para o fracasso sempre repetido: O preparo físico da equipe é deficiente demais para quem almeja algo. E não é de hoje não. Estamos com problemas nessa área desde o primeiro jogo.

Isso faz com que jogadores como Eron _ que ontem fez um primoroso primeiro tempo _ caiam tanto de produção na etapa final, como aconteceu.

O curioso é que tivemos, neste ano, uma longa pré-temporada e uma inter-temporada de 1 mês por causa da parada da Copa do Mundo.

Ou seja, em situação normal, o time estaria voando na ponta dos cascos. Porém, inexplicavelmente, não está! Será a caixa de areia do Mello? Ou uma caixa de ineficácia no setor de preparação física?

E a terceira razão que justifica o limbo em que estamos: as substituições promovidas pelo professor são uma tragicomédia à parte. Na maioria das vezes, no decorrer do campeonato, ao invés de fazerem bem ao time, fizeram mal. Essa é que é a verdade.

Ontem ocorreu mais uma vez. Até um cego sabia que Ricardinho não poderia nunca ser substituído por Mendez. Isso travaria o time e tiraria dele toda a condição de transição de bola da defesa para o ataque.

E foi exatamente o que aconteceu, mais uma vez.

Mendez deveria ter entrado no lugar do Fabiano e feito dupla no meio com Ricardinho. Simples assim.

E a cereja do bolo da incompetência foi a saída de Berola para a entrada do insosso, invisível e improdutivo Ricardo Bueno. Se ainda tínhamos alguém (Berola) capaz de construir jogadas de perigo no ataque, mesmo jogando mal, a nossa chance se diluiu como bolhas de sabão levadas pelo vento.

Com a entrada de Bueno, Obina também sumiu, o que é mais do que lógico. Não há centroavante que consiga jogar se a bola não chega nele. O contrário corresponderia ao milagre da multiplicação dos pães!

E não espere que a bola chegue aos seus pés ou na sua cabeça se você tem ao lado um Ricardo Bueno da vida.

Enfim, mais uma derrota facilmente evitável. Mais um vagão de ouro entregue aos bandidos por nossa própria incapacidade de avaliação e principalmente, de ação.

Só sei que o pânico começa a se insinuar em nossas mentes apaixonadamente atleticanas.

E, com isso, confesso que a palavra “projeto”  já me dá calafrios dignos de uma febre amarela!

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UM JOGADOR, UM VOLANTE, UM HOMEM DE RESPEITO!

Era de se esperar que este post fosse em homenagem ao Tardelli, que fez 3 golaços contra o Santos.

Ou em homenagem ao Jairo CAMpos, que chegou por aqui sem ser conhecido e está arrebentando com a bola no Galo.

Ou até mesmo a Muriqui, que readquiriu a forma e vem produzindo muito novamente.

Muitos jogadores do Atlético merecem, mas desta vez, o L&N homenageará um volante que chegou meio desacreditado, vindo da reserva do São Paulo e praticamente descartado do plantel de Ricardo Gomes, técnico daquele clube.

O jogador a quem me refiro é Zé Luis, que ao vestir o manto sagrado, se metamorfoseou em um monstro dentro de campo.

Zé Luis não só protege a cabeça de área e as laterais, mas também sai jogando com uma tranquilidade que muitas vezes quase aniquila os nervos dos torcedores nervosos e febris. Mas o faz de forma consciente, com uma tremenda auto-confiança em seu próprio taco.

O bom Zé é, fora de campo, um doce de pessoa. Educado, fala mansa e calma, atende a todos com muita simpatia.

Mas dentro das quatro linhas é um guerreiro vibrante, de sangue no olho, que corre por dois e não tem medo de cara feia.

Do primeiro ao último minuto, enverga a camisa do Galo com a mesma raça que muitos ídolos a defenderam no passado.

A amada camisa preta e branca, que é a segunda pele da imensa nação  atleticana, caiu como uma luva no Zé Luis. E parece que, por osmose, atingiu o seu coração.

Pois ninguém joga com a raça e com a fúria com que Zé Luis joga se não amar a camisa que veste.

Ninguém se entrega de forma tão intensa em todos os cantos do gramado e em todas as divididas,  se não estiver apaixonado.

Zé Luis não faz pose de craque e não complica nada dentro de campo. Joga o básico e é com este básico que vem se transformando em uma das peças mais importantes do elenco.

Ali no meio de campo, naquele negão alto e ágil, encontramos sangue e coração. Ali tem alma, vibração e honra!!

Brio no caráter tem Zé Luis. Pois não é qualquer um que perde o pai em um dia e dois dias depois entra em campo para defender o manto sagrado contra o Santos.

Perder o pai é como perder a referência, o alicerce sobre o qual foi construída a sua personalidade. O simples som da voz de um pai representa a segurança e a proteção que se recebe desde que se nasce.

Zé Luis pranteou o ídolo, enterrou-o com respeito infinito e no dia seguinte, se apresentou ao quartel para mais uma batalha.

Pois sabia que a equipe precisava dele, peça importante que é. Então não se omitiu em um momento crucial para o clube. E bem que poderia fazê-lo. Ninguém o criticaria por isso.

Mas se recusou a fazê-lo.

E na quarta-feira passada, entrou em campo para ser um dos melhores do confronto. Jogou por si, pelo pai e pela nação alvinegra, que gritou seu nome como nunca antes havia gritado. Por gratidão, a massa ovacionou um homem digno, um homem de respeito.

Nem sempre os ídolos são craques. Nem sempre os craques são ídolos.

Mas sempre os que defendem a nossa camisa com unhas e dentes, com o coração na ponta da chuteira… ah, meus amigos, estes têm um lugar especial no coração da massa.

Eu não sei se Zé Luis se transformará em um ídolo atleticano. Talvez sim, talvez não.

Mas eu, particularmente, por seu gesto de extrema grandiosidade e por todo o seu comovente esforço em campo, já o considero um ídolo meu.

Que um dia Zé Luis possa ser um ídolo de todos!

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PARABENS PELOS 102 ANOS, MEU GALO QUERIDO.

Em homenagem aos 102 anos do nosso Galo querido, eu vou lhes contar uma história. Vou relatar aqui as imensas dificuldades que vivi para acompanhar as notícias do meu Galo no Rio de Janeiro, onde enfrentaria o Botafogo de Jairzinho, Djalma Dias, Zequinha e companhia, naquele longínquo final de tarde de 19 de dezembro, domingo chuvoso e frio, 1971 anos depois do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Se a Internet existisse naquela época _ o que é apenas um sonho de escritor que costuma viajar pelos caminhos férteis da imaginação _ eu não experimentaria toda aquela agonia. Eu saberia on-line no exato instante em que o urro gutural de campeão explodisse nas ruas e nos corações da nossa nação. Eu saberia… mas na época eu não soube. Não existia on-line para nós.

Feito este introdutório necessário, vamos à narrativa:

Aos 16 anos, em fins de outubro, fui para São Paulo trabalhar. Belo Horizonte não oferecia a um menor mais do que meio expediente de labor e mais do que meio salário mínimo por mês.

Já em São Paulo, dias depois, consegui me colocar em uma empresa chamada Cotonifício Guilherme George, no vigésimo quinto andar de um edifício em plena Av. Paulista. Em dezembro, em virtude da proximidade do Natal, a empresa iniciou um período de plantões de atendimento aos clientes nos finais de semana. Ao saber disso, eu tremi nas bases. Eu poderia ser escalado e não ver o jogo. Rezei para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, roguei por todos os Santos que me dessem uma força junto ao Criador, enfim, tentei todas as artimanhas para livrar minha cara do tal plantão. Mas não me dei bem. Deus não gosta de intermediários, foi o que deduzi. Aprendi que, de vez em quando, é bom falar com Chefe diretamente. Por isso, me ferrei bonito na estratégia adotada e fui escalado para trabalhar exatamente no domingo do jogo.

Para quem não se lembra ou não sabe dos detalhes daquela final, eu posso refrescar-lhes a memória: Para o triangular final, se classificaram Atlético (com 12 vitórias, 10 empates e 5 derrotas), Botafogo e São Paulo.

No primeiro jogo, no domingo anterior, 12 de dezembro, o Galo tinha ganhado do São Paulo por 1X0 no Mineirão, gol de Oldair. Esse jogo eu consegui assistir pela televisão. Em meio a 10 ou 12 são-paulinos indignados, eu era a única personificação da alegria ao final do jogo. Não, não era só alegria. Era loucura pura. Gritava Galo milhões de vezes, pulava, esmurrava o ar, me jogava na lama da rua, enfim, eu era um atleticano terminal. Estava na UTI de tão doente que eu era. De tão feliz. Fiz a festa sozinho na casa do adversário.

Confesso que hoje, em 2010, eu não sou um atleticano mais fervoroso do que era naquela época. Não é porque eu não queira. É PORQUE NÃO CONSIGO! Isso é simplesmente impossível para qualquer atleticano, não só para mim. Desde crianças nós somos tão apaixonados que não dá para aumentar o amor no decorrer da vida. Ainda estou na UTI, vivendo à custa de aparelhos.

Na quarta-feira, 15 de dezembro, o São Paulo jogou e ganhou do Botafogo de 4X1. Portanto, partíamos para o jogo no Rio precisando apenas de um empate. Se perdêssemos, o São Paulo era o campeão. O Botafogo necessitava marcar 6 gols na gente para compensar o seu déficit e superar o saldo do São Paulo.

Então, no domingo, lá estava eu pregado com um telefone na orelha atendendo aos clientes do interior de São Paulo e com o meu próprio interior em pandarecos.

Domingo modorrento, irritantemente lerdo, mas meio que a fórceps, a hora do jogo chegou. Fingi a cara mais concentrada no trabalho que eu pude achar, mas na verdade o meu espírito estava correndo no gramado do Maracanã envergando uma camiseta preta e branca emoldurada por um escudo com letras sagradas: CAM.

Do alto do vigésimo quinto andar, sem rádio, sem computador, sem celular, sem lenço e sem documento, fiquei de orelha em pé pra ouvir a explosão de foguetes pela cidade. Gol do Botafogo significava foguetes tricolores. Mas estes não explodiram. Silêncio total, a menina dormiu. Comecei a desconfiar que talvez… quem sabe…será se dá?

Achei _ entre um atendimento e outro _ tempo para uma última negociação: _ Meu bom Deus, dê essa colher de chá pra gente (nessa hora de desespero, resolvi me dirigir diretamente ao Chefe)… Eu sei que Senhor também é Pai dos botafoguenses. Mas combinemos assim, o Senhor os deixa ganharem noutro ano e nós ganhamos agora, ok? Assim fica todo mundo feliz!

No fundo, eu sabia que era uma negociação capciosa, mas fazer o quê? Eu estava tenso demais para crer apenas nos jogadores!

No silêncio pesado dos arranha-céus cinzentos, meio que dormindo sob a garoa, eu só ouvia o pulsar do meu coração, que batia como a charanga do Galo. Sabe quando você sente o coração tomar o lugar da garganta? Pois é…

O jogo já deve estar no segundo tempo. Deve estar terminando e nenhum foguete!

Aleluia! O expediente acabou. Desci, esbaforido, os vinte e cinco andares _ não consegui esperar o elevador _ e fui direto para o bar da esquina da Paulista com a Rua Brigadeiro Luiz Antônio. Eu sabia que ali tinha uma televisão e que talvez alguém pudesse me informar o resultado do jogo.

Eu só posso dizer que ao entrar no bar de poucas pessoas, ninguém precisou me informar nada. A tela da televisão preta e branca no alto da parede me disse tudo que eu precisava saber. Estava lá em letras de fogo com o hino imortal do Galo tocando ao fundo: ATLÉTICO MINEIRO, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1971. E no canto superior da tela: Botafogo 0 X 1 Atlético. Enquanto via os jogadores se abraçarem no campo de jogo, eu sentei na primeira cadeira que encontrei _ pois as minhas pernas já não me sustentavam _ e chorei que nem um menino, tão menino que eu era. Convulsivamente.

Simplesmente não consegui sair pulando e vibrando como tinha feito no jogo contra o São Paulo. Quedei-me impávido colosso, presa fácil de uma emoção inimaginável, inalcançável, que anseio sentir de novo um dia. Eu desabei inteiro, tremendo como gelatina. Por entre lágrimas, ainda pude ver, no canto do campo, Dario e Humberto Ramos se abraçando. Telê Santana já concedia entrevistas, mas eu não consegui ouvi-lo, apesar de toda quietude do bar.

A dona do lugar, assustada com aquele moleque chorão, correu com um copo d’água para me socorrer. Com um forte sotaque nordestino, perguntou-me o que acontecera. A única coisa que pude balbuciar, a prestações: _ Nada não, moça. Está tudo bem. O meu Galo é campeão brasileiro! Ainda não consigo acreditar!

A nordestina disparou uma imensidão de risada _ tão quente quanto as águas de seus mares _ e abraçou carinhosamente o garoto atleticano, solitário campeão perdido em São Paulo.

E durante o ano que fiquei em São Paulo, ela nunca me cobrou o iogurte natural de todas as manhãs. Todo o resto ela cobrava, mas curiosamente o iogurte não. Talvez porque fosse o item mais caro _ e meu dinheiro só dava para os mais baratos ­_ ou talvez porque quisesse homenagear o nosso Galo todo santo dia!

(Esta história é absolutamente verdadeira até nos detalhes. Foi escrita originalmente por mim em fevereiro de 2009 para homenagear o Terreiro do Galo, onde ainda tenho a honra de ser um dos colunistas e que é do amigo e ferrenho atleticano Christian Munaier. Algumas palavras foram adaptadas (sem interferir na história) para servir ao propósito de comemorar o aniversário do Galo nesta data).

PARABÉNS AO GALO E A ALEXANDRE KALIL, O MELHOR PRESIDENTE DO ATLÉTICO DOS ÚLTIMOS 20 E TANTOS ANOS.

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